A cabeça de morto Contos da África Ocidental · Capítulo 4 de 6
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A cabeça de morto

A cabeça de morto

Um homem encontrou uma cabeça de morto e, em vez de seguir caminho, aproximou-se dela com curiosidade. O que parecia resto sem voz começou a se tornar advertência.

A cabeça lhe ensinou que muitas desgraças nascem da boca: da palavra lançada sem medida, da mentira que se imagina pequena, da zombaria que desperta forças adormecidas.

O homem, porém, como tantos homens dos contos, quis transformar o mistério em vantagem. Contou o que vira, exagerou o que ouvira, procurou ganhar importância diante dos outros.

Mas o maravilhoso costuma punir quem o usa para vaidade. A cabeça de morto, silenciosa e paciente, mostrou que nem toda revelação deve virar espetáculo.

O conto permanece como aviso: há verdades que não existem para nos tornar grandes, mas para nos deixar mais cautelosos.

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