Pátria
Pátria
Ó pátria tão pequena, estendida sobre um istmo
onde é mais claro o céu e mais vibrante o sol,
em mim ressoa toda a tua música, assim
como o mar na pequena cela do caracol!
Revolvo o olhar e às vezes sinto espanto
quando não vejo o caminho que a ti me há de devolver...
Talvez nunca soubesse que te queria tanto,
se o Fado não dispusesse que eu cruzasse o mar!
A pátria é a lembrança... Pedaços da vida
envoltos em farrapos de amor ou de dor;
a palmeira rumorosa, a música sabida,
o horto já sem flores, sem folhas, sem verdor.
A pátria são os velhos caminhos retorcidos
que o pé, desde a infância, sem trégua percorreu,
onde estão as árvores antigas, conhecidas,
que à alma vão falando de um tempo que passou.
Em vez destas soberbas torres de áurea flecha,
onde um sol cansado vem desfalecer,
deixem-me o velho tronco onde escrevi uma data,
onde roubei um beijo, onde aprendi a sonhar.
Ó minhas vetustas torres, queridas e distantes,
eu sinto as nostalgias de vosso repicar!
Vi muitas torres, ouvi muitos sinos,
mas nenhuma soube, ó minhas torres distantes,
cantar como vós, cantar e soluçar.
A pátria é a lembrança... Pedaços da vida
envoltos em farrapos de amor ou de dor;
a palmeira rumorosa, a música sabida,
o horto já sem flores, sem folhas, sem verdor.
Ó pátria tão pequena, que cabes toda inteira
debaixo da sombra do nosso pavilhão:
talvez fosses tão pequena para que eu pudesse
levar-te toda inteira dentro do coração!