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@literunico há 9 meses
Público
Pavões em Linha Reta O homem que vendia relógios dizia que o tempo era caro, mas aceitava figurinhas em troca de segundos falsos. Um peixe gritava no metrô: “Comprem sapatos de vento!” e ninguém achava estranho, porque os pés já estavam cansados de pisar em promessas de cimento. Na escola ensinaram a contar até treze, mas pularam o vinte porque disseram que pensar demais causava inchaço nas ideias. Tinha um ministério só de espelhos, mas todos quebrados para refletir a liberdade em fragmentos bem editados. O juiz da noite proibia o pôr do sol com medo que as pessoas vissem as cores e lembrassem de sonhos. Mulheres plantavam trovões em vasos de cerâmica, porque ouviam que flores só servem pra decorar tragédias. No fim, um cartaz dizia: “Proibido entender. Sentir também está sob análise.” Mas era tarde as crianças já estavam brincando de revolução com giz de cera e as caras pintadas. Desde que a ficção Virou ação Virou nação Virou subversão... Eder B. Jr.

Comentários (2)

@MarU · há 9 meses
Genial! Que texto lindo e mensagem forte. 🤌
@Cilene · há 9 meses
Perfeito
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