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Luzia-Homem

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Luzia-Homem

Capítulo 27 · Luzia-Homem

Capítulo XXVII

27 de 28 ≈ 18 min de leitura

Capítulo XXVII

Dias depois, soube Luzia do paradeiro de Teresinha.

Raulino contou-lhe como a encontrara, sucumbida, em amarga tristeza, a se penitenciar no serviço doméstico de uma família desconhecida.

- É possível - exclamou Luzia - que aquela pobre esteja vivendo de aluguel? Por que nos abandonou sem motivo?

- Eu não sei dizer - observou Raulino. - O que sei é que ela está servindo a uns retirantes ricos, aboletados na casa da fortaleza. Não me disse porquê. Ali há coisa. Se vosmecê se encontrar com ela, não a conhece.

- Coitadinha!

- Não é mais aquela mulherzinha espevitada e alegre. Não fala quase. A modos que lhe botaram mau olhado!

- Quem sabe se não a intrigaram comigo?

- Não duvido. Há gente para tudo. Quando eu lhe disse que íamos trabalhar nas obras da ladeira da Mata-fresca, ela ficou calada, imaginando, e disse-me por aqui assim: "A Luzia é feliz; vai sair deste inferno... Eu é que estou condenada por toda a vida." E, como eu lhe inculcasse que devia abandonar aquela gente, os patrões, para, vir conosco, abanou a cabeça, desanimada que metia pena... Ah! Sra Luzia! Imagine que a pobre faz todo o serviço; até trata de um burro velho, pele e osso, sem préstimo para nada.

- Se seu Raulino fosse comigo, iria vê-la.

- Ora, ora, ora!... É já. Que não farei eu para servir ao meu anjo da guarda? Olhe, benefício no meu coração pega de galho. Vamos por detrás do cemitério velho e num instante, estamos lá. Pelo caminho continuaram a conversar, Luzia marchava ligeira movendo o corpo com flexões de faceirice, a cabeça erecta, e o semblante sereno, rebrilhando ao júbilo de encontrar a amiga. Raulino aligeirava a travessia, contando, com a avidez contumaz do sucesso, as suas maravilhas, as suas histórias.

- Sabe - disse ela, abeirando ao assunto que a preocupava naqueles dias - que vamos morar na ladeira?

- Já sei. O Alexandre teimou em deixar o serviço da comissão. Eu, no caso dele, não largava o certo pelo duvidoso. Empregado, como está, não arranjará melhor arrumação. Enfim, pode ser que melhore. Na serra, a gente está mais à fresca, tem água com fartura.

- E vai para longe desse povaréu de pobres, esfomeados que cortam o coração... Não é?

- Lá isso é verdade. O doutô, engenheiro das obras pesque é inglês ou alemão. Não sei bem que língua ele fala. Bota o Alexandre no mesmo emprego que aqui tem, com uma gratificação de três mil-réis por dia, afora a ração. Quando é a viagem?

- Por estes dias. Talvez, depois d'amanhã.

- E eu rente...

- Também vai?

- Se estou nomeado feitor!... De mais a mais, já resolvi não largar de mão a gente que me quer bem. Comigo vai uma troça de rapazes de primeira ordem; homens que são mouros no trabalho.

- E eu que tenho pena de deixar aquela casinha, onde curti tantas amarguras!

- É assim mesmo. A gente tem saudade quando abandona o poleiro antigo; mas, ao depois, tendo junto os seus, se conforma depressa, e as saudades voam como folhas secas tangidas por um pé de vento.

- Quero ver se Teresinha também nos acompanha.

- Ela é meia bandoleiro.

- Mas, tenho certeza de que me quer muito bem.

- Não digo o contrário. Experimente... E... a propósito... Sabe que o Crapiúna fez, outro dia, na cadeia um rolo danado? Estava como uma fera. Pensavam até que havia perdido o juízo.

