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De manhãzinha
beijo-te
como o sol beija o mar:
Lentamente,
com minha luz crescente
ruborescendo o céu
e lhe arrepiando
com todos os sentidos
até seu despertar.
Ao meio-dia
beijo-te
como o sol beija o chão:
Intensamente,
com amor ardente
enfeitando o céu
de azul liberto,
iluminando os jardins
para além da imensidão.
No crepúsculo
beijo-te
como o sol beija o horizonte:
Carinhosamente,
regando o amor-semente
reencarnando o céu
com lilases e bordôs,
vinhos tintos e frutados
convidando-nos à degustação.
À noite, porém,
beijo-te sob as cobertas:
Não há sol, senão
algumas estrelas seletas
testemunhando
a perfeita união das horas,
dos corpos,
das fomes
e das dores
de seres tão amada
por um mero poeta.
Beijo-te
sem pressa ou ânsia,
pois nesse momento
o Tempo não é Rei:
Beijo-te
para provar
que o suspiro é eterno,
mas a eternidade é efêmera
comparada aos beijos
que sempre
te darei.
Alberto Busquets.
#Desafio 033
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Gosto da noite.
As estrelas dos teus olhos
bastam para iluminar
tudo o que é preciso.
Juntos,
somos um farol
para Apolo e Dionísio...
Que chova vinho
em nossos poemas,
brindando a duas vidas
unidas
em desejo luminoso
para além do horizonte.
Vejam, marinheiros!
Elevem-se do convés!
O amor vos guia!
Alberto Busquets.
#Desafio 032
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Público
#
Teu corpo?
Não.
Quero tocar
tua essência.
Acariciar as labaredas
que expeles
com os olhos que eu vejo,
e me fartar nas profundezas
escuras e úmidas
do teu doce e acre desejo.
Hoje não quero
fazer amor.
Incorporemos o ardor
que nos consome!
Demolindo barreiras, limites,
matéria qual for.
O mundo está lá fora.
Aqui, tudo podemos.
Uma noite inteira, sem sono.
Hoje, quero
que sejamos a fome!
Abra-se para mim,
sem demora
e sussurra sem pudor:
"Vem, meu dono!
Me come!
Vem agora!"
Alberto Busquets.
#Desafio 031
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*Hiatos*
Ao calar do poeta,
uma coisa é certa e inefável:
Um deserto sem escrita
e de palavras rarefeitas?
Nada é mais instável!
Cada grão é sentimento intempesto
prestes a sangrar poesia...
Entre prantos, gargalhadas
e eventuais trovoadas,
é monção de emotiva teimosia!
Com dura leveza
e livre correnteza
até o fim do mundo mundano
ou o próximo cristalizar,
tomem cuidado com o sertão-poeta:
Ele está a uma lágrima de distância
para (re)virar mar!
Alberto Busquets.
#Desafio 030
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Defendo a guerrilha
dos poeticamente armados.
Que não nos falte munição!
Entre rajadas de empatia
e certeiras gentilezas ao alvo,
que combatamos
a violenta tempestade!
Sejamos patriotas
da própria humanidade!
Cavemos trincheiras-abraços
sob amorosas bandeiras
de humanística compreensão!
Alberto Busquets.
#Desafio 29
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Trago em mim
a pobreza das palavras sozinhas.
E, por plena consciência
da inexistência de seus valores,
deito-as em leito de flores
vermelho-carmim.
Tenho em mim
a riqueza dos sentidos compostos.
E, perpassando a aparência
da falta de profundidade,
afundo o delicado leito
com palavras banais
em camadas abissais
de negrume sem fim.
À superfície de mim,
outrora palavras sem valor
agora tomam forma e cor
fugidias em fluidez e reflexos.
A beleza floral as decora,
espectros à distância sonora
caleidoscópio de sentidos complexos.
Mas seu correto valor
sempre dependerá
de quem for o leitor.
E esta sempre será
minha maior alegria.
E minha dor.
Alberto Busquets.
#Desafio 027
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Quanto tempo temos nós?
Talvez o bastante,
e ainda assim muito pouco!
Um tanto e um bocado,
uma pitada e um punhado,
dissolvendo em calda
no caldeirão
de calendários...
Quarenta e sete
é um número modesto,
em que já coube
muitas vidas.
Mas o amor ainda
transborda!
O esperançar
escorre leve,
de cabeça erguida
e peito aberto!
Ainda há muita calda
para entornar,
adoçar
e celebrar,
com as melhores
companhias
(e companheira)
dos sonhos
e do mundo!
Alberto Busquets.
#Desafio 026
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Escrevo sobre a falta:
A falta da sua mão na minha;
a falta do seu corpo no meu.
Escrevo sobre o vazio...
O vazio entre sua boca e a minha;
O vazio entre seu olhar e o meu.
Escrevo, e não basta.
Posso preencher páginas
e mais páginas de rimas...
A distância não muda.
O amor não muda.
O tempo muda?
Não vi se ele já correu.
Tinta, rascunhos,
telas, bits, bytes,
céus e nuvens.
Entre as linhas celestiais
eu te quero ainda mais.
E cada rima não rimada
encontra-me sonhando
sob as estrelas, na sacada
perdidamente
inteiramente
profundamente
teu.
Alberto Busquets.
#Desafio 025
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