@EscritosdeVitorHugo
há 1 ano
Público
MEIA E QUATRO
Tem força andando armada, braço que esgana, mão que espanca! Resto de praga dos anos sessenta.
Eu ouço o som das botas, todas no mesmo som, todas no mesmo ritmo!
Gira a arma pra lá, gira a arma pra cá, esquerda vou ver, direita vou ver, palmas, palmas vou ouvir!
Palmas, palmas! Palmas do esquecimento. Palmas, palmas! Palmas que desprezam o passado!
Moças loucas por fardas, homens que engolem botas! Todos eles esqueceram ou nenhum deles se importa!
Todo o sangue derramado! Todo o grito sumido e nunca mais encontrado! Toda carne moída, toda a dor suportada! Todo herói esfolado, cada dor suportada, cada vida perdida! Tudo, tudo esquecido!
Mas eu, eu vou me lembrar! Pois meu sangue que corre vem de terra latina! Vou negar esse braço, recusar essa mão, vou cuspir nessa marcha, desprezar essa farda! Vou cruzar os meus braços, palmas minhas não terão!
E você, meu amigo, cria desse Brasil, se for mesmo bom homem, fará como eu fiz! Vai negar essa peste, desprezar esse rastro! Vai lembrar dessa história, lamentar esse sangue e vai negar suas palmas para os monstros de farda.
Nota: Uma homenagem aos heróis do Brasil, os que conhecemos e os que nunca vamos conhecer!✊
Comentários (2)
@MarU
· há 1 ano
Fortíssimo, Vitor! E que habilidade incrível, embutir num poema, tanta história real. Ual! Admiro demais, esse talento. E como você, tbm não esqueço. O que foi, deve ser sempre lembrado, para não voltar a acontecer. 😣
@tamarasfawkes
· há 1 ano
Ficou muito bom e forte ao mesmo tempo. Enquanto uns dizem nunca ter acontecido, nós lembramos para não esquecer. Parabéns!
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