Capitulo 1 Borboletas E Espadas · Capítulo 1 de 2
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Capitulo 1

CAPÍTULO 1​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

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O sol lançava seus últimos raios no horizonte, a luz alaranjada dominava o céu e tingia as poucas nuvens fazendo elas tomarem o tom melancólico da tarde, as montanhas ao longe lançavam suas sombras sobre o imenso gramado onde um grupo de soldados estavam em uma roda observando duas pessoas empunhando suas armas uma contra a outra. Os olhos castanhos encaravam os negros com determinação, um sorriso afrontoso surgiu em seus lábios carnudos. Era quase um chamado para a batalha, mas os olhos negros observavam os pés a sua frente certificando-se da hora exata que devia atacar. Caminhavam em círculos se encarando sem parar, os soldados a sua volta prendiam a respiração e evitavam qualquer movimento afim de evitar qualquer distração para qualquer um dos lados.

Os olhos negros notaram uma demora em um dos passos e ali encontrou o momento certo de atacar. Avançou com força lançando sua espada de madeira contra o corpo menor, mas a espada inimiga, apesar de ter sido pega de surpresa, conseguiu bloquear o golpe. Os olhos castanhos agora viam o sorriso triunfante nos lábios marrons mais finos que os seus. Golpes começaram a ser desferidos contra a pequena espada fazendo seu pulso se cansar ao bloqueá-los, se afastava enquanto desviava o máximo que podia dos avanços daqueles olhos negros que almejavam a vitória. Sabia que a força bruta não era suficiente para vencer pois a força adversária era superior, então apelou para a única arma que poderia usar contra aqueles olhos. Uma arma que somente seus olhos podiam usar e somente contra aquela força brutal.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

Um passo mal calculado e seu traseiro encontrou o gramado frio, o impacto surpresa fez a espada de madeira voar longe e com o avanço dos olhos negros seus braços se lançaram sobre o rosto procurando uma defesa contra o golpe certeiro. Os pés maiores pararam, surpresos com a ação, as mãos confusas sobre o que deviam fazer e, em meio aos instantes de confusão, os pés foram arrastados no chão e agora era seu traseiro que sentia impacto contra o gramado. Uma rasteira bem calculada lançou o corpo pesado contra o chão.

— Renda-se! — Disseram os lábios cheios e marrons com um sorriso de vitória.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— A vitória é sua, princesa. — A mulher mais alta falou com um sorriso que também era de uma vitória, essa mais particular que qualquer outra.

— De novo?! — Um dos soldados falou levantando as mãos em frustração e sendo seguido por seus colegas.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

A princesa estendeu sua mão pequena para a guerreira para ajuda-la a se levantar, a mão da mulher cobria quase totalmente a sua, mas sua delicadeza era inigualável. As duas mulheres ficavam frente a frente, a luz do sol tocava os olhos castanhos com delicadeza e davam a eles um brilho vermelho que parecia brasas queimando eternamente em um fogo que aquecia e não machucava.

— Vossa Alteza precisa entrar. — A guerreira falou segurando sua espada. Seu sorriso ainda estava em seus lábios pois o motivo dele ainda estava diante de si.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Você estará no castelo essa noite? — A princesa indagou olhando intensamente os olhos negros sem desviar um segundo. Seu olhar era terno, gentil, doce e suave, como as primeiras flores de um cajueiro.

— Certamente Alteza, vossa majestade deseja falar comigo, então estarei no castelo essa noite. — A resposta aquecia os corações como o fogo nas noites frias do reino.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Espero te ver antes de dormir. — A princesa entregou a espada para a guerreira. — Até mais Ayla. —

Os olhos negros seguiram os passos alinhados até que o corpo pequeno entrasse no enorme castelo e ali desaparecesse. Ayla pegou as espadas de madeira para guarda-las no suporte de exposição, os soldados deixaram o local para voltarem ao alojamento.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Eu acho uma graça você dar medo em todos os soldados, mas ficar igual uma besta quando é pra lutar com ela. — A voz de uma mulher ressoou nos ouvidos de Ayla.

— A princesa não é uma guerreira, ela só está aqui para treinar. —Ayla olhou para cima para responder a mulher.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Mas nós temos que treina-la para ser uma guerreira, todos fazemos isso, mas você sempre deixa ela vencer. — Um sorriso travesso estava desenhado nos lábios da mulher alta e corpulenta.

