CENA 5 — “EU VIM A MORTE DENTRO DO CELEIRO” Nas quebrada do sertão há HERÓIS Para o povo · Capítulo 5 de 5
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CENA 5 — “EU VIM A MORTE DENTRO DO CELEIRO”

🎭 (Fazenda do coronel Friedo. Céu nublado, tempo parado. Dentro do celeiro velho, Nélio e Eliza, sua bela esposa, se entregam à paixão proibida entre os fardos de feno.)

ELIZA : Ai... ai... minha nossa Senhora da Agonia... que coisa boa, Nélio!

NÉLIO: Shhh... deixa comigo, meu doce de caju açucarado...

ELIZA: Ui... meu Jesus da Goiabeira!

(Do lado de fora, o coronel Friedo vem se aproximando com a empregada. Ouve os gemidos altos e para de andar. Fecha a cara. Entra no celeiro devagarinho. A empregada vai pelos fundos e flagra Nélio pelado, com o cabelo bagunçado e uma energia quase mística.)

EMPREGADA :Valha-me Deus, eu nunca vi um cabra tão cabeludo nessa parte do mundo! É um padre selvagem, isso sim!

NÉLIO (assustado, sussurrando): Eliza, ocê quer mesmo que ele nos encontre? Ele me arranca o couro com faca cega!

(De repente, o coronel Friedo surge atrás de Nélio, com uma espingarda apontada pro rabo do rapaz. O clima pesa. Silêncio. Só se ouve o rangido do feno.)

SEU FRIEDO: Desgraçado... o que é que eu tô vendo aqui, hein?

EMPREGADA (encabulada) : Eu...eu nem sei, coronel... mas dizem que onde tem muito cabelo, não tem vergonha.

SEU FRIEDO: E eu lá quero saber de topete de traseiro, mulher?!

NÉLIO (calmamente, tentando negociar com filosofia matuta) : Voismince poderia apontar essa arma pra o lado, que se disparar, vai cortar as pregas do meu bonga seletíssimo.

SEU FRIEDO (furioso): Eu vou é enfiar esse cano até a alma e descarregar tudo no seu toba!

NÉLIO (sereno, encarando a morte de frente): Calma, coronel... um cabra bom não se desespera. Tristeza em vosso semblante não combina com um homem de terras e gado.

SEU FRIEDO: E ocê queria que eu sorrisse vendo ocê montado na minha mulher igual burro em jumento?!

NÉLIO:O que vós está vendo é o que vós não queria ver... mas eu avisei. Disse que um dia praticaria o exorcismo do amor carnal com sua esposa.

SEU FRIEDO: Exorcismo?! Isso é obra do cão! Só se for pra me levar agora pro inferno!

NÉLIO (erguendo-se, pelado, em pose de mártir sensual): Olhe bem, coronel. Vede este corpo... nu... rasgado, marcado pela batalha contra o pecado.Isso aqui é luta contra o demo!

EMPREGADA (sem conseguir tirar os olhos): E... e não amoleceu não... olha isso, meu Deus... parece uma tocha!

SEU FRIEDO: Seu cabra safado!

(O coronel dispara! BANG! Nélio se abaixa e sai correndo, pelado, desviando de tiros e saltando por cima de um jumento. Jagunços aparecem, mas Nélio é rápido como um tatu em dia de feira. Corre pelo milharal, pula a cerca, e foge rumo às Pregas do Norte.)

NÉLIO (correndo e gritando): Eu sou Nélio, o intocável! Pelado, mas vivo! A honra não tá nas calças, tá no espírito, cabras!!!

🌵 FIM... CENA 🌵

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