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Vitor Hugo Oliveira de Araújo

@ EscritosdeVitorHugo

Nível
2
Essência
🔥 Fogo
Ritual
0 Dias

Patrimônio

0.0 LC

ESTRADA

LITERÁRIA

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27/0402:15
SOMBRA DA NOITE

Mais uma entrevista, mais uma moça simpática que me disse: "Vamos entrar em contato". No entanto, a essa altura, só me resta a esperança de ao menos me avisarem do "não". Entro em casa derrotado, me encontro com a solidão, vou à sala e vejo lá minha velha poltrona. Eu me sento, apago as luzes, fecho os olhos e me lamento internamente, pois, de tão sozinho, não tinha ninguém para dizer como me sinto. O dono dessa poltrona e a esposa que ele amava se foram; o destino os tirou de mim, e agora percebo o quão inútil eu sou. E por isso, permaneço de olhos fechados, me açoitando, me cortando e me torturando, fazendo do meu corpo o inferno da minha alma.

E quando me saciei da minha própria dor, abri os olhos e então eu vi. Vi, em meio à escuridão da noite, a silhueta de um homem, uma sombra. Eu não via o seu rosto, mas sentia; na verdade, eu sabia que ele estava olhando para mim, me observando, me julgando, me lembrando daquilo que eu merecia, mas meus pais é que levaram. Eu também olhava para ele fixamente. Eu estava paralisado, não conseguia mover um músculo; tudo o que conseguia era olhar. Olhar para a escuridão daquele corpo, olhar para milhares de abismos que, ao se chocarem, moldaram sua forma. Tudo o que podia fazer era sentir. Sentir o frio gélido que me congelava até que todo o quente se fosse. Só me restava ouvir. Ouvir os gritos de agonia das vidas que despencavam, se prendiam na espiral de espinhos lá de dentro do abismo. Suas peles eram rasgadas feito roupa sendo rasgada, suas carnes eram arrancadas e seus ossos triturados, feitos grãos da existência. E depois de tudo isso, só havia a inexistência.

Tinha medo e desejo. Eu queria e não queria. Lá, parado e indeciso, mantive tudo escuro. E a sombra se aproximava, seus abismos me fitando, salivando, cheios de fome! E a sombra vinha, vindo, me esganava e estrangulava, seus abismos me puxavam, me jogavam nos espinhos. O ar já não sobrava. Estava perto, estava perto! A dor logo passaria! Mas o medo me alcançou, me puxou e me levou, levou de mim a minha mão, que, indo até o interruptor, finalmente ligou a luz! Não foi dessa vez que a sombra da noite me levou.
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15/0315:10
Olá pessoal , queria compartilhar com vocês a sinopse do meu livro "La Cruz: Entro o Sangue e Fé". O livro ainda está sendo finalizado, mas a expectativa é que esteja pronto para a publicação até o fim do ano! Enfim espero que gostem!🥰

"Fé" é uma palavra tão pequena, mas tão complexa! Sem dúvidas é uma palavra dificil de compreender, ela tem tantos significados! Pode-se ter fé em tantas coisas! Pode-se ter fé nos homens, em Deus, no Universo ou até mesmo em coisas como dinheiro e poder!

Falando assim, ela até parece ser bonita! Parece significar algo bom e puro, algo divino! Mas a verdade é que, normalmente, há muito sangue escondido, há muitos corpos empilhados! Há muitas injustiças nunca vingadas! E tudo isso está escondido sob as saias do divino! Sob o símbolos que criamos! Sob os alicerces das igrejas! Sob o dinheiro guardado nos bancos!... Tudo isso é escondido e justificado por uma mesma palavra: "Fé".

Até onde você iria pela sua fé? O quanto você sacrificaria?! Quanto sangue você derramaria pela sua fé?! Até onde você iria por uma incerta promessa de salvação?! Até onde você iria pela sua própria ascenção?

Mas acho que a principal questão é por que lutar? Por que lutar por algo que esconde tanta morte!? Por que lutar por algo que manipula e controla tanta gente!? Será a fé algo de todo o mau? Ou teria ela algo de bom a nos oferecer!? Talvez sejam perguntas demais pra responder, talvez elas nem mesmo tenham respostas! Mas todas elas atormentam a mente dos que pisam em La Cruz!
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10/0323:53
Frágil Humanidade

Ossos, carne, órgãos, sangue, nervos, veias, articulações, juntas, pele... O corpo completo, vivo, consciente, perfeito!

A máquina perfeita. Quem a construiu? Será as mãos do Divino? Ou será a natureza que, por mero acaso, fez surgir esse organismo tão organizado?

A perfeita simbiose, a orquestra em harmonia, a paisagem irretocável! Tão perfeita! Mas tão frágil!

Tão facilmente podem ser quebrados, destruídos, devorados, mutilados, enterrados, esquecidos... Com a mesma facilidade com que nascem, morrem!

Quem será nosso arquiteto? Aquele que nos moldou tão perfeitos e, ao mesmo tempo, tão frágeis, pequenos e quase irrelevantes para a imensidão do universo!

Será que nos fez assim por maldade? Ou queria nos mostrar algo que talvez nunca tenhamos entendido?

Talvez quisesse que filosofássemos. Ou talvez sejamos apenas um teste, um experimento! Ou quem sabe sejamos apenas uma piada mal feita, onde a graça está em como seres tão perfeitos são, ao mesmo tempo, o cúmulo da guerra, da violência e da imperfeição!

Perfeitos e imperfeitos, seguimos perdidos em nossos achados inventados e propósitos que só entre nós fazem sentido!

E, no fim, morremos sem saber por que vivemos, sem saber se acertamos ou se erramos em tudo!

Enfim, chega a finitude. E assim como nascemos sem saber de onde viemos, nem por que existimos, morremos sem saber por que morremos, sem saber se há algo depois!

Nascemos do mistério e morremos no mistério. Terminamos onde começamos, e tudo o que sabemos é que não sabemos de nada!
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01/0304:12
Esse é mais um pequeno texto de um dos personagens do meu livro "Lá Cruz: Entre o sangue e a fé" sobre esse eu não posso revelar muito, pois seria spoiler, mas o pouco que posso dizer é que seu nome é Thomas e ele é um grande Latifundiário do interior do Paraná (estado onde cresci). Thomas é um homem muito conservador preso a antigos costumes e fanático por sua fé. A primeira vista ele pode parecer apenas um velho rabugento e inofensivo! Mas nunca se deve confiar naquilo que se aparenta! E esse pequeno discurso sem dúvidas seria algo que ele diria! Espero que gostem!☺️

PORCO OU JAVALI?

"Sabe, meu pai sempre me dizia que existem aqueles que servem a Deus e semeiam a vida, e aqueles que trazem caos e impedem que a vida floresça! O primeiro temos que cultivar, o segundo temos que afastar! E sabe, eu concordo com ele. Veja a minha fazenda, por exemplo: a terra semeia a vida, as galinhas botam ovos, as vacas dão leite, as ovelhas dão lã, os porcos e os bois dão um bom churrasco! Mas tem um animal que não serve pra nada, ele destrói tudo o que vê pela frente, devora nossas plantações e tem uma carne dura e seca! É o maldito javali! Eu adoro caçar javalis! E gosto ainda mais quando não morrem de primeira. Eu gosto de apreciar seus momentos de dor, gosto de vislumbrar a agonia surgindo em seus olhos assustados! Sem saída, sem escapatória, sua única opção é agonizar até a morte! Agora só resta saber: o que você é? É uma galinha? Uma vaca? Um porco? Ou você é um javali?"
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