— Eu não deixei, só pensei que ela tivesse se machucado. — As guerreiras começaram a caminhar em direção ao alojamento.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Ela sempre usa o mesmo truque e você sempre cai como um pato. — Houve um riso no final da frase que deixou Ayla irritada.

— Kain, eu sou a guarda dela, eu preciso protege-la. — Os passos de a menor diminuíram, seus olhos se voltaram para o alto, para a torre onde sabia que estava o quarto da princesa.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— O fato de você ter crescido junto dela também ajuda nisso. — A mulher corpulenta falou olhando na mesma direção.

— Eu preciso tomar banho, o rei me chamou para conversar essa noite. — As duas voltaram a caminhar. — Quer dormir lá em casa? —​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Eu vou adorar, o alojamento está bem barulhento esses dias. — Kain respondeu olhando o alojamento ao longe.

O local era uma casa até grande onde os soldados dormiam todos juntos, ao lado estava o refeitório onde todos comiam e conversavam, mais atrás estava o banheiro onde todos se banhavam e faziam suas necessidades. Era ali que Kain ficava quando não estava nos treinos ou de guarda, não era ruim, nem desconfortável, mas em alguns dias os soldados faziam mais barulho que o normal; eram as noites em que eles cantavam para comemorar e nessas noites ela preferia dormir na casa de sua amiga.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

A casa de Ayla era próxima ao castelo. Uma casa grande feita com pedras por telhas escuras e palhas para evitar o calor, a porta era de madeira grossa para evitar invasões. As mulheres entraram no local e Ayla foi a primeira a se banhar. O banheiro era como o restante da casa, feito de pedras resistentes, havia uma banheira de latão onde a água era depositada para o banho. Uma janelinha de madeira permitia quem estava dentro de ver o céu e as arvores que haviam em volta. A água era retirada de barris de madeira que eram enchido todas as manhãs em um rio próximo.

A guerreira se banhou limpando todo seu corpo, a banheira era grande o bastante para seu corpo. Ayla era uma mulher alta, 1.86 de altura e a casa era toda projetada para seu tamanho, inclusive o banheiro. Enquanto se banhava Ayla observou as cicatrizes em seu corpo fruto de lutas e do treino árduo, o qual ela fazia desde a infância.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

Através da janelinha a mulher pode ver o céu ficar tão escuro quanto seus olhos, o som de alguns sapos ao longe indicavam que as chuvas se aproximavam da região. Ayla saiu da banheiro e enxugou o corpo colocando um pano que cobria toda sua nudez para que as demais pessoas na casa não a vissem.

— Pode ir, eu vou me vestir para ir ao castelo, nos vemos depois. — Falou passando do banheiro para seu quarto onde estava suas roupas e sua armadura.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

Ela vestiu a calça preta, passou a fita pelos seios e vestiu a camisa branca folgada. A armadura, para sua sorte, era de um metal leve e, apesar de ser complexa, não dava muito trabalho para vestir. Ela colocou a cota de malha, colocou as perneiras, caneleiras, o peitoral que cobria dos seios a barriga, mas dispensou a pescoceira, por fim colocou as ombreira, braçadeiras e as luvas.

A cavaleira rumou ao castelo passando por guardas e serviçais, todos cuidando do funcionamento do castelo e da família real. Ao entrar na grande sala a família real estava à mesa, o Rei Rods assim que a viu levantou-se de sua cadeira com adornos de ouro e caminhou em direção a sala particular do rei. Os filhos de sua majestade estranharam a reação do pai, mas optaram por não questionar naquele momento.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

Na imensa sala se encontrava o general do exército real, o rei sentou em sua cadeira atrás de uma mesa cheia de papéis perfeitamente organizados, havia também cadeiras e tinta fresta para assinar papéis. A sala era uma pequena biblioteca particular com mapas e objetos se estudo.

