Prólogo
O livro repousava sobre o colo de Isabella, mas suas mãos tremiam tanto que parecia que jamais conseguiriam segurá-lo. Cada palavra pulsava como se tivesse vida própria, penetrando fundo no peito da princesa. O ar ao redor tornava-se pesado, sufocante, e cada respiração exigia esforço.
Então, ela leu.
“Ao final, a princesa que tanto amou e buscou o amor de seu pai, foi sentenciada à morte por ele.“
O chão pareceu desmoronar sob seus pés. Um frio cortante subiu pela espinha, e seus joelhos fraquejaram. Quis gritar, mas sua voz estava presa, engolida pelo vazio. Quis correr, mas não havia escapatória. O terror não vinha de monstros ou batalhas, mas da ausência de quem deveria protegê-la, do vazio do amor que nunca recebera. Cada fio de esperança desmanchava-se em fumaça.
Isabella fechou os olhos, mas o aperto no peito se intensificou. O silêncio do quarto tornou-se prisão; mesmo com Anne ao lado, a sensação de abandono a engolia. O livro não era apenas um espelho de sua vida: era um carrasco silencioso, antecipando cada dor, cada derrota, cada instante de desamparo.
Lágrimas caíram sem força, quase em protesto contra aquela realidade implacável.
– Não pode ser... não é real – , murmurou, mas até suas próprias palavras pareciam distantes, engolidas pelas paredes do quarto. Uma certeza cruel se instalou: nada do que fizesse poderia mudar o destino já escrito.
O relógio marcou duas horas. O mundo parecia escuro demais, pesado demais, e Isabella compreendeu, com clareza aterradora, que a tragédia não estava apenas nas páginas. Estava em cada sombra, em cada olhar ausente, em cada gesto de quem deveria amá-la e nunca o fez.
Fechou o livro, mas as palavras continuavam a ecoar em sua mente, gritando silenciosamente: o abandono e o medo a seguiriam até o fim.