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Epigramas irônicos e sentimentais

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Epigramas irônicos e sentimentais

Capítulo 4 · Epigramas irônicos e sentimentais

Epigramma a Per amica silentia luna

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Epigramma a Per amica silentia luna

XXI
EPIGRAMMA
SOBRE uma rosa aberta um besouro vem e vai...
O vento chega. O besouro foge.
E, folha a folha,
a rosa se desfolha,
e cãe...

XXII
VERÃO
TORPOR, monotonia, desalento!
Às folhas de metal vibram na claridade;
o ar morno dos caminhos entontece...
Céo azul!
Brilhos de mica, scintillações de esmalte,
aroma de resinas...

Crepitações, zumbidos, trilos surdos.
Lassidão!

XXIII
A DANSA DAS FOLHAS
COMO a chuva é subtil, sem eloquencia, calma,
discreta, fina, cheia de pudor!
Como a chuva é mansa,
como a chuva é alma...
Ao longo dos caminhos, rodopia, dansa
um punhado de folhas, sem rumor...

XXIV
PHILOSOPHIA
REALIDADE é apenas
um milagre da nossa fantasia...
Transforma numa Eternidade
o teu rapido instante de alegria!
Ama, chora, sorri... e dormirás sem penas,
porque foi bella a tua realidade...

XXV
SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO
LOUCA mariposa bate na vidraça.
Vem da noite enorme,
Vem da noite morna cheia de perfumes.
Fóra, tudo dorme...
Que silencio enorme!

Rondam pelas moitas leves vagalumes.
Louca mariposa bate na vidraça.
Como as horas fogem, como a vida passa...

XXVI
EPIGRAMMA
ENCHE o teu copo, bebe o teu vinho,
emquanto a taça não cáe das tuas mãos...
Ha salteadores amaveis pelo teu caminho.
Repara como é doce o teu vizinho,
repara como é suave o olhar do teu vizinho,
e como são longas, discretas, as suas mãos...

XXVII
PER AMICA SILENTIA LUNA...
DOCE malicia do silencio
quando apenas se ouve, aerea, fina,
a voz das folhas humidas na noite,
quando apenas se escuta a voz das aguas,
a voz das aguas cristalina,
o murmurio das aguas entre relvas.
Doce malicia do silencio,
quando o luar molha as plantas,
quando os olhos ficam rasos de lagrimas
e um triste sorriso paira no labio desdenhoso.

Doce malícia do silencio,
quando a gente olha a vida, face a face,
e sente o coração grave, pesado,
como um fruto morto, como um fruto inutil
que apodrece,
e cãe...
Epigramas irônicos e sentimentais

Sinopse

Texto original de Epigrammas ironicos e sentimentaes, livro de poemas de Ronald de Carvalho publicado em 1922. Edição Literunico em blocos de poemas, transcrita a partir do exemplar em domínio público da BBM/USP, sem comentários nos capítulos.

Ver ficha da edição física
LITEBN
LITEBN-978657349727674633612380
Formato
A5 cm
Epigramas irônicos e sentimentais

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