— Majestade, o que deseja falar? — Indagou a cavaleira em sua postura perfeita. A seu lado o general mantinha a mesma postura esperando as palavras do rei.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Como sabem a reunião dos monarcas está próxima, nossas defesas devem ser reforçadas e a segurança da família real deve ser a prioridade. — As costas largas do homem encontrada o concordo da poltrona e relaxou. — A soldado Ayla tem feito um excelente trabalho na proteção da princesa herdeira, devo agradecer o general por seu treinamento e disciplina. — O general segurou o pequeno sorriso de orgulho que se formava. — O motivo de os chamar aqui é para informar que os dois deverão escolher os melhores soldados para a proteção do castelo até o fim do encontro dos monarcas. O restante dos soldados protegerão os arredores do castelo. —

— Será uma honra majestade. — A guerreira falou contendo um sorriso de orgulho.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Você, guarda Ayla, ficara responsável pela guarda real. Escolha quem ira proteger meus filhos além de você. — Rods olhava diretamente para a mulher. — Estão dispensados. —

O general e a guarda saíram da sala juntos deixando o rei sozinho. Do lado de fora o homem e a mulher se encaravam em silêncio com sorrisos orgulhosos em seus rostos.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Parabéns, minha filha. — O general colocou a mão sobre o ombro da filha.

— Obrigada, pai. Eu achei que ele iria me tirar da guarda da princesa, fiquei aliviada de não ter sido isso. —​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Eu também. Mas agora você terá mais responsabilidades, a guarda real não é uma coisa cabível de erros. — O homem apertou o ombro da filha fazendo ela balançar levemente. — Escolha as pessoas mais preparadas do exército, e se precisar me chame para ajudar. —

— Não precisa se preocupar, pai. Eu já tenho alguns nomes em mente. —​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Está bem, eu espero você em casa. — O homem falou e deu um caloroso abraço na filha.

— Kain está em casa, ela irá dormir com a gente hoje. — Informou para seu comandante.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Está bem. — O general continuou caminhando sem dar importância a informação dada pela filha.

Os passos de Ayla percorriam o castelo com a calma de um gato e, se não fosse a armadura, seria tão silenciosa quanto um. Ela entrou em um cômodo para encontrar o corpo pequeno de um metro e sessenta e cinco de altura. A princesa Liana esperava a guarda na biblioteca real, um local imenso com livros de todos os tipos, o local que a princesa mais conhecia e gostava​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Alteza. — A guerreira se aproximou de Liana com a mão sobre o peito em reverencia.

— Ayla . — A princesa largou o pesado livro sobre a mesa feita de madeira nobre, como tudo no castelo. — Achei que não viria. — Os lábios da princesa se dobraram em um sorriso tímido.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Eu nunca deixaria de atender um pedido seu, Alteza. — A guerreira ofereceu sua mão para que Ayla depositante a sua. Assim que a pequena mão estava sobre a palma, Ayla tocou a pele morena e delicada com seus lábios. — O que deseja de mim? — A guerreira continuou segurando a mão pequena e delicada.

— Muitas coisas, mas agora eu quero que sente comigo. — A princesa puxou sua guarda particular para que ambas sentassem no enorme sofá.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

A guarda acompanhou Ayla e a princesa ordenou que ela sentasse na ponta do sofá. A guerreira obedeceu e logo em seguida sentiu o corpo da menor deitar sobre o seu. A princesa estava deitada nos braços da guarda enquanto lia um livro sobre as terras ao leste do reino, era um estudo que a princesa começou aos poucos, mas que se tornava cada dia mais importante para ela.

— Está confortável? — Indagou a cavaleira olhando o corpo frágil de sua princesa.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Bastante, seu corpo é aconchegante. — Roçou o corpo no da maior para se aconchegar. — O que meu pai queria falar com você? —

— Apenas queria me informar que serei a responsável por escolher os novos soldados para incorporar a guarda real. — A guerreira respondeu a indagação com a voz calma.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Serio? — Liana levantou o tronco sobre o corpo da guarda e apoiou as mãos em sua barriga para olha-la nos olhos.

— Sim. Eu irei escolher cada um dos novos três soldados a cuidarem da família real durante o encontro dos monarcas. — A guerreira optou por ignorar o toque ousado da pequena.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Mas você ainda será minha guarda pessoal, né? — Os olhos castanhos fitavam os negros com um certo temor e apreensão.

— Claro que sim. Se eu tivesse que deixa-la, Alteza, eu jamais aceitaria qualquer cargo além desse. — Os lábios marrons estavam perigosamente próximos dos lábios carnudos da princesa.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

liana fitou os lábios carnudos como se estivesse hipnotizada por eles. A cor marrom, o desenho assimétrico, a covinha abaixo, o pequeno corte no lábio inferior, era tudo tão atraente, mas não teve coragem de dar margem ao desejo que a consumia. A guerreira se afastou da princesa para que está ficasse mais a vontade, os lábios cheios fizeram um biquinho pelo afastamento, mas não demonstrou tanto seu descontentamento.

