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@eduliguori há 1 semana
Público
Naquela manhã o sol ainda não havia se incomodado, poucas horas para já haver refletido o seu mais forte atributo. Em verdade estava tímido e permitindo um arredor cinzento. Sobre a areia duas cadeiras de praia e uma brisa úmida que o mar trazia com sabor de novidades. A costa larga, os sedimentos do rio Sergipe e a proteção da restinga apresentavam o cenário perfeito para o que estava por vir. Quase não havia gente por lá, nem os pássaros tinham despertado, mas podia-se ver a garrafa térmica com café e os cabelos dela confusos com o vento. Naquela manhã o sol ainda não havia se incomodado, poucas horas para já haver refletido o seu mais forte atributo. Em verdade estava tímido e permitindo um arredor cinzento. Sobre a areia duas cadeiras de praia e uma brisa úmida que o mar trazia com sabor de novidades. A costa larga, os sedimentos do rio Sergipe e a proteção da restinga apresentavam o cenário perfeito para o que estava por vir. Quase não havia gente por lá, nem os pássaros tinham despertado, mas podia-se ver a garrafa térmica com café e os cabelos dela confusos com o vento. Falavam com tal liberdade que pareciam velhos conhecidos, de verdade haviam se visto apenas uma vez em um evento no Paraná alguns anos atrás. Ocasião em que ele se permitiu perceber a beleza que a brindava, mas não ousou entendê-la como se cantarolasse uma canção de Chico Buarque. Apenas guardou este instante e seguiu os compromissos de uma vida monótona, mas que iniciava novos capítulos. Mas retornemos à praia, ao vento fresco e algumas gotas que largaram o céu em desprezo e vieram a terra somente com o intuito de dar significado àquele encontro. Enquanto riam de suas revelações, se encantavam pelo comum que compartilhavam e pela curiosidade surpreendente que brotou das areias claras de Atalaia e os envolveu entre goles de café. Como qualquer história bem contada, revelaremos o que o consumia, faremos poesia de seus suspiros e da ansiedade que lhe corroía as entranhas e que definitivamente ele não esperava por tudo isso. A pedido do nosso personagem não iremos nos pautar pelos atributos físicos e carnais, pois tal descrição reduziria e muito os pontos mais importantes desta narrativa. Apenas aponte-se que ela tinha as aparências de um personagem dos mais belos de Jorge Amado. Isto posto, temos aqui que esclarecer que havia um choque de gerações. Ela faceira, em forma, respirando ainda os ares de quem está se apresentando as idades que moldam nossa vida adulta, os primeiros amores maduros, a independência, o próprio lar e a escolha de seus destinos. Ele, um poeta experiente que já havia viajado o mundo, sofrido amores e quedas daquelas que duram a recuperação. Esta transparência se fez necessária para compreender como nasceu esta sedução natural e não planejada que cobriu como um manto azul tudo que se passou daquele ponto em diante. Duas vidas apartadas por realidades e experiências forjadas em culturas distintas, ele urbano e cosmopolita, ela matuta, reduzida a poucos quilômetros. Tudo que um dizia o outro observava e sorvia como se aquele café fosse um elixir luxuoso e exótico. Uma viagem na imaginação e prova de condimentos desconhecidos. Sem controle pelo seus sentimentos inconscientes delineava ali uma pintura de Monet em sua mente e coração. Os tons que eram cinzas e molhados, podia-se dizer frios, ganhavam cores quentes, traços intensos, composição de uma paisagem paradisíaca e hipnótica. Como o marlim que se perde pela boca, não havia mais linhas, pautas ou margens, seu texto fluía em resposta aos encantos que o consumiam. O magnetismo nativo daquele encontro estava sem remédio, contaminados seguiram sem noção do relógio distribuindo afetos e contos. Em certo ponto, já sem as rédeas do trote, confessou que estava demasiado feliz, inebriado pela conversa, pelo brilho dos dentes e pelos cabelos voadiços. Percebeu que era muito cedo para tanto, mas ela se recompôs e aceitou com ternura o elogio, retribuindo o prazer pelo convescote. Decidiram retornar à casa e a volta foi silenciosa. Provavelmente com cérebros barulhentos em disfarce.

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