@tibianchini
há 1 ano
Público
A leveza
(011 de 365)
*Para o poema a seguir, eu sugiro o seguinte: Em algum lugar desse post, eu inseri o vídeo de uma música chamada "Cantabile", de um pianista de jazz chamado Michel Peteucciani. Coloquem para ouvir, e, depois que começar, leiam o poema... Foi assim que o fiz, e percebi que, sem a conexão com a música, o poema muda um pouco o clima...
O vídeo é de 1998, uma de suas últimas apresentações.
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Brumas que se movem sobre a superfície,
Dançante união dos três mundos de Escher,
Flutuando no sal que há demais no Morto.
O sal.
Passos que flutuam sobre a areia clara,
Elefantes que se movem nas pontas dos dedos,
Abanando as orelhas aos ventos do sul.
O sul.
Sombras que se apoiam nas copas das árvores,
Árvores ao vento, a balançar, fugazes.
Folhas que planam e secam sob o sol.
O sol.
Cores que se mesclam a dançar nas nuvens.
Olhos que repousam sobre a sombra fresca.
Asas abertas a siar no cio.
O cio.
Nuvens que naufragam no azul celeste,
Horizonte de eventos de onde não há mais volta.
Almas de dois amantes a galgar o céu.
O céu.
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Michael Peteucciani foi um pianista de jazz, um dos mais notáveis da sua geração. Ele nasceu com uma deformidade chamada "Síndrome dos ossos de vidro", que causa fragilidade óssea e impede o crescimento. Ele chegava a quebrar as falanges dos dedos ao tocar piano. Apesar disso, sempre superou a dor, e, usando um piano adaptado ao seu tamanho, nos deu interpretações maravilhosas como "Cantabile".
No último dia 06, rememoramos 26 anos de sua morte; morreu aos 38 anos, por complicações da síndrome.
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