— Eu acho que a senhorita deveria descansar. — A guerreira falou ficando sentada.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

O tronco da cavaleira era grande o suficiente para cobrir parcialmente o corpo de Ayla, a princesa encostou a cabeça no peitoral da armadura. Ela fechou os olhos e soltou o ar acumulado nos pulmões em frustração, seus dedos delicados tocaram o metal frio, mas o desejo era de ir além, de atravessar aquela cota de aço maleável e sentir o calor da pele.

— Me leva até o quarto? — Pediu recuperando a postura calma e gentil.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Claro, Alteza. — A guerreira deu espaço para a princesa levantar.

As mulheres seguiram o caminho até o quarto da princesa, Ayla permanecia alguns passos atrás para garantir a segurança e a privacidade de Liana. Elas passaram pela enorme escadaria, passaram pelos quadros da família real e por guardas e finalmente a porta de madeira entalhada a mão e com detalhes em prata e ouro surgiu a frente dela. Os guardas abriram a porta e a princesa virou para sua guarda, os olhos da guerreira fitavam o rosto gordinho da princesa, finalmente se despediram e a princesa entrou no quarto enquanto Ayla retornava a sua casa.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

A pequena casa próxima ao castelo estava quieta, a não ser pela conversa de Ayla e Kain que falavam sobre a conversa com o rei. As cavaleira estavam acostumadas a sussurrar desde a época em que dormiam no dormitórios do exercito.

— E o que a princesa queria? — Kain indagou segurando uma lamina que usava para limpar os pelos do rosto.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Estava interessada em saber o que falei com o rei. — Ayla pegou a lamina para ajudar a amiga a remover os pelos.

— Apenas isso? — Kain estava sentada com as pernas em cruz e as mãos em concha. — Não aconteceu nada mais? —​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

Ayla parou o movimento por alguns segundos pensando no momento em que seus lábios quase tocaram os de Liana. — Teve uma coisa, foi quase um acidente, mas ficamos tão perto que quase nos beijamos. —

— Sério? — Kain virou o rosto rapidamente e Ayla teve que segurar a lamina com força para não acontecer um acidente.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Pelo amor de Ran, não faz mais isso. — O peito da menor subia e descia com o susto. — Sim, aconteceu, mas foi um acidente. —

— Desculpe, eu não consegui me conter com essa informação. — Kain voltou a ficar quieta. — Por que você não se declarou pra ela? Parecia um bom momento. —​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Só na sua cabeça. A princesa nunca corresponderia meus sentimentos. — A voz rouca vacilou com as palavras.

— Se você acha isso mesmo é melhor começar a esconder melhor isso. — A voz delicada de Kain alcançou os ouvidos da amiga causando uma irritação imediata. — Porque só falta você abanar o rabinho quando vê ela. — A risada genuína de Kain fez Ayla franzir a testa irritada.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

Os olhos negros desviaram da guerreira corpulenta por alguns instantes e se voltaram para a janela, de lá ela podia ver a torre onde Liana estava deitada. Um suspiro melancólico deixou os lábios da cavaleira e viajaram lentamente atrás da noite ate a janela de vitrais decorados onde Liana penteava seus cachos para dormir. A princesa sentiu o pelos de seu corpo se eriçarem inesperadamente e sua mente trouxe a tona o momento em que quase tocou os lábios carnudos que tanto desejava. Os dedos delicados passearam pela pele do rosto imaginando como seria receber novamente os carinhos de Ayla como quando eram crianças e a amizade era maior.

A noite passou e a manhã veio com os raios do sol atravessando a janela, os olhos castanhos se abriram para contemplar o sol radiante surgindo entre os enormes morros ao longe. As serviçais vieram ajudar a princesa a se arrumar após seu banho, seu primeiro compromisso após o café era a aula com o professor Polum, um homem gordinho e baixo que usava um monóculo, o homem tinha cabelos grisalhos e uma barba volumosa. Polum sempre foi bastante gentil e paciente com a herdeira do trono, as aulas do homem abrangiam assuntos diversos que o homem havia dedicado a vida para aprender e agora dedicava o restante para ensinar.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Professor, o encontro dos monarcas existe a quanto tempo? — Indagou a mulher sentada em sua cadeira. A mesa a sua frente estava coberta de papéis e potes de tintas para escrever.

