O Apartamento Lacrado O Perfil da Desaparecida · Capítulo 4 de 12
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O Apartamento Lacrado

O apartamento de Eva ficava no décimo andar de um prédio simples, com varanda estreita e vista para uma avenida barulhenta. Nicolas tinha a chave, porém evitava entrar desde que a polícia encerrou a vistoria. Laura colocou luvas antes de tocar na maçaneta e pediu que ele esperasse no corredor se não conseguisse respirar. Nicolas abriu a porta mesmo assim. O lugar estava limpo demais para uma jovem que trabalhava, cuidava da mãe e investigava criminosos nas horas vagas. Limpeza excessiva, para Laura, sempre parecia versão física de arquivo deletado.

No quarto, havia marcas retangulares na parede onde pôsteres foram retirados. A mesa tinha espaço vazio no lugar provável de um notebook. No armário, roupas dobradas por alguém sem intimidade com a dona. Laura fotografou tudo e encontrou, dentro de um tênis, um cartão de memória preso em fita adesiva. Nicolas riu sem humor, dizendo que Eva escondia dinheiro no sapato desde criança. Laura conectou o cartão a um leitor protegido. Havia vídeos curtos gravados da janela, todos mostrando a entrada do prédio em noites diferentes.

Em três vídeos, o mesmo carro preto parava na rua. Um homem descia, entrava no prédio sem tocar no interfone e saía minutos depois com capuz baixo. Laura isolou um quadro. No pulso dele, havia tatuagem de serpente. Nicolas reconheceu o desenho do braço de Caio, ex-namorado de Eva. Caio falara em entrevistas com lágrimas perfeitas e frases prontas sobre saudade. Laura já não gostava dele desde o primeiro clipe visto na internet. Homens que choram para câmera com pausa dramática costumam guardar ensaio em algum lugar.

Quando saíram do apartamento, encontraram a porta do elevador aberta e o botão do décimo andar preso com fita. Alguém tinha subido enquanto eles estavam dentro. No espelho da cabine, uma mensagem escrita com batom vermelho dizia para Laura cuidar da própria vida. Nicolas tocou o ombro dela com cuidado, perguntando se queria parar. Laura olhou a frase, tirou uma foto e respondeu que ameaças personalizadas geralmente significam bom caminho. O celular de Eva vibrou dentro da bolsa, embora estivesse sem chip. Na tela apareceu uma solicitação de chamada de vídeo.

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