Luzia sentiu percorrer-lhe o corpo intensa crispação de terror.

- Mas eu - continuou Raulino - disse logo que aquilo era cachaça. - Quem sabe!... Talvez não - arriscou Luzia.

Haviam chegado ao renque de casas da Leonor, que terminava na casa malassombrada.

- E aqui - disse Raulino, indicando o pardieiro desengonçado. - Abeiremos às pedras da fortaleza, Teresinha deve estar nos fundos.

Junto dos rochedos a prumo, havia uma latada de palhas de carnaúba, recentemente construído para servir de abrigo ao burro, que ali estava de pé, sonolento, espantando, devagar, com açoites da cauda pelada, as moscas que erravam sobre as chagas da sarnelha e das espáduas, quase cicatrizadas numas manchas negras, lubrificadas com azeite de carrapato. Mais adiante, alguém lavava roupa, com um lânguido bater cadenciado de pano molhado, algumas peças enxombradas, arrumadas, em tulha, sobre um lajedo úmido.

- Teresinha! - chamou Luzia.

Cessou o rumor de lavagem, e Luzia insistiu.

- Teresinha, sou eu, Luzia!...

E, avançando de jacto, deparou-se-lhe a amiga, que se erguera, seminua, com uma saia a tiracolo, molhada, colada ao corpo.

- Que é isto? - exclamou Luzia, passando-lhe o braço nos ombros.

- Nada - suspirou a amiga, baixando os olhos, quase opacos, de infinita tristeza. - Estou pagando as minhas culpas...

- Ingrata! E eu que esperei, que passei noites em claro, pensando em você.

- Para que afligir os outros com a minha desgraça! - Que desgraça! Deus teve pena de nós.

E, com um meigo gesto de ternura, conchegou-lhe a cabeça ao seio.

- Sou amaldiçoada ...

- Amaldiçoada? Que maluquice! E por isso está servindo de negra cativa? Como está você mudada, magra! Como ficou outra em tão poucos dias!...

- Teresa, deixe, minha filha; não te mates tanto - disse, dentro de casa, uma voz carinhosa.

- Quem é? - perguntou Luzia.

- É... é... - balbuciou Teresinha, com os olhos trêmulos, rasos de lágrimas - É... minha mãe...

- Tua mãe?!

- Sim, ela mesma.

E contou como encontrara a família, contou as suas alegrias por se mais não achar só no mundo, desprezada e vilipendiada, alegrias que foram efêmeras, desfeitas pela cólera do pai que lhe recusara a bênção, e a tratava como estranha à família. Os carinhos da mãe, o doce contacto da irmãzinha, a suave Maria da Graça, que era um anjo de bondade, mal lhe leniam a rudez fulminante do golpe, que lhe lascara o coração, e o expusera, retalhado, à luz com as suas máculas, como chagas sangrentas, descascados. Desde aquele momento, horrorizada de si mesma, obrigada a baixar os olhos diante dos entes queridos, sabedores do seu grande crime, e evitando o frio olhar paterno, se consagrara inteira à redenção do passado nefando, pelo castigo cruel e merecido.

- Tive ímpetos - concluiu ela, aos soluços - de trepar naquelas pedras e atirar-me de lá de cabeça para baixo, mas... não tive coragem de morrer...

- Deixa-te disso - acudiu Luzia, com ternura - Aqui estou eu para te ajudar, para te pagar o muito que me fizeste, porque se sou feliz, a ti é que devo e a Deus.

Vim atrás de ti. Iremos juntos para a serra, onde vamos trabalhar.

- Não posso... E meu pai?

- Teu pai, mãe, irmã irão mais nós. Alexandre encontrará meio de arrumar todos como uma família. Não é possível que, depois de vivermos como duas amigas, nos separemos, talvez para sempre.

