Dobrando o Cabo
Dobrando o Cabo
(5 de novembro de 1913)
Como um rio acumula a folhagem seca,
empilhei num montão meus desenganos,
e do alto dos meus trinta anos
olho para o porvir, e o encontro meu!
Amei as frontes pálidas, os rubros
lábios que para o beijo se formaram,
e meus castelos de ilusão se ergueram
sempre sob a aurora de dois olhos.
Fiz de cada mágoa um estandarte,
de todos os meus amores um baluarte,
uma canção de cada pensamento,
e, com galante mão distraída,
espalhei os trinta anos de minha vida
como pétalas de rosa, ao vento.