Ele traça suas poesias, como se elas brincassem de tatuador, e marcassem minha pele, em tinta e agulha. Usa cores coloridas, porque sempre que fala de mim, ele vê multi cores. Seus olhos passeiam pelas letras como adoram as curvas do meu quadril. Suas mãos acariciando as folhas, assim como tocam minha pele. E ele derrete, se perde nas palavras, transpondo os meus detalhes. O brilho do meus olhos, servem pra iluminar seu sorriso. Ao findar do dia, descansa a pena, os olhos e a alma, descrita, no calor dos meus braços.
Ele me amou em silêncio Por tantos dias... Meses. Sem me falar uma única palavra, Ele apenas me olhava viver, Me incentivava a ser, Sem nunca, nada esperar. Sorria, quando me via sorrir E me dava o ombro, o colo e os ouvidos, Pacientemente, Quando eu precisava chorar. Me entendeu, estendeu a mão. Me trouxe um pouco de si mesmo, a cada opinião. Sem nunca, nunca me influenciar sobre qualquer coisa que fosse. Minhas opiniões, eu mantinha, intactas, seladas e comprovadas, com minha própria experiência de vida. Não que eu não quisesse mudar, mas entenda, eu já tinha idade suficiente, para não mais acreditar. Principalmente no amor. E certo dia, já tenso pelo que sentia, ele se abriu, e eu me fechei. Me fechei para o que ele havia me confessado, sem pretensão de pensar, imaginar sequer, qualquer coisa em troca. Foram três dias. Foram mais de mil palavras. Se desculpando, se culpando, tentando se redimir, da dor que me causou, tentando me rever. Tentando voltar a me sentir. Eu lia, chorava, me afastava. Trabalhava, mal comia, e ansiava. Por ele. E eu chorei, me afastei e sofri. Não queria amar, não sabia ser amada. Não mais. Nunca fui, o que mudaria, agora? Então, aos poucos, meu coração entendeu, que eu só sofria, pela simples ideia de que eu o amava. E eu o amava. E eu queria viver esse amor, saber o sabor de ser amada! O amo até hoje. Ele me ama cada dia mais e todos os dias, é exatamente igual a quando começamos a namorar. Mas o amor, ah, esse amor, é tão imenso, eu já nem sei onde ele começa, e onde termina, o meu eu.
Entre dois mundos Nosso universo Se faz, e refaz em sua órbitas De bilhões de estrelas Poeira vermelha É no encontro elíptico Do eletromagnetismo que nos sustenta O beijo E me tira a gravidade O chão se torna tão longe E nos braços de um cometa Eu vou ao seu encontro Trilhando o percurso Do seu periélio Me afasto do frio Interestelar e amorosamente Gravitacionando ao seu redor. Somos dois mundos, Ou você é meu sol?
Toque a toque Seus dedos errantes, Sábios, constantes, Traçam, memorizam, De olhos fechados Aquilo que já sabe Já viu Os contornos Vales e montanhas Carne quente, desejosa A saliva da boca Entreaberta Em busca Do ar Do teu cheiro Até que seu desejo Esteja, duro, ereto Na linha do olhar Desliza como cetim Mas quente É minha língua Que te aconchega E lambe O gozo E sorve, garganta abaixo A sua loucura Por meu prazer.
Pura, Livre, Alheia a cercados, Muros, dos mais altos, Resistência em vida, Ciclo regenerador, Tensionando os músculos Pressionando, liberando, Necessária, Ela brilha, Corpos nus Delira Lábios, mente, Sincronicamente Encantados Destilam murmúrios, À ebulição, Como canto de sereia Seu olhar, tão sexy Inocentemente alheia Braços elevados, Prazenteira Olhos apertados No ápice, Incendeia.
De alma simples, Pura Como a verdade Que perdura, Apesar do tempo. Sabedoria, É transpor, tua vida Na do outro, Sem levar em conta sua experiência. Suas emoções, Não são base Para o viver alheio, Essa é a base Para se tornar Um empata E entender Que a vida Não acontece Só pelo seu olhar.
A dor de se reconhecer um nada. (CAP.1) Desde muito nova, ela conheceu a dor. A dor de não ser vista, A dor de não ser humana, A dor de ser um objeto. Ela aprendeu que sendo objeto, ela teria que performar, para ser escolhida. Escolhida, acolhida e amada. Os anos passaram, e ela não teve nenhuma dessas coisas. Não obteve respeito, não obteve amor e nem mesmo acolhimento. Teve dois filhos e foi percebendo que não importava o quê, nunca era o suficiente. Era sempre a comparada, a diminuída e não era boa em nada. A fizeram acreditar em amor dos sonhos, e por causa disso, seus pés, viviam mas nuvens. Mesmo sabendo que na prática, isso não existia. À noite, ela cantava pra lua, bem baixinho, pedindo pra ser feliz, para se amar, pois nesta altura, nem ela mesma se amava...
Ele mudou a minha vida . Dono do sorriso mais lindo e cativante. Dono do amor mais puro e honesto. Do coração imenso. Da mente fervilhante, cheia de ideias. Da minha vida se tornou parte, íntegro, amigo, leal. Tua alma brinda a minha. Em seus olhos eu me vejo. Nos teus beijos eu me perco, enquanto você me deixa ser, quem sou.. Dentro dos teus abraços. Somos, inteiros, nos pertencemos e tudo que eu mais quero é amanhecer e adormecer contigo.