- Se conseguisse isso, seria um alivio para mim. Pelo menos, deixaríamos esta casa maldita, onde não se pode pregar olhos toda a noite. Já vivo com o corpo moído; doem-me as cadeiras que, às vezes, não me atrevo a torcer-me; tenho nos ouvidos um besouro a zunir sem parar. Quando consigo passar por uma modorra, me vêm sonhos agoniados; sonho que me caem os dentes, o Cazuza me arrasta pelos cabelos para me atirar num despenhadeiro, e acordo em meio da queda. Esta noite senti mãos frias que me encalcavam o peito, mãos de defunto a me sufocarem, e ouvi uma voz fanhosa a dizer coisas sem pé nem cabeça. Despertei com o coração a saltar pela goela. Vi, então, um vulto branco que se desmanchava no ar, e com um gemido surdo e... gritei... Mamãe, que passa a noite a rezar, correu a ver o que era... Eu estava, como quem perdeu o juízo, apontando para o fundo escuro do quarto... Ah! Luzia! Nem pode imaginar o que tenho sofrido...

- Coitadinha!..

- Hoje de manhã, quando mamãe contou o caso a meu pai, ele respondeu... Que foi que ele disse? Deixa ver se me lembro... Ah!... Não se amofine, mulher; é o remorso. Depois, acrescentou com voz mais branda: Veja se arranja uma retirante limpa para certos serviços, para que ela não se mate tanto... Dando casa e comida, não falta quem queira trabalhar.

O burro, num acesso de impaciência, orneou.

- Está pedindo milho - observou Teresinha - Este malvado é os meus pecados. Estava quase morto; não se dava nada por ele. Recobrou as forças, comendo da minha mão; e, quanto mais o trato, mais manhoso fica. Parece de propósito para judiar comigo. Se o ponho a andar, empaca; fica como uma pedra; não se mexe. Outro dia ao passar por ele, mordeu-me de furto... E é só comigo que ele implica.

- Tem paciência, minha negra. O que estás padecendo é bem recompensado pela fortuna de haveres encontrado tua família.

Raulino, que estivera à parte, examinando o animal enfermo, com olhares magistrais de conhecedor, aproveitou o ensejo para encartar uma das suas anedotas sobre astúcias e manhas de burros.

- Era por volta da era de sessenta. Não me lembra bem o ano; só sei que eu era rapazote; pelo tope dos doze. Andava por estes sertões uma comissão de doutores, observando o céu com óculos de alcance, muito complicados, tomando medida das cidades e povoações e apanhando amostras de pedras, de barro, ervas e matos, que servem para meizinhas, borboletas, besouros e outros bichos.

