A lua cheia pairava sobre a floresta, lançando sombras sinistras que pareciam engolir tudo ao seu redor. Anthony sentia uma energia primal pulsar em suas veias. A corrida anual estava prestes a começar, e o ar estava carregado de tensão, mistério e até uma pequena pitada de magia. Ele se posicionou no centro da clareira, rodeado pela alcatéia, seus olhos brilhando na escuridão como duas chamas vivas.
— Boa noite, meus irmãos e irmãs! Já está na hora de correr, mas não se esqueçam dos limites; a segurança da alcatéia depende disso.
Com um uivo ensurdecedor, ele liberou sua forma lupina, e todos o seguiram, fazendo o mesmo. Gabriel e Ivana corriam ao lado do alfa, misturando-se ao breu da noite banhado pelo brilho da lua cheia. O vento sussurrava segredos e promessas de uma noite especial. Antes de chegarem ao pico da colina,
Anthony sentiu que estava sendo observado. Uma presença desconhecida o fazia tremer; seu coração acelerou e um frio percorreu sua espinha.
Quem poderia ser aquela pessoa? O que queria seguindo ele e seu povo?
Ao voltar para a casa principal, onde todos se reuniam, encontrou sua mãe, Mariana, e seus padrinhos, Max e Herda, esperando por ele.
— Filho, tem algo no ar, disse Mariana com uma expressão preocupada.
— Eu também senti, mãe. Vou para meu escritório. Quando Gabriel e Ivana chegarem, peça para irem até lá, disse ele enquanto adentrava o escritório.
Logo em seguida, Ivana entrou com um semblante preocupado.
— Anthony, preciso falar com você urgentemente sobre algo que acho que está acontecendo, disse ela com a voz cansada e aflita.
— O que há? Ele perguntou, cruzando os braços.
— Recebi notícias sobre monstros nas cidades vizinhas, ela parou para escolher as palavras. — Bom… eles acham que nossos membros estão atacando as cidades vizinhas — seres bestiais, passou a mão pelo rosto em desespero. — Estão matando e se alimentando dos animais domésticos. Há até casos de seres humanos.
Anthony não conseguia acreditar nas palavras dela. Ele ia abrir mais a boca quando Ivana continuou: — O passado voltou para destruir nossa paz. Sua voz saiu trêmula.
Um arrepio percorreu a espinha de Anthony; seu lobo estava aflito com tudo isso.
— Quem viu essas criaturas, Ivana?
— Até agora não sei. Estou investigando… ela começou a acrescentar algo quando foi interrompida por Gabriel que entrou no escritório acompanhado de um senhor desconhecido.
— Boa noite, senhor e senhorita! Não queria atrapalhar a reunião; meu nome é Luigi Vincenzo. Sou somente um conselheiro da máfia russa e creio que temos assuntos urgentes a tratar, senhor Acarck.
Anthony percebeu que algo estava muito errado; seu instinto de alfa gritava dentro dele.
— O que vocês querem? E o que tenho a ver com tudo isso?perguntou ele com um tom de fúria crescente.
Luigi sorriu, revelando um brilho sinistro em seus olhos.
— A verdade sobre seu passado… dos seus pais… e lógico, seu futuro como capo.
Anthony passou a mão na cabeça; como ele sabia tantas coisas que nem mesmo Anthony conhecia?
— Como você sabe tantas coisas? O tom dele era firme.
— Seu pai, o nobre Matteo, não faleceu como sua mãe te falou, disse Luigi com amargura.
O mundo de Anthony estava desmoronando naquela noite; segredos há muito tempo escondidos estavam retornando. — E quem está por trás disso? Ele perguntou batendo a mão na mesa com força.
Luigi sorriu novamente ao reconhecer nele os traços explosivos do pai.
— A verdade é mais sombria do que você imagina. Prepare-se para descobrir seu passado… mas por ora vou deixar você resolver seus outros problemas. Aqui está meu cartão; me ligue quando quiser saber mais sobre sua história,” disse ele saindo do escritório.
Anthony ficou segurando o cartão enquanto muitos pensamentos tumultuavam sua mente. Aproximou-se de Gabriel e Ivana.
