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EDER BERALDO JUNIOR

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LITERÁRIA

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12/0410:54
#ChicoAnysio
09/0423:36
O problema é que justamente o que nos faz sermos adaptáveis com muita facilidade, e é uma vantagem biológica, ao mesmo tempo nos faz não conseguir sermos de uma coisa só. Nos condicionamos socialmente para escolhas de uma vida, mas essa dedicação exclusiva parece não estar no nosso DNA, até porque a felicidade não é definitiva, ela é momentânea, como uma fotografia.
Somos bichos de muitos mundos.
Ser de uma coisa só... soa quase como mutilação pra quem nasceu vasto.
A sociedade nos ensinou essa história do "Escolha UMA coisa, siga UMA trilha, seja UMA versão de si"... mas nós? Nós somos caleidoscópios ambulantes. Feitos de mil pedaços que giram conforme a luz e o momento.
Como é que alguém que carrega dentro de si desertos, oceanos, cidades e florestas pode querer se reduzir a um único mapa?
E se a felicidade é fotografia...
Ela nunca é filme contínuo...
Cliques roubados de um instante em que tudo se alinha, e logo depois volta a bagunça que fazemos de viver, nascemos pra ser um estúdio inteiro de fotografias internas.
Viajantes de nós mesmos, entendendo que o valor da caminhada não está só no destino… mas em conseguir se encantar, mesmo cansado, por cada nova paisagem que aparece do lado de dentro.
Talvez o que o mundo espera de nós não seja foco…
Mas um estilo próprio de transitar entre suas muitas versões, sem culpa.
Com verdade. Com presença.
E você percebe o tamanho da beleza que carrega?
Se tua vida fosse um livro de fotografias desses momentos raros de felicidade…
Qual seria o nome do livro?
MULTIMÍDIA
09/0423:24

#CharlesBaudelaire
MULTIMÍDIA
09/0423:10
==
08/0422:18
Eu não quero ficar velho
por mais que o tempo me chame.
Não quero ver meus olhos embaciando
o que antes era brilho virando névoa,
nem meus passos vacilando
onde um dia corri, sem medo, sem pressa.

Eu não quero ficar velho
com os dedos duros como raízes secas,
tateando lembranças
em vez de futuros.
Nem ver meu nome sendo dito
com um “foi” invés do “é”.

Não quero que os risos soem baixos
porque meu ouvido já não alcança,
nem que o espelho me devolva um estranho
com a pele marcada por ausências,
com os ombros caídos pelo peso
do que não deu tempo de ser.

Eu não quero o silêncio das mãos
que já não escrevem,
que já não seguram outros mundos,
que tremem como folhas no outono,
sabiamente frágeis.

Não quero enterrar tantos nomes
que o coração se esqueça
de como é se apegar.
Nem guardar aniversários
de quem já não sopra velas.

Mas talvez, se ficar velho,
quero ao menos deixar rastros:
um texto,
um feito,
um afago que não se apaga.
A filha que me lembre
sem precisar de fotografia.
Um livro esquecido numa estante,
que alguém descubra e chore.

Se é inevitável envelhecer,
que eu aprenda com suavidade
a arte de deixar sementes
em lugares onde jamais voltarei.

Que eu prepare com cuidado
meu coração, meu legado,
para que alguém me encontre
nas páginas que sobrevivi.

Que eu aceite a despedida
não como o fim da história,
mas como pausa serena
de quem soube amar o caminho.

Eu não quero ficar velho,
mas se eu tiver que ir aos poucos,
que eu me vá sabendo
que o que deixei no mundo
permanece em flores,
em versos, em gestos,
em memórias mais fortes
do que a do indivíduo.

E que, ao fim,
quando minha voz for quase vento,
haja quem diga:
“Ele não queria ficar velho,
mas mesmo velho, do pra sempre ele ficou.”

Eder B.Jr.