III. A inteligência da sátira
A força de O Livro dos Avarentos está na combinação entre humor e precisão. A sátira não precisa gritar. Basta deixar o personagem falar até que a própria lógica o denuncie. O riso nasce da distância entre a imagem que ele faz de si mesmo e aquilo que seus atos revelam.
É uma literatura de ouvido atento: frases, desculpas, provérbios e exageros se acumulam como moedas sobre a mesa. Cada argumento brilha, mas o conjunto revela pobreza interior.