Universo da obra
Universo da obra
O frio me acordou pela face.
Minha bochecha estava colada à madeira úmida de um banco. Quando levantei a cabeça, uma lasca fina ficou presa perto do maxilar. Arranquei-a com a unha, esfreguei o ponto dolorido e esperei que alguma lembrança explicasse por que eu havia dormido ao ar livre. Vieram o nome da madeira, a causa provável da dor e o risco de uma inflamação. Nenhuma imagem veio comigo.
Sentei direito. O casaco escuro cobria um suéter de lã, calça grossa e botas baixas. Havia terra seca no joelho esquerdo e uma mancha de umidade no punho. Apalpei os bolsos. Encontrei um lenço limpo, dois botões soltos e nada que pudesse identificar uma pessoa. Sem carteira. Sem chave. Sem telefone.
A praça ao redor tinha fachadas estreitas, pedras gastas e janelas altas. Uma torre dominava os telhados. O relógio marcava seis e dez. A luz da manhã mal alcançava o chão entre os prédios. Geada cobria os bancos, as bordas do chafariz e a estrutura metálica das mesas de um café.
Eu conhecia a temperatura aproximada pela rigidez da poça junto ao meio-fio. Conhecia a diferença entre geada e neve. Sabia que os dedos começariam a perder destreza antes de qualquer dano mais grave. Esse conhecimento surgiu inteiro, pronto para uso, enquanto eu abria e fechava as mãos.
Procurei a lembrança de outro amanhecer frio. Encontrei um espaço vazio.
Fiquei de pé devagar. As pernas sustentaram meu peso. O joelho manchado doía pouco. Girei os ombros, toquei a nuca, segui com os dedos a linha do crânio. Sem sangue, inchaço ou sensibilidade fora do comum. A língua reconheceu o gosto metálico de uma boca seca. Eu precisava de água, calor e alguém capaz de dizer onde eu estava.
As primeiras janelas acenderam quase juntas. Cortinas se afastaram. Uma delas abriu para dentro e deixou escapar uma nuvem de vapor. Esperei um rosto aparecer. A abertura continuou vazia.
Uma cadeira raspou o piso atrás do vidro.
Outra cadeira moveu-se ao lado dela.
O movimento cessou. As duas ficaram diante de uma mesa, alinhadas para pessoas que eu não conseguia ver.
Atravessei a praça. Minhas botas batiam nas pedras com um som seco. Cada passo parecia alto demais. Perto do café, levei as mãos à boca.
— Tem alguém aqui?
Minha voz subiu até as janelas e voltou menor. Nenhuma resposta. Uma porta abriu no prédio da esquina. Esperei. O corredor além dela estava aceso. A porta começou a fechar.
Corri e segurei a maçaneta antes que a folha tocasse o batente.
— Espere.
O corredor tinha piso quadriculado, um carrinho de bebê junto à parede e três caixas de correspondência abertas. O carrinho balançou. As rodas dianteiras giraram alguns centímetros, pressionadas por um peso ausente. Soltei a porta. Ela fechou atrás de mim.
O ar cheirava a repolho cozido, sabão e aquecimento antigo. Um elevador desceu no fundo do corredor. Os números acenderam em sequência: quatro, três, dois, um. Quando as portas se abriram, vi a cabine vazia. O piso afundou um pouco. As portas fecharam e o elevador subiu.
Fiquei parada até o número quatro acender outra vez.
Havia gente naquele prédio. Os objetos obedeciam a mãos, corpos e rotinas. Meus olhos recebiam apenas a parte da ação que tocava o mundo.
Essa conclusão trouxe alívio por menos de um segundo. Logo surgiu a pergunta seguinte: por que eu era a única pessoa visível?
Bati na primeira porta do corredor. Três pancadas com os nós dos dedos. Ouvi uma fechadura girar. A maçaneta baixou. Dei um passo para trás.
A porta abriu até a metade.
