A cabeça de morto
A cabeça de morto
Um homem encontrou uma cabeça de morto e, em vez de seguir caminho, aproximou-se dela com curiosidade. O que parecia resto sem voz começou a se tornar advertência.
A cabeça lhe ensinou que muitas desgraças nascem da boca: da palavra lançada sem medida, da mentira que se imagina pequena, da zombaria que desperta forças adormecidas.
O homem, porém, como tantos homens dos contos, quis transformar o mistério em vantagem. Contou o que vira, exagerou o que ouvira, procurou ganhar importância diante dos outros.
Mas o maravilhoso costuma punir quem o usa para vaidade. A cabeça de morto, silenciosa e paciente, mostrou que nem toda revelação deve virar espetáculo.
O conto permanece como aviso: há verdades que não existem para nos tornar grandes, mas para nos deixar mais cautelosos.