Os maiorais dessa comissão eram homens de saber, Capanema, Gonçalves Dias, Gabaglia, um tal de Freire Alemão, e um doutô médico chamado Lagos e outros. Andavam encoirados como nós vaqueiros; davam muita esmola e tiravam, de graça, o retrato da gente, com uma geringonça, que parecia arte do demônio. Apontavam para a gente o óculo de uma caixinha parecida gaita de foles e a cara da gente, o corpo e a vestimenta saíam pintados, escarrados e cuspidos, num vidro esbranquiçado como coalhada. Uma tarde, chegaram, ao pôr-do-sol, à fazenda do velho. Iam no rumo da gruta do Ubajarra. Aboletaram-se no copiar, derrubando o comboio, que era um estandarte de malas, instrumentos, espingardas, na casa dos passageiros. Depois de jantarem um bom trassalho de carne de vaca gorda que parecia um leitão, assada no espeto, algumas lingüiças e um chibarro aferventado com pirão escaldado, armaram as redes nos esteios. Veio a noite, clara como dia, sem uma nuvem no céu, liso como um espelho. Convidava mesmo a gente a dormir na fresca do alpendre. Ali pelas sete horas, disse a eles o velho: "Achava melhor vossas senhorias passarem cá para dentro, porque vem aí um pé d'água de alagar." Ora, os doutores, que sabiam tudo e adivinhavam pelas estrelas as mudanças de tempo, zombaram do aviso; saíram para o terreiro e olharam para o céu, sempre limpo e claro, para verem o que diziam as estrelas. O mais sábio deles, o doutô Capanema, disse que o velho estava sonhando com chuva, mania de sertanejos, que não pensam noutra coisa. Teimaram em ficar no alpendre, embora o velho continuasse a assegurar que se arrependeriam. Quando estavam ferrados no sono, ali pelas onze horas, acordaram debaixo d'água e correram com a rede nas costas, em procura de abrigo dentro de casa, todos admirados uns dos outros, como haviam mangado do velho. De manhã, antes de deixarem o rancho, foram agradecer a hospedagem, e um deles perguntou ao velho: "Como é que vossa senhoria percebeu sinais de chuva, que escaparam a nós outros científicos, envergonhados do quinau de mestre que nos deu?" O velho sorriu, e respondeu: "É muito simples. Tenho ali, no cercado, um burro velho que, quando se está formando chuva, rincha de certo modo: é aquela certeza. A chuva vem sem demora. Foi por isso que avisei a vossa senhoria." O tal de Gonçalves Dias, pequenino, muito ladino e esperto, começou a bulir com os outros, dizendo a eles: "Estamos numa terra, onde burros sabem mais que astrônomos." Foi gargalhada geral. Aí está - concluiu Raulino - de quanto é capaz um burro velho. Ninguém se fie em semelhante raça de bicho...

Dispunha-se a contar outras histórias, quando apareceram Clara e Maria da Graça, que já conheciam Luzia, por informações de Teresinha.

- A Teresa - disse Clara com voz lenta e meiga - quer muito bem à senhora e eu já lhe quero também muito pelas ausências que ela lhe fez.

- Esta é a Luzia-Homem? - perguntou a ingênua Maria da Graça - Pois é bonita moça. Não tem nada de homens... Não é, mamãe?...

- É apelido que lhe puseram, filhinha. Não digas mais semelhante palavra.

- Não faz mal - observou Luzia, visivelmente enleada - É assim que me tratam.

- Perdoe - balbuciou a rapariga - Pensei que era mesmo o seu nome...

E, logo, houve palestra cordial, como se fossem conhecidas de longa data. O projeto da mudança para a Meruoca foi acolhido com entusiástica alegria; mas faltava o essencial: o consentimento de Marcos. Não ousando a mulher e a filha consultá-lo, Raulino e Luzia resolveram procurá-lo para saberem a sua opinião.

Marcos estava na sala da frente, sentado na rede branca, enfeitada a ponto de marca, com vistosas ramagens vermelhas e largas varandas franjadas, arrastando na esteira, onde ele deixara, em desalinho, um livro, As Missões Abreviadas marcado com os óculos de oiro, o lenço de ganga azul e uma caixa de rapé de tartaruga, restos da abastança perdida. Com as largas mãos descarnadas, eriçadas de pêlos, sustendo a cabeça, vergada ao peso das idéias tristes que a povoavam, o velho meditava, baloiçando-se lentamente.

Raulino chegou à porta; Luzia após ele.

- Dá licença, seu capitão Marcos - disse Raulino, cortesmente.

- Quem é? - respondeu o velho tomado de surpresa.

- É de paz.

- Queira entrar...

O velho ergueu-se; examinou-os com os pequenos olhos azuis e profundos; demorou-os sobre Luzia alguns instantes; e, indicando as malas que, com as redes, davam a mobília da sala, principiou, com uma pausa triste, a voz seca, penetrante e cava:

- Abanquem-se. Não ignorem a desarrumação, pois somos com boieiros de passagem.

- Eu e esta moça somos muito camaradas de sua filha, dona Teresinha.

Marcos tornou-se lívido. Raulino continuou, com a desenvoltura de homem despachado e ladino:

- E sabemos que a vossa senhoria não se lhe daria de achar uma arrumação...

