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Ao escrever poesias,
torno-me equilibrista.
Pois minha fome avassaladora
deve ser precisamente contida,
na exata proporção
da sede das Musas.
Cada linha, um leão
amarrado por borboletas.
Cada sílaba, uma gota
de caudalosos sentimentos.
Um tropeço
e cairei no vazio,
grão de areia exigindo
a atenção da onda.
Heroico é o papel.
Recebe-me de folhas abertas.
Não sei como ele aguenta.
Alberto Busquets.
#Desafio 123
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Oferta
Isto é tudo o que tenho.
Pode ser pouco para o mundo,
mas é muito para mim.
Este é todo o meu empenho.
Se para o mundo não basta,
não lhe importa seu fim.
Mas do esforço que tenho
(pedra que se engasta)
não guardo um vintém:
dedico somente a quem
vê um mundo em mim.
Alberto Busquets.
#Desafio 122
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Meu relógio
parou no tempo.
Eu, encantado,
cheguei atrasado.
Topei em várias
abóboras,
Mas nenhum
sapato cristalizado.
tristes tempos,
tristes dias...
Belos sonhos
de fantasias distantes...
Hoje
temos um príncipe
redpill,
uma princesa
traumatizada
e um dragão vegano.
Daria uma bela história
se alguém,
alguma vez,
a escrevesse
por engano.
Alberto Busquets.
#Desafio 121
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Ouroboros
Hoje
Eu pensei que queria
E sonhei que gostaria
Que tudo fosse diferente.
Mas aí percebi
Que eu não seria eu, e
Não me diferenciaria.
Meus gostos alterariam.
O igual, o real e
Os sonhos mudariam.
E, provavelmente,
Não estaria sonhando diferente:
Pensaria muito que quereria
Ser o "eu"
De hoje em dia.
Alberto Busquets.
#Desafio 120
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Falácia
Acreditar em coisas como
"é impossível eles ficarem juntos"
é por falta de amar,
medo de sonhar,
ou optar em desistir por falácia e mito.
A matemática nos prova
aos pacientes (ou teimosos, talvez)
que até as retas paralelas
com distância constante entre elas
acabam se encontrando
na alcova do infinito.
;)
Alberto Busquets
#Desafio 119
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Navego
na enchente que transborda
do seu olhar apaixonado.
Vislumbro
a imensidão de sentimentos
sob brisa e calmaria.
Navego
nesse rio caudaloso
razão de ter-te ao meu lado.
Vislumbro
uma vida de belos momentos
sob paz e alegria.
Um porto
em maré mansa:
nosso lar aconchegante.
Um porto,
pós-navegança:
nosso refúgio de cada instante.
Navegadores
navegamores
navegaremos
redamaremos
em um oceano de flores.
Alberto Busquets.
#Desafio 117
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Sobre Voos e Flores
Sara gostava de criar
Ditados pouco convencionais
Que refletissem, pensava,
Sua forma liberta
E humorada
De saborear a vida.
Sentia-se muito bem
Com isso:
"Sobre engolir sapos:
Focar menos o aperto
De gargalo,
E mais a abertura
Da gargalhada", dizia.
Gostava, ainda,
De tornar mais leve
A vida dos outros:
"Mais belo que
Um voo solitário,
É uma revoada
De felicidades".
Um dia, porém,
Emudeceu.
O amor bateu tão forte
O desejo gritou tão alto
Que Sara, de repente,
Não se ouvia mais...
E o coração, antes leve,
Afundou-se inquieto,
Transbordando
(Receoso)
Das mais loucas
Vontades...
Mas seu amor,
Percebendo aquele medo
Que a impedia de voar,
Pousou ao seu lado.
E a presenteou
Inusitadamente
Com uma flor de plástico.
Silêncio.
Com o coração pesado,
Não houve espaço
Para a compreensão...
E ele a tomou pela mão,
E, pássaro,
Gorgeou em seu ouvido:
"Para viver seus sonhos,
Dê lírios..."
O riso
pulverizou
Seus grilhões
O beijo
A afastou
Da prisão
Seu coração-gaiola
Se abriu
E os amantes
Levantaram voo
De mãos dadas,
Em meio à nova
Revoada
Dos mais leves e densos
(Floridos ao vento)
Desejos.
Alberto Busquets.
#Desafio 116
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Petrichor (II)
Chuvinha boa
dessas que perfumam as janelas
com os sonhos da terra
e agarram-se
a qualquer brisa,
alçando voo além
das copas das árvores
para lembrá-las
que, um dia,
já foram chão.
As gotas se lembram;
as árvores, talvez não.
Alberto Busquets.
#Desafio 115
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Não digas nada.
Fecha os olhos.
Sente...
Tenho a brisa noturna
em meu hálito
para eriçar tua pele.
Sopro lento...
Sente.
Não há nada para ver,
mas tudo a sentir:
minha boca tão perto do
teu corpo.
Meu respirar
no teu pescoço.
As brisas de pura ânsia
descendo ao teu colo.
Sente...
Não há toque,
a não ser do meu vento.
Movendo-se,
explorando-te.
Enrijecendo-te.
Sente...
Faço tornados em cada pico.
Desço ventando sem pressa...
Exploro todo o vale. Toda a planície.
Espalho. Sopro. Roubo teu fôlego...
Sentes?
O ar é impaciente...
Volta a subir. Galga as tuas alturas mais belas.
Retorna ao pescoço.
Encontra eco em teu ouvido.
Na ventania, uma voz gotejante de vontade:
"Sente!"
Não há mais tempo.
Resta a urgência.
O vento cessa.
Hora dos lábios.
Hora das bocas.
Hora do gosto.
Sente...
Alberto Busquets.
#Desafio 114
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