Pátria Poemas do Panamá · Capítulo 2 de 4
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Pátria

Pátria

Ó pátria tão pequena, estendida sobre um istmo

onde é mais claro o céu e mais vibrante o sol,

em mim ressoa toda a tua música, assim

como o mar na pequena cela do caracol!

Revolvo o olhar e às vezes sinto espanto

quando não vejo o caminho que a ti me há de devolver...

Talvez nunca soubesse que te queria tanto,

se o Fado não dispusesse que eu cruzasse o mar!

A pátria é a lembrança... Pedaços da vida

envoltos em farrapos de amor ou de dor;

a palmeira rumorosa, a música sabida,

o horto já sem flores, sem folhas, sem verdor.

A pátria são os velhos caminhos retorcidos

que o pé, desde a infância, sem trégua percorreu,

onde estão as árvores antigas, conhecidas,

que à alma vão falando de um tempo que passou.

Em vez destas soberbas torres de áurea flecha,

onde um sol cansado vem desfalecer,

deixem-me o velho tronco onde escrevi uma data,

onde roubei um beijo, onde aprendi a sonhar.

Ó minhas vetustas torres, queridas e distantes,

eu sinto as nostalgias de vosso repicar!

Vi muitas torres, ouvi muitos sinos,

mas nenhuma soube, ó minhas torres distantes,

cantar como vós, cantar e soluçar.

A pátria é a lembrança... Pedaços da vida

envoltos em farrapos de amor ou de dor;

a palmeira rumorosa, a música sabida,

o horto já sem flores, sem folhas, sem verdor.

Ó pátria tão pequena, que cabes toda inteira

debaixo da sombra do nosso pavilhão:

talvez fosses tão pequena para que eu pudesse

levar-te toda inteira dentro do coração!

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