@EscritosdeVitorHugo
há 1 ano
Público
A SERPENTE
Em meio às minhas insônias, eu a ouço deslizando, crescendo e se embrenhando, como uma serpente se enrolando em minhas entranhas, rastejando sob a pele e bebendo do meu sangue.
Ela deixa, deixa rastros de angústia, deixa rastros do passado que me deixam agoniado! Ela morde, morde a minha cabeça e libera seu veneno, traz de volta o meu fracasso e me lembra da miséria, do silêncio do escuro.
A serpente, corre feito água ardente, vai chegando sem demora, envenena suas memórias, faz surgir a velha angústia das tristezas já passadas e dos erros já selados.
A serpente te enrola, te sufoca, te esmaga até a alma, quer seu corpo morto e vivo, sem mover nem mais um dedo, sem querer sair do leito, só olhando o vazio de um teto sem sentido.
Mas a alma sobrevive, nosso corpo ainda resiste, a serpente nos espreme, mas o ar da vida escapa, segue em frente como pode, com a serpente erroneamente, sussurrando em nossas mentes, só palavras estragadas, que estragam toda a rima.
Só que aqui ninguém desiste, segue firme e sorrindo e só rindo da serpente.
Comentários (1)
@MarU
· há 1 ano
Profundo, Vitor! Sentí cada palavra escrita e isso faz todo sentido pra mim. ❤️🩹
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