@MarU
há 5 meses
Público
#Desafio 233

*Terra e fogo: vulcão*

Há terra
sob meus pés.

Sou fera
a caminhar
neste chão.

Acendo
o desejo
quando vier,
e inflamo
a cama
em conjunção.

Sou fogo
que arde
por dentro,
e queima
na força
de um pensamento.

Sou fúria
de natureza
incontrolável…
indomável.

Atiço
a fogueira
e queimo.

Sou corpo celeste
desbravando
céu indecifrável.

Estrela cadente
que passa…

e, de repente,
com sorte,
talvez atenda
a pedidos.

Sou a luz
que ilumina
a noite…

e no escuro
revelo a beleza
do que era
escondido.

Sou o amor
mais puro
que você
irá conhecer.

Você é Terra,
e eu sou fogo…
a queimar
dentro de você.

Uma mistura
de elementos,
que podem
ser bem perigosos…

vulcão em erupção,
magma em carne
e ossos.

MarU
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@MarU
há 5 meses
Público
#Desafio 232

*Reconhece-me*

Tenho deixado
a caneta.

Abafado
a fala.

Tenho segurado
o sentimento
e me contido,
até em pensamentos.

Pois não devo,
após tanto tempo,
reconhecer-me apaixonada.

Há tanto peso
nestas palavras.

A vida,
ao mesmo tempo,
não me deu trégua
para nada!

Os dias,
ainda parecem
os mesmos.

Mas, às vezes,
lembro
de sonhos
que tive acordada.

E fechando os olhos,
por um momento,

sinto a pele fervendo,
o coração acelerado
no peito,

e cócegas
por dentro…
na alma.

MarU
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@MarU
há 6 meses
Público
#Desafio 231

*Por hoje*

Por hoje, já chorei.

Por hoje, me deitei
e não comi.

Por hoje, senti
e me maltratei.

Por hoje, optei
por dormir.

Por hoje,
já desabafei
com alguém.

Por hoje,
já me calei
e encolhi.

Escolhi dar tempo
ao tempo,
em respeito
ao meu momento…

e desta forma,
acordei,
ainda em tempo
de me recuperar
do tempo que sofri.

Com olhos inchados,
mas não mais escorridos…
olhos marcados
em verde claro, colorido.

Pois quando choro,
é que ficam
mais bonitos.

Por hoje,
a esperança
deixou recado.

Por hoje,
o tempo teve
seu papel timbrado.

Por hoje, senti
o ressentimento
equilibrada.

Por hoje, deixei vir…
e consegui deixar passar
tudo do todo
que trago aqui…

passe,
e o tempo,
passará.

Deixa passar!

MarU
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@MarU
há 6 meses
Público
#Desafio 230

*Fadiga*

Prendo
os cabelos
de lado,

me olho
no espelho,
deixando
a roupa cair
do corpo,
parando
nos pés
descalços.

Afasto,
com as pontas
dos dedos,
caminho suave
para o chuveiro.

Giro o registro,
testo a
temperatura
com a mão.

O vapor
toma o banheiro,
sinto na pele
gotículas
em formação.

Molho o corpo,
dos ombros
para baixo.

A água
que cai…
renova
meu vigor.

Me ensaboo,
me enxáguo…

e satisfeita,
desligo tudo
e saio.

Com o corpo
molhado,
te vejo,
deitado…

e ofereço
minha pele,
meu cheiro
e sabor,

para você
seca-los…
com a língua…

e depois
cavalga-lo,
até o raiar
do dia,

ou se acabar
em mim,
de fadiga…

afogado
de paixão.

MarU
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@MarU
há 6 meses
Público
#Desafio 229

*Sinais*

Já faz muito tempo
desde que me apaixonei
pela última vez.

Parei para pensar…
e não sei se reconheço mais…
quais serão os sinais:

Se saberei identificar
quando alguém gostar
um pouco mais de me ver?

Se me abrigando
nesses olhos
e me sentindo num colo,
é corresponder?

Se ouvirei
nas entrelinhas
de uma melodia
e decodificarei
uma mensagem escondida?

E se eu cantarola-la
por todo um dia…

poderei distinguir
de empatia
aquele olhar
que me abriga?

Será que conseguirei
interpretar
se houver
reciprocidade afetiva?

Será que verei
a vontade
de ficar
na minha vida?

Me darei liberdade
de viver de verdade
um novo amor?

Eu tenho
essa minha
armadura de amiga…

que me mantém
protegida.

Vejo a vida
como poeta,
apaixonada
por natureza.

A vida me encanta,
vejo nas pessoas
extrema beleza.

E por que não…
esperanças?

Emocionada,
como diriam…

carente não!

Tenho
um enorme coração…

e ele segue pulsando,
mostrando-se vivo,
talvez, assim…
guiando-me, sigo-o.

Ainda que não esteja
traçando
nos meus planos.

Até não restarem
mais dúvidas,
ou enganos,

de que o que sinto,
sejam os sinais
da paixão
me tomando.

Com cautela,
amando-o,
me privo.

MarU
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@MarU
há 6 meses
Público
#Desafio 228

*Libertem o poeta*

Alguns dias
não haverão poemas.

Mesmo com o coração
em festa…

alguns dias,
o poeta não é poeta.

Alguns dias,
o poeta apenas pensa.

Nesses dias,
a caneta se cala,
mas não a alma…
não dentro da cabeça.

Alguns dias,
a vida não cabe
numa folha
em cima da mesa.

A vida não faz verso,
mas fala…
e é preciso se escutar
para que se entenda.

Nesses dias,
o poeta,
por trás da pessoa,
entra em recesso,
assume o dilema,
fora do poema.

Talvez,
faça um retrocesso,
pareça introspecto,
discreto.

Nesses dias,
internado em si…
o poeta não é poeta,
é gente.

Aprisionando
no coração
um poeta,
que não entende
assuntos de gente.

Bate às portas
do coração
insistentemente,

na esperança
de que alguém
se atente…

que uma caneta
na mão de um poeta
é a melhor arma,

compondo versos,
tocando almas,
traduzindo a emoção
com a sensibilidade aguçada.

Vou fazer
uma moção
pela liberdade
dos poetas do coração.

E uma nota
de repúdio
contra a afetofobia latente.

Quem sabe,
assim,
ler poemas
se torne
ato cotidiano?!

Invés de ler
com pesar
o engano
de cultuar
o desapego.

Invés de viver
com o coração
em desassossego,

banalizando o afeto,
estigmatizando
a sensibilidade,
com medo…

Não quero!

MarU
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