Capítulo 1: Diana
~*~ DIANA ~*~
Meu nome é Diana M. Clark Turner, sou formada em Marketing e Publicidade e infelizmente perdi meu emprego que tanto amava após uma briga com um dos donos da agência publicitária que eu trabalhava. Não gosto de admitir, mas sou um pouco esquentada e teimosa, eu preciso aprender a dominar o meu gênio, isso meus pais já cansaram de me falar. Agora não adianta chorar sobre o leite derramado, vou ter que me virar em achar outro lugar para trabalhar.
Hoje bati perna pelas ruas de Phoenix entrei até em lugares que não tinham nada haver com a minha profissão, pois eu não podia ficar desempregada por muito tempo, o dinheiro do seguro desemprego me ajudava com as despesas, no entanto daqui a dois meses eu já não o receberia mais.
Era quase final da tarde quando cheguei ao apartamento que dividia com minha prima Clarissa, lhe encontrei estudando compenetrada, ela cursava duas faculdades em simultâneo, uma pela manhã e outra a noite. Como não queria incomodá-la resolvi passar quieta por ela e ir tomar um banho.
— Oi, prima! Como foi a procura por emprego? Achou algum? – pediu me encarando curiosa.
— Olá! A procura foi bem desgastante prima, fiquei até desanimada, mas não posso desistir.
— Tenha fé Diana, logo você acha um emprego bom e na sua área de formação, não adianta trabalhar num lugar que não te faz feliz.
— Puxa... eu até queria poder escolher, no entanto, o que vier é lucro, pois não estou em situação de recusar, senão vou ter que voltar a morar com os meus pais na Filadélfia – dar aquela resposta me fez ficar triste, pois eu não queria voltar a morar na cidade onde tive uma grande decepção amorosa. Desde que me formei eu trabalho aqui em Phoenix, melhor cidade segundo o meu ponto de vista.
— Eu sei que você só não volta pra lá por causa do seu ex, ele te machucou demais, eu compreendo.
— Nem parece que três anos passaram após aquele fatídico dia que nem gosto de lembrar. – declarei chateada com as lembranças amargas do término.
— Desculpe-me por te fazer lembrar do Sam. Não vamos mais tocar nesse assunto, pelo jeito ainda dói.
— Não precisa se desculpar, prima. Eu prometo que vou parar de pensar nele e seguir em frente, quem sabe deixar alguém novo entrar na minha vida, já fiquei tempo demais estagnada por causa dele.
— Assim que se fala! Agora mudando de assunto... eu vou conversar com uns amigos meus e pedir se eles conhecem algum lugar que esteja contratando uma pessoa com sua formação – ela esboçou um olhar preocupado.
— Beleza! Agora vou te deixar estudar e vou tomar um banho, pois estou precisando urgente tirar esse suor do corpo – declarei encerrando a conversa e fui para a minha suíte.
Após o banho demorado, decidi vestir um pijama bem confortável e fui para a cozinha fazer um sanduíche para matar a fome, isso até eu decidir o que jantaria. Quando passei pela sala, minha prima já não estava mais, acredito que já tenha ido para a faculdade, pois ela gosta de chegar um pouco antes da aula para ficar na biblioteca lendo.
Fiz um sanduíche com queijo, presunto e tomate e voltei para o meu quarto, onde decidi assistir pela quadragésima vez o seriado do Hércules, eu não cansava de ver. Sou obcecada por mitologia grega e consequentemente deuses e semideuses gregos, coleciono tudo o que é relacionado a eles, desde livros, filmes, seriados, quadrinhos, camisetas, meias, só parei um pouco de adquirir algumas coisas, porque minha condição financeira não estava tão boa, eu precisava economizar.
Suspirei e decidi prestar atenção ao seriado, porque somente assim eu conseguiria esquecer o dia frustrante que tive. Focada na tela do notebook consegui assistir três episódios seguidos do seriado que eu era fã, quando o quarto episódio se iniciava meu celular tocou, me fazendo o pegar ligeiramente. Ao visualizar o nome da pessoa que me ligava, vi que era minha prima, fato que me fez estranhar, pois ela nunca ligava quando estava na faculdade, somente se fosse algo urgente. Sem delongas atendi logo a chamada.
— Alô!
— Oi prima! Muito ocupada?
— Na realidade não! Aconteceu alguma coisa? – pedi num misto de curiosidade e preocupação.
— Você é sortuda Di! Falei com um amigo meu que cursa administração e parece que a Corporação H. S. Elísios está precisando urgente contratar um gerente de marketing. Meu amigo disse que pode te indicar, não é o máximo? Claro que você vai ter que disputar a vaga com algumas pessoas, mas já sendo conhecida por alguém de lá, ajuda bastante – falou empolgada minha prima, me fazendo rapidamente pensar da onde conhecia o nome daquela empresa, que me pareceu familiar.
— Tenho a sensação que já ouvi falar a respeito dessa empresa, só que não me recordo onde e nem o que ela faz...
— Não acredito nisso, não sei como você pôde esquecer-se desta empresa, ela é dona de todos os crematórios em estilo grego que tem aqui no nosso país. Além do que nós até tivemos num crematório deles em Nova Iorque, você me disse que até parecia o Parthenon, que era igualzinho o da Grécia.
Aquela informação me fez ter ligeiras lembranças do local e como fiquei fascinada com a construção que era quase idêntica ao Parthenon. Impressionou-me também o rito de passagem para o mundo dos mortos que o crematório fazia, era tudo em estilo grego, até o barqueiro que levava o falecido tinha sido encenado. Por muito tempo fiquei pensando sobre aquilo, agora eu teria uma oportunidade de talvez trabalhar num lugar que nunca imaginei. Pelo jeito o dono daquela empresa era fã igual a mim de mitologia grega.
— Di você está aí? – pediu Clarissa do outro lado da linha, me fazendo voltar a realidade.
— Sim, eu estou! Apenas estava me lembrando... desculpe.
— Tudo bem! Sei que você deve ter ficado emocionada com a possibilidade, então me envie o seu currículo para o meu email que vou passar para o Jack.
— Já vou te mandar, obrigada! – falei ao mesmo tempo que abria o email no notebook e anexava o meu currículo e enviava – Recebeu?
— Sim, recebi sim, hoje a conexão está boa, foi rápido!
— Ótimo, agora volte pra sua aula, não quero que o professor te chame atenção.
— Você tem razão, hoje não posso abusar, senão o Sr. Smith vai soltar fogo pela boca. Até mais tarde – ela murmurou antes de encerrar a ligação.
Depois de deixar o celular na cama, suspirei mais animada e voltei a assistir o meu seriado favorito, já sonhando em conseguir aquele emprego.