O apartamento estava iluminado. Um tapete vermelho cobria a entrada. Sobre uma cômoda, uma tigela de cerâmica recebeu um molho de chaves que caiu do ar e bateu duas vezes na borda. Um casaco deslizou de baixo para cima, tomou a forma de ombros que eu não via e desapareceu pelo corredor.
Entrei. Uma corrente de ar frio atravessou meu cabelo. A porta havia fechado atrás de um corpo invisível que saíra para a rua. Eu tinha passado por ele sem sentir pele, tecido ou calor.
Na cozinha, uma chaleira tremia sobre o fogão. A chama azul ardia sob o metal. Duas fatias de pão saltaram da torradeira e pairaram por um instante antes de descer até um prato. Uma faca ergueu-se. Manteiga espalhou-se pelo pão em movimentos firmes.
Meu estômago contraiu. Toquei a cadeira mais próxima. A madeira estava morna no encosto, aquecida por uma mão ou por um corpo que já deixara o lugar. Puxei-a para trás e sentei. A faca continuou seu trabalho do outro lado da mesa. O prato avançou alguns centímetros.
— Eu consigo ver o que você está fazendo.
A faca parou. Esperei uma reação. Ela voltou à manteiga, alcançou a borda da fatia e desceu até a mesa.
Talvez o intervalo tivesse sido casual. Talvez minha voz também estivesse ausente para quem ocupava aquele apartamento.
Peguei a outra fatia. Meus dedos fecharam em torno do pão. Uma força puxou na direção oposta. Segurei por reflexo. A fatia dobrou no meio. A pressão aumentou. Soltei antes que rasgasse. O pão atravessou a mesa, sustentado por uma mão que continuava invisível, e desapareceu aos poucos. Primeiro a borda, depois a manteiga e por fim as marcas dos meus dedos.
O alimento existia para mim. O ato de comê-lo acontecia em outra camada.
Abri um armário. Copos, potes de chá, pratos. Tirei um copo e o enchi na torneira. A água estava tão fria que doeu nos dentes. Bebi duas vezes. Na terceira, o copo saiu da minha mão.
Ele atravessou o espaço até a pia e bateu no metal. A torneira abriu sozinha. Uma esponja deslizou sobre o vidro. Eu havia usado um objeto que alguém, do outro lado, decidira lavar.
Afastei-me. Minha cadeira avançou e encaixou sob a mesa. A posição que eu escolhera perdeu para a posição escolhida no apartamento ocupado.
Antes de sair, procurei um espelho. Encontrei um estreito no corredor, preso entre um cabideiro e a porta de um quarto. O rosto refletido era de uma mulher adulta. O cabelo desarrumado tocava o casaco. Havia uma linha vermelha onde a madeira do banco marcara a pele. Passei o polegar sobre ela e vi o mesmo gesto no vidro.
Esperei reconhecimento. O rosto continuou pertencendo a uma desconhecida.
Tentei formular perguntas simples. Onde nasci? Vazio. Quem cortou meu cabelo? Vazio. Qual foi a última pessoa que me tocou? Vazio.
Quantos ossos existem no corpo humano adulto?
Duzentos e seis, com variações causadas pela fusão de alguns ossos e pela presença de estruturas sesamoides.
A resposta surgiu antes que eu terminasse a pergunta. Eu conhecia os nomes dos ossos da mão que apertava meu casaco. Conhecia os músculos usados para virar a cabeça. Conhecia os possíveis mecanismos de uma amnésia. Nenhum deles me dava uma infância, uma voz familiar ou uma razão para estar ali.
Saí do apartamento. No corredor, o carrinho de bebê desaparecera. Uma das caixas de correspondência fechou. O elevador desceu outra vez. Passei pela porta do prédio e voltei à praça.
A manhã havia avançado. Mais janelas estavam abertas. Mesas do café recebiam xícaras que se moviam, inclinavam e voltavam aos pires. Colheres circulavam dentro do líquido. Guardanapos dobravam nas pontas. A cidade inteira começava um dia comum sem mostrar uma única pessoa.