— O que vamos fazer em relação a tudo isso? As ameaças estão crescendo.
Antes que eles pudessem responder, um tiro ecoou pela floresta e atravessou a sala do escritório, quebrando a grande vidraça da janela. Ivana soltou um grito e cambaleou para trás, caindo nos braços de Gabriel que a agarrou, sentindo um calor quente em suas mãos.
— Ivana!” gritou Anthony em desespero.
A atmosfera estava carregada de uma tensão palpável, um presságio sinistro que envolvia o ambiente como uma névoa densa. Anthony, com um olhar sombrio e determinado, pediu para Gabriel erguer Ivana em seus braços. Seu corpo estava pálido como a lua cheia, cada contorno acentuado pela luz fraca do escritório. Um rastro de sangue escuro se espalhava pelo seu peito, como uma pintura trágica em uma tela de desespero, a cor quase negra sob a iluminação precária refletia a gravidade da situação.
— Deita ela aqui, ordenou Anthony com uma voz firme, mas que traiu uma fraqueza subjacente. Gabriel não hesitou; com um movimento rápido e cuidadoso, posicionou Ivana sobre o sofá, um móvel elegante que agora se tornava um altar de angústia. As almofadas brancas estavam manchadas de vermelho, transformando um símbolo de conforto em um cenário de horror.
Mariana entrou logo atrás, acompanhada por Max e Herda, todos com expressões de horror no rosto. O silêncio era ensurdecedor, quebrado apenas pelo som distante da chuva que começava a cair lá fora, como se o céu estivesse chorando pela tragédia que se desenrolava.
— O que aconteceu, filho? Max perguntou, sua voz tremendo de angústia enquanto seus olhos fixavam o corpo inerte de Ivana. O medo era palpável em sua expressão.
— Ivana levou um tiro, padrinho, Anthony respondeu com a voz embargada pela preocupação. As palavras pairaram no ar como uma maldição, carregadas de desespero e impotência.
Herda se aproximou rapidamente, seu olhar misturando medo e determinação feroz. — Deixe-me ver e ajude minha filha, disse ela, sua voz calma contrastando com a tempestade emocional que a cercava. Suas mãos tremiam levemente enquanto ela tocava o ombro de Ivana, buscando sinais de vida.
— Faça o que for preciso para salvar Ivana, Gabriel declarou com fervor. — Vou achar quem fez isso e juro que vai pagar com a própria vida. Com essas palavras carregadas de vingança e uma fúria incontrolável pulsando dentro dele, ele saiu correndo do escritório como uma sombra em busca de justiça — ou da própria destruição.
Mariana olhou para o filho com urgência nos olhos. Ela está muito mal; precisamos levá-la para a clínica agora mesmo. Seu coração batia acelerado enquanto imaginava as possibilidades sombrias que poderiam aguardar. Cada segundo parecia uma eternidade enquanto a vida de Ivana escorregava por entre os dedos deles.
Nesse momento crítico, médicos irromperam no escritório como guerreiros prontos para a batalha. O Dr. Silva, conhecido por suas habilidades curativas quase místicas — mas também por sua frieza em momentos críticos — estava entre eles. Ele se agachou ao lado de Ivana, seu olhar cheio de concentração enquanto avaliava os ferimentos com mãos firmes e experientes.
O cheiro metálico do sangue impregnava o ar pesado da sala. A tensão era tão intensa que poderia ser cortada com uma faca; cada respiração parecia ser um ato deliberado sob o peso do medo e da incerteza. Os olhares trocados entre os presentes eram carregados de perguntas sem resposta; o futuro estava tão nebuloso quanto as nuvens escuras que se acumulavam lá fora.
Enquanto os médicos trabalhavam freneticamente para estabilizar Ivana, Gabriel vagava pelas sombras da noite em busca do responsável por essa violência brutal. Sua mente fervilhava com imagens distorcidas — rostos conhecidos agora transformados em inimigos mortais — enquanto ele se preparava para confrontar qualquer coisa ou qualquer um que cruzasse seu caminho.
O destino da jovem mulher pendia na balança entre a vida e a morte, e cada segundo perdido era um golpe cruel do tempo contra aqueles que amavam Ivana.