— A quase cem anos. — O homem de bochechas rosadas e expressões gentis respondeu ajeitando o óculos. — Foi sua ancestral a rainha Magma que lutou para instaurar uma cooperação que fosse benéfica aos cinco reinos. Os monarcas da época desconfiavam das intenções de vossa majestade, mas a rainha não desistiu e em três anos ela viajou pelos cinco países para convence-los da união. No fim desses três anos os monarcas aceitaram cooperar uns com os outros e foi estabelecido que a cada três anos os monarcas de cada reino se reuniram para determinadas metas, novas cooperações de mercado. O local do encontro muda a cada encontro para garantir que nenhum reino tenha controle sobre os outros. — O homem falou com o peito estufado, estava orgulho de todo seu conhecimento que tinha. — Deseja mais detalhes? —​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Não, obrigada. — A princesa mostrou os dentes em um sorriso desconcertado. — Mas, eu gostaria de saber mais sobre o quinto país que não se juntou aos demais. —

— Ah sim. Era uma terra hostil onde vivia um povo selvagem. — O homem voltou a sentar em sua cadeira. A seu lado estava um quatro onde escrevia as informações que a princesa precisava aprender e nas prateleiras vários livros perfeitamente arrumados. — Eles escolheram não fazer parte da união pois acreditavam que isso iria corromper o modo de vida deles, mas no fim foram desaparecendo aos poucos até se tornarem apenas uma lenda. A terra onde viviam ficou conhecida como Terra Proibida por causa dos animais selvagens e violentos da região. —​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Hm, obrigada professor. — Liana agradeceu, mas ainda não estava satisfeita com a resposta, havia mais curiosidade do que respostas para sacia-la, mas a aula já estava em seu fim então evitou mais perturbações. — Nos vemos depois, professor. —

— Bons ventos guiem suas escolhas, princesa. — A mão enrugada se ergueu para a princesa na intensão de que os deuses ouvissem seu pedido.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

Os passos dos pés delicados eram lentos e cautelosos, passavam por serviçais e objetos sem se desviar. Sua caminhada aos poucos ganhava mais velocidade conforme se aproximava dos estábulos, de longe ela viu a silhueta de uma guarda alta e musculosa. De longe a mulher parecia uma muralha que ninguém poderia atravessar, tão imponente que assustava até o mais forte dos soldados do reino.

— Olá, Ayla. — A voz firme da princesa chamou atenção. — Esta tudo pronto para nosso passeio? — As mãos cobertas por um tecido delicado estavam postas na parte de trás do corpo.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Alteza. — A guerreira virou-se para encarar sua protegida. — Sim, tudo estava perfeito para seu passeio diário. — Ayla falou procurando afastar de sua mente a ideia de que aquele era um passeio delas, ela não estava ali para se divertir com a princesa e sim para protege-la.

— Claro, meu passeio. — Os olhos da princesa se desviaram da guerreira envergonhados com as palavras que pareciam repreender qualquer tentativa de aproximação.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

— Eu levarei Argus e Kiara para fora em um instante. —

A guerreira pegou o cavalo e a égua e os levou para fora do estábulo, ela os guiou até os portões que guardavam o castelo dos perigos pois, apesar de não haver mais guerras entre os reinos, ainda haviam levantes que tentavam derrubar a monarquia. Do lado de fora a guerreira ajudou a princesa a subir em seu cavalo o segurando para que ela montasse. O vestido de Liana, apesar de belo, era funcional para passeios, não haviam muitos tecidos e isso facilitava os movimentos, porem subir no cabelo poderia ser um problema caso ele se agitasse e por isso a guerreira o segurava.​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌​‌​​‍​​‌‌​​‌​‍​​‌‌‌​‌​‍​​‌‌​​​‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌‌​​‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌‌‍​​‌‌​​‌‌‍​​‌‌​‌‌​‍​​‌‌​‌​‌‍​​‌‌​​​‌‍

Ayla subiu em Kiara, sua fiel companheira desde a infância e as mulheres seguiram seu passeio pelo reino. Apenas Ayla acompanhava a princesa, sempre foi assim desde que a mulher se tornou guarda real de sua Alteza e Liana agradecia pois poderia desfrutar da companhia da guerreira apenas para si.

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