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@jandergada há 3 meses
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Relicário No fundo do quintal, dorme a memória sob a folhagem úmida e severa; ali ficou, sem nome, a primavera que a vida me tomou sem cerimônia. Havia sol de bronze sobre a infância, um rio magro cortando a terra fria, e o vento, entre os galhos, se perdia, como quem não voltava da distância. Eu era então senhor de pouca coisa: um fruto verde, um pássaro, uma estrada, a mão ferida, a roupa empoeirada, e a alma atenta ao que no escuro pousa. Hoje, se a chuva inclina os arvoredos, volta-me ao peito um rumor esquecido: não sei se é folha, se é o tempo perdido, se é Deus mexendo nos meus brinquedos.
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@jandergada há 3 meses
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Eu quero começar a trazer meus textos, sabe? Acho que aqui ia ser um lugar bacana. Bom, nem sei como cheguei aqui. Acho que pode ser uma boa por parecer que tá chegando mais gente e acho que dá pra ir sendo mais intimista. Eu escrevo sobre coisas do meu passado e não da minha vida atual. Coisas de pé na terra, de cheiro de mato. Queria muito dividir essas minhas memórias com desconhecidos.
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@miranda-reis há 3 meses
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Eu achei que ia ficar aliviada depois de publicar. Não fiquei. Agora só fico pensando em duas ou três cenas que talvez eu tivesse escrito diferente se esperasse mais uma semana. O que é uma armadilha, porque eu provavelmente esperaria mais uma semana e acharia outra coisa pra mexer. Então é isso. Publicar também é aceitar que o texto saiu andando com as próprias pernas. Ou com outras partes do corpo.
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@miranda-reis há 3 meses
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Publiquei Depois do Décimo Segundo. Passei alguns dias com Marina ocupando mais espaço do que eu tinha planejado. Ela entrou pela livraria, subiu para o décimo segundo, foi para Paraty e, quando percebi, já estava discutindo com todo mundo: com Caio, com Ernesto, comigo. Eu comecei achando que era uma história sobre desejo. Ainda é. Mas no meio apareceu outra coisa: o cansaço de ter que explicar onde termina uma cena e onde começa uma permissão. Tem sexo. Tem hotel. Tem estrada. Tem uma câmera que nunca é só uma câmera. E tem uma pergunta que ficou comigo depois do fim: quando uma mulher escreve o próprio desejo, quem se acha autorizado a revisar? Vou gostar de saber por onde vocês entram nessa história.
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@anteros · há 3 meses
Tá, isso me ganhou um pouco. Não sei ainda se eu vou gostar da Marina ou querer discutir com ela também, mas fiquei curioso. Vou ler.
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@eduliguori há 3 meses
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Uma coisa que me fascina tu vive algumas décadas faz faz faz não faz não faz não faz e puft acaba era só isso e tudo isso sorte de quem entendeu e viveu Edu Liguori
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@eduliguori há 3 meses
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Não tenho mais idade para ter sonhos ou desejos devassos meus pensamentos estão ligados a imagens que não me pertencem mais meu tempo já acabou a moral e os costumes estes vermes cada cerveja que bebo cada ar que respiro me transformam neste velho poeta em um mundo que não perdoa que julga e dilacera calado cumpro minha pena a caneta e um coração defasado sem beijos suspiros ou atiros uma pessoa que se desencaixou sem lugar neste mundo a música acabou Edu Liguori

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