Capítulo 2: Hades Nas mãos de Hades! · Capítulo 3 de 3
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Capítulo 2: Hades

~*~ HADES ~*~

Hoje faz exatamente 15 anos que eu vim morar em meio aos mortais, isso somente aconteceu por insistência do meu irmão Zeus, que além dessa aventura exigiu que eu e Poseidon completássemos três tarefas, a primeira delas eu cumpri com excelência, que foi se infiltrar num ramo da economia e crescer.

Eu optei por trabalhar no setor funerário, mais especificamente com crematórios, que transformei numa rede bem próspera.

Construir os crematórios iguais ao Parthenon e usar alguns ritos fúnebres gregos nos velórios, junto com o barqueiro foi um toque de mestre, eu admito. A encenação dele até certo ponto era real, mas nunca esses mortais saberão. Até o orgulhoso do meu irmão Zeus me deu os parabéns pelo que eu fiz e isso não tem preço.

No entanto, dois dias por semana eu preciso voltar ao mundo dos mortos para ajudar a governá-lo, pois não posso deixar tudo nas mãos dos meus subordinados, as decisões mais importantes ninguém pode tomar no meu lugar. Apesar de não estar continuamente lá, ainda prezo pelo bom funcionamento do lugar.

O mundo dos mortos evoluiu com o passar dos séculos, muitas coisas mudaram, como foi o caso da estrutura do submundo que passou a ser um pouco parecida com o que prega a doutrina espírita, com algumas colônias espirituais, assim como também com lugares de sofrimento e expurgação dos pecados. Agora o julgamento dos desencarnados era feito de uma maneira bem diferente do que executado na época da Grécia antiga.

De repente o barulho do celular me tira dos meus devaneios, então largo a taça de vinho na mesinha ao lado do sofá e pego o aparelho para conferir quem estava me ligando. Bufo ao constatar que era minha “esposa” Perséfone.

— O que você quer?

— Por que se mudou da nossa casa? Pra onde você foi?

— Estou lhe dando a liberdade, minha querida ex-esposa! Agora você pode ter o amante que quiser. – a escutei prender a respiração do outro lado da linha, como se tivesse tomado um susto ou ficado surpresa com algo.

— Então... você sabe?

— Sim, eu sei de tudo! Faz tempo que nos conhecemos Perséfone, você já deveria saber que não pode esconder nada de mim. O que você fez foi no mínimo patético.

— Patético é? Quem você pensa que é para falar assim comigo? Você não tem vergonha na cara de querer me cobrar fidelidade? Logo você que já me traiu algumas vezes! Por que raios você matou o Bruce? – a voz que anteriormente demonstrava calma, agora estava alterada e esse fato de certo modo me alegrava, pois eu gostava de tirar Perséfone do sério.

— Quem disse que eu o matei? Ele morreu num trágico acidente... pelo que eu sei tem até testemunhas. – dei um sorriso sádico, pois por mais que quisesse jogar na cara dela que eu tinha matado Bruce, não seria sensato, porque admitir algo assim no telefone pode ser comprometedor, vai que algum enxerido está grampeando essa ligação.

— Seu cínico! Nunca pensei que o deus do submundo fosse um covarde em não admitir suas atrocidades.

Aquela provocação me deixou furioso, tanto que desliguei o celular e me teletransportei para onde ela estava. Quando Perséfone me viu, ela revirou os olhos ao mesmo tempo que cruzou os braços.

Tenho que admitir que esse jeito abusado dela me deixa excitado, ultimamente tenho tido preferência por mulheres geniosas e briguentas. No entanto, eu preciso manter as aparências e colocar minha máscara de deus severo, cruel e frio, sem sentimentos. O tempo convivendo com esses mortais, de certo modo me amoleceu.

— Quem você está chamando de covarde? Você quer que eu admita que matei aquele patético mortal? – pedi com uma voz fria e um olhar de desdenho.

— Poupe-me Hades... eu não sou boba. – ela gesticulou e depois caminhou até o sofá e sentou-se.

— Digamos que eu o matei num momento de fúria, mas não vou pedir desculpas por isso – respondi arrogante e me sentei de frente a Perséfone.

— Essa postura é típica de você... – ela retrucou chateada.

— Esse sou eu e como não quero mais sujar minhas mãos e nem me incomodar estou lhe dando o divórcio. Já falei com Zeus sobre isso. De agora em diante faça o que quiser, e eu também vou fazer o que eu desejo.

— Ótimo! E sobre o submundo? Eu preciso ainda passar alguns meses lá? Não sou mais a sua esposa.

— Não posso te liberar completamente, pois você comeu aquela fruta que estava no submundo. No entanto, eu posso reduzir seu tempo de permanência por lá – respondi de maneira calma ao mesmo tempo que observava minha ex-esposa se mexer incomodada no sofá a frente.

— Quanto tempo?

— Posso diminuir para três semanas por ano e ainda você poderá escolher os dias que irá para o submundo.

Perséfone me olhou espantada, eu acredito que ela não esperava a diminuição radical no seu tempo de permanência no submundo e também o fato de eu deixá-la livre para escolher quando iria para lá. Até que ultimamente eu não estava agindo de uma maneira tão ruim como costumava proceder, já não tenho mais tanta paciência para joguinhos de vingança.

— Quem é você? E o que fez com o verdadeiro Hades? – pediu ela faceira, até os seus olhos transmitiam uma enorme felicidade. Confesso que fiquei um pouco incomodado com aquela reação, mas infelizmente eu podia compreendê-la.

— Sou Hades, digamos que uma versão melhorada, porém não se engane, não serei sempre assim... tão “bonzinho” – retruquei me levantando do sofá.

— Certo!

— Vou voltar para a minha cobertura e terminar de tomar o meu vinho delicioso. Boa sorte com sua nova vida e se cuide – me despedi antes de me teletransportar novamente para o meu duplex.

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