- Ainda tenho algumas migalhas - atalhou o velho - para não morrer à fome...

- Sabemos; mas, não seria mau ganhar alguma, ainda que só chegue para o prato.

- Contanto que seja serviço ao alcance de minhas forças... Eu já não posso com trabalhos puxados...

- Não há dúvida. É serviço nas posses de vossa senhoria, nas obras do Governo...

- Onde é isso?

- Na Meruoca...

- Já lá estive, há muitos anos, em compra de farinha.

- Então está feito? Nós ficamos muito agradecidos a vossa senhoria, que nos faz um favorzão. Esta moça é sra Luzia-Homem. Ela, estava com acanhamento de falar.

- Eu não sou mau, dona - murmurou o velho, compungido. - Os desgostos me puseram assim. Era feliz, na minha fazenda, uma situação bem boa, que não me dava cabedais, mas produzia com que viver sem ser pesado a ninguém. Entrou-me, um dia, de repente, a desgraça em casa e fugiu-me para sempre, o sossego. Vi... minha santa mulher envergonhada; ela e a filha caçula a chorarem, escondidas pelos cantos para me não amargurarem. Eu mesmo, tão ralado na vida, parecia oco, sem alma, como se me houvessem roubado o coração. E saía atrás dele, à toa pelo mato, como um desmiolado, em procura da filha ingrata, que o levara. Dias e noites, passei na aflição de sentir-me atolado na lama, estas barbas sujas, evitando os amigos e conhecidos, que me procuravam. Eu tinha vergonha de encarar nos próprios bichos, quanto mais em cristãos, que conheciam a infâmia... Pedi a Deus que me matasse, e Deus não me ouviu... Conservou-me a vida para castigo meu, para que eu ficasse no mundo como um condenado... Depois, o tempo foi roendo o que me restava de melindre. A negra chaga fechou por fora; mas continuou alastrando por dentro... Afinal, a gente se acostuma a tudo... Rezei por alma da ingrata e jurei que, dali em diante, só existiria para mim a filha mais moça, essa inocente que não tinha culpa da crueldade da outra...

A voz do velho rangia-lhe na garganta, em vibrações metálicas; tinha as modulações pungentes do estertor de uma alma estrangulada pelo mais querido dos afetos.

- Moça - continuou ele, erguendo-se e dirigindo-se a Luzia, que o contemplava, comovida. - A senhora é mulher de bem; possui mãe, tem pai?... Conserve a sua honra; defendas mesmo a preço da própria vida... Há filhos que matam os pais... Pois há piores monstros da natureza - as filhas que os desonram... Os mortos deixam de sofrer; mas, os vivos, infamados de dor e vergonha, ficam com a alma enferma para sempre...

- Teresinha também tem sofrido tanto - observou, a medo, Luzia.

-Não me falem nela, se querem que os acompanhe... Se a ela perdoasse, era capaz de matar-me outra vez - murmurou o velho, cujos olhos azuis fulgiram num relâmpago de cólera.

Clara ouvia de longe, atrás duma porta, esse doloroso colóquio. Não ousou entrar na sala para ajudar Luzia na defesa de Teresinha tanto conhecia as crises terríveis daquela mágoa inextinguível; mas os seus lábios trêmulos, lábios doloridos de mãe amantíssima, nuns estos brandos de ternura, murmuravam, súplices, desconsolados:

- Pobre da minha filhinha!...

Parece que açoitam diante de mim, a minha filha do coração.

Luzia-Homem

Sinopse

Leia Luzia-Homem, de Domingos Olímpio, grátis no Literunico. Romance regionalista brasileiro publicado originalmente em 1903, em domínio público, disponível para leitura online em capítulos HTML, com fonte Wikisource validada, espelhos completos de conteúdo e metadados reforçados para busca, redes sociais e pesquisa por IA.

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