Dobrando o Cabo Poemas do Panamá · Capítulo 4 de 4
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Dobrando o Cabo

Dobrando o Cabo

(5 de novembro de 1913)

Como um rio acumula a folhagem seca,

empilhei num montão meus desenganos,

e do alto dos meus trinta anos

olho para o porvir, e o encontro meu!

Amei as frontes pálidas, os rubros

lábios que para o beijo se formaram,

e meus castelos de ilusão se ergueram

sempre sob a aurora de dois olhos.

Fiz de cada mágoa um estandarte,

de todos os meus amores um baluarte,

uma canção de cada pensamento,

e, com galante mão distraída,

espalhei os trinta anos de minha vida

como pétalas de rosa, ao vento.

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