Uma placa azul na esquina trazia duas linhas. Li a inscrição em ucraniano e compreendi que estava diante de uma rua do centro histórico de Lviv. A informação veio acompanhada de datas, mudanças de domínio, grafias em línguas diferentes e coordenadas aproximadas. Eu sabia que a torre pertencia à prefeitura. Sabia a distância até a estação ferroviária, a posição do teatro de ópera e o traçado das antigas muralhas.
Procurei a lembrança de ter estudado um mapa. Vazio.
A palavra Lviv, porém, provocou uma sensação no peito. Minha respiração encurtou. Apoiei a mão na parede para esperar o corpo se acalmar. A reação podia indicar familiaridade, medo ou apenas o choque de dar nome ao lugar. Eu possuía conhecimento demais para confiar numa resposta que chegava sem origem.
Na rua seguinte, um semáforo mudou para verde. Motores se aproximaram. Vi um automóvel cinza dobrar a esquina. O banco do motorista estava vazio. O volante girava sozinho. Havia uma depressão no assento e um cinto preso sobre nada.
Parei no meio da faixa. O carro continuou vindo.
Saltei para a calçada. O retrovisor atingiu meu braço e me lançou contra um poste. A dor começou no cotovelo e subiu até o ombro. O automóvel freou alguns metros adiante. A porta abriu. Um triângulo de sinalização saiu do porta-malas e foi colocado no asfalto. Outra porta se abriu, depois fechou.
Alguém havia descido para verificar o acidente.
Senti mãos em mim? Apenas o vento e o tecido do casaco contra a pele. A pessoa do outro lado podia estar olhando para uma rua onde eu sequer existia. Para ela, o carro talvez tivesse batido em coisa alguma.
Ergui o braço. O cotovelo dobrava. A dor era forte, localizada, sem indício de fratura. Eu sabia avaliar a articulação. Também sabia que um veículo em baixa velocidade podia causar lesões ocultas. Esse conhecimento cuidava de um corpo cuja história eu desconhecia.
O carro voltou a andar. O triângulo foi recolhido. Em poucos segundos, o trânsito retomou o fluxo.
Passei a observar os cruzamentos com atenção. Veículos existiam. Bicicletas percorriam ciclovias, sustentadas por pesos invisíveis. Portas de ônibus abriam e fechavam. Um bonde vermelho aproximou-se, os trilhos vibrando sob meus pés. Entrei quando as portas se abriram.
O interior parecia cheio. Alças pendiam em ângulos diferentes, puxadas por mãos ausentes. Casacos deixavam pequenas áreas de condensação nas janelas. Assentos vazios rangiam sob o peso de passageiros que eu não via. Fiquei perto da porta e segurei uma barra.
No primeiro solavanco, um corpo sem superfície ocupou o espaço ao meu lado. Meu ombro foi pressionado contra o vidro. Tentei empurrar de volta e encontrei apenas ar. A pressão permaneceu até a parada seguinte. Quando as portas abriram, o peso sumiu e uma alça balançou livre.
Desci. O braço atingido pelo carro latejava. O frio havia cedido um pouco, mas meus dedos continuavam rígidos. Eu precisava de comida que ninguém estivesse usando. Também precisava estabelecer um limite para a cidade. Se aquela condição ocupasse apenas algumas ruas, eu poderia caminhar até encontrar pessoas. Se cobrisse Lviv inteira, a estação permitiria testar outras cidades. Se cobrisse o mundo, a escala da solidão ultrapassaria qualquer cálculo útil naquele momento.
Entrei numa padaria atraída pelo calor.
O sino da porta tocou. Bandejas passavam do balcão para prateleiras. Pães desapareciam dentro de sacos de papel. Uma máquina registradora abria, recebia cédulas e fechava. Atrás do balcão, uma fornada esfriava sem receber atenção. Peguei um pão pequeno da extremidade da bandeja e esperei alguma força disputá-lo.
