Capítulo 2 Como eu (Re)encontrei você · Capítulo 2 de 11
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Capítulo 2

Enquanto Marina se encarregava de buscar as chaves, Ana e eu ficamos em um mercado comprando tudo o que precisaríamos na cabana durante o fim de semana.

— Pode ir procurar os fósforos, Pen? Vou pegar algumas frutas pra gente fazer o fondue doce. — concordei e saí em busca dos fósforos.

Passei por alguns corredores observando alguns preços e doces que eu não conhecia, até enfim encontrar os fósforos. Peguei duas caixinhas por precaução e me virei para começar a procurar por Ana, mas acabei esbarrando bruscamente na cesta de alguém, derrubando vários itens no chão.

— Ai meu Deus, me desculpa! — me abaixei rapidamente, pegando algumas das coisas que caíram e sentindo meu rosto esquentar. O homem em quem esbarrei se abaixou para fazer o mesmo.

— Tudo bem, eu… — ele parou de falar de repente, me fazendo finalmente olhar para seu rosto.

Meu corpo congelou assim que meus olhos encontraram os dele, tanto eu quanto ele estávamos com expressões de surpresa e choque.

— Ben?! — falei mais alto do que gostaria, notando algumas pessoas nos olharem curiosas.

Me levantei para me afastar e acabei deixando todas as coisas caírem do meu colo. Fico com ainda mais vergonha, me abaixando novamente tentando não encará-lo enquanto ele não parava de me encarar.

— Oi, Pen..

— Oi. — me certifiquei de colocar as coisas dentro da cesta sem olhar para ele diretamente.

— A quanto tempo.. — A cada nova palavra eu sentia meu coração acelerar e a vergonha tentar me consumir por completo.

— Sim, quanto tempo.. — me levanto rapidamente, torcendo para ver Ana de onde eu estava, mas nada.

— Está de passagem?

— O que? — olhei para ele por estranhar sua curiosidade, mas me arrependi automaticamente. Seus olhos escuros, que não tinham mudado nada, estavam fixos em mim, e também um mínimo sorriso se formando no canto da boca. — Sim, estou sim. Com algumas amigas. — tento parecer calma.

— Entendi, que bom.

Por