Nada aconteceu. Mordi. A crosta feriu o céu da boca e o miolo quente aderiu aos dentes. Comi de pé, olhando o saco de papel abrir para um cliente invisível. O pão acalmou meu estômago. Peguei outro e deixei uma moeda imaginária sobre o balcão por hábito. O gesto me constrangeu. Eu não possuía dinheiro. Também não havia alguém capaz de aceitar pagamento vindo de mim.
Uma pinça levantou o pão da minha mão.
Fechei os dedos a tempo. A ferramenta metálica apertou a crosta e puxou. Alguém escolhera o mesmo pão. Desta vez, segurei. A pinça insistiu, riscou meus dedos e soltou. O objeto caiu sobre a bandeja. O pão permaneceu comigo.
Olhei para o espaço atrás do balcão.
— Desculpe.
O saco de papel continuou abrindo. Outro pão entrou nele.
Eu havia vencido uma disputa que só existira para mim.
Terminei de comer e envolvi o segundo pão num guardanapo. O cotovelo doía menos. A marca vermelha perto do maxilar havia perdido intensidade quando toquei o rosto. Era cedo para concluir qualquer coisa sobre minha recuperação. Registrei mentalmente a hora do acidente, a intensidade da dor e o movimento preservado. A organização dos dados me trouxe calma.
Saí da padaria e segui em direção à estação. Conhecia o caminho. Cada esquina confirmava uma informação que já estava em mim: a direção de uma avenida, o nome de uma igreja, a inclinação do terreno. O conhecimento orientava meus pés sem oferecer uma única lembrança de caminhada.
Perto de um cruzamento, os painéis eletrônicos de uma parada exibiam horários. Trens regionais, ônibus, destinos. Li todos. Calculei o tempo necessário para alcançar a estação principal. Também calculei quantas horas levaria até a fronteira e quantos dias eu poderia caminhar com o alimento que carregava.
O plano parecia razoável até eu observar um detalhe no painel.
A temperatura marcada era de dois graus. A hora, seis e dez.
Olhei para o relógio do prédio em frente. Seis e dez.
Meu tempo dentro do apartamento, o acidente, o bonde e a padaria ocupavam pelo menos uma hora. A luz também havia mudado. O painel podia estar defeituoso. O relógio da prefeitura podia ter parado. Caminhei até uma farmácia. O visor acima da porta mostrava seis e dez.
Tirei o pão do bolso. Ainda estava quente.
Um sino tocou ao longe. Contei seis badaladas, depois uma única nota menor que podia marcar dez minutos. A precisão do som contrariava a imobilidade dos mostradores.
Segui andando. Queria encontrar um relógio mecânico, um telefone, qualquer objeto que não dependesse da mesma rede. Uma vitrine exibia relógios de pulso. Todos marcavam seis e dez. Os segundos avançavam em cada mostrador. Quando o ponteiro completava uma volta, os minutos permaneciam no mesmo lugar. O movimento recomeçava.
Encostei a testa no vidro frio.
Talvez eu estivesse confundindo duração. Uma lesão, um estado dissociativo ou uma alteração neurológica poderia deformar minha percepção de tempo. Enumerei causas possíveis e descartei as que exigiam sinais ausentes. O conhecimento respondeu com eficiência. Minha história permaneceu fechada.
Foi então que vi meu reflexo olhar para a esquerda antes de mim.
Afastei o rosto da vitrine.
A imagem repetiu o movimento na direção correta. Cabelo, casaco, mão junto ao peito. Esperei. O reflexo esperou.
Virei a cabeça devagar. Havia uma rua estreita à esquerda, terminando numa fachada clara. A porta dupla estava aberta. Acima dela, máscaras esculpidas cercavam uma inscrição. Eu sabia que aquele prédio era um teatro menor, usado para ensaios e apresentações de câmara.
O reflexo não havia se movido antes de mim. Eu podia ter iniciado o gesto sem registrar a própria decisão. O cérebro prepara movimentos antes que a consciência os reconheça. A explicação era conhecida, provável e insuficiente para reduzir o arrepio nos braços.
O caminho para a estação ficava na direção oposta.
Atravessei a rua em direção ao teatro.
A porta começou a fechar. Corri e passei pelo intervalo. No vestíbulo, luminárias acesas refletiam no piso encerado. Cartazes anunciavam apresentações em datas que eu compreendia. As folhas não traziam fotografias de pessoas, apenas títulos, horários e espaços vazios onde deveriam existir rostos.
Um cabideiro recebeu um casaco invisível. A madeira rangeu sob o peso. Uma bolsa apareceu por um instante sobre o balcão, abriu o fecho e voltou a desaparecer quando alguém a pegou. O ar tinha cheiro de pó, tecido antigo e café.
Segui o ruído de passos que eu não ouvia pelas consequências deixadas no prédio. Portas internas abriam antes de eu alcançá-las. Luzes acendiam em sequência. Uma escada de madeira estalava sob pesos que subiam. Escolhi o corredor que levava à plateia.
As portas acolchoadas se abriram.
Fileiras de poltronas vermelhas desciam até um palco iluminado. Assentos levantavam e baixavam em pontos diferentes. Partituras viravam páginas sozinhas no fosso. Um arco corria sobre as cordas de um violino invisível, porém som algum acompanhava o movimento. As cerdas tocavam o lugar exato. O silêncio pertencia aos seres vivos; os objetos conservavam apenas sua parte da execução.
Desci pelo corredor central. No palco, uma cadeira esperava sob a luz. Havia um livro sobre o assento. Nenhuma mão o movia.
Parei na primeira fileira. Observei as cortinas, as laterais do palco e as varandas. O livro permaneceu onde estava enquanto todo o resto obedecia ao trabalho de pessoas ausentes.
Subi os três degraus laterais. A dor do cotovelo reapareceu quando apoiei a mão no corrimão. Atravessei o palco. O tecido azul-escuro da capa tinha um brilho gasto nas bordas. Não havia título do lado de fora.
Toquei a lombada. O livro estava morno.
Sentei na cadeira e o coloquei sobre as pernas. A capa abriu sem resistência. O papel da primeira página era espesso e levemente áspero. No centro, uma frase havia sido escrita com tinta preta.
Quem é Ellen?
Li duas vezes.
O nome entrou no espaço vazio onde eu procurara a mim mesma durante toda a manhã. Não trouxe rosto de infância, assinatura, casa ou voz. Trouxe apenas a possibilidade de que alguém soubesse que eu chegaria àquele teatro.
Encostei a ponta do dedo na última letra.
A tinta ainda estava úmida.
E se você despertasse em um mundo idêntico ao real, mas sem uma única alma para compartilhar a existência? Ellen acorda sozinha em uma Terra espelhada, onde tudo permanece no lugar… exceto as pessoas. As luzes acendem, o pão repousa fresco sobre as bancadas, os livros guardam histórias que parecem conhecê-la. Nada envelhece. Nada morre. Tudo parece ter sido preparado para ela, e só para ela. Sem memórias, sem passado, sem promessas, ela caminha por cidades suspensas no tempo, ouvindo o silêncio que resta. Mas é quando encontra um caderno com uma única pergunta: “Quem é Ellen?”, que sua verdadeira jornada começa. Neste diário íntimo e deslumbrante, Ellen atravessa ruas, reflexos e abismos interiores, tentando compreender quem é quando não há ninguém para lhe dizer. Enquanto escreve, observa, sente e, lentamente, descobre que o mundo espelhado reage ao outro lado. E que talvez, em algum nível profundo, ela esteja ligada a alguém que ainda vive lá. Quem é Ellen? não é apenas uma história sobre identidade. É uma travessia solitária pelo silêncio do existir, uma ode à presença, e um lembrete de que até no vazio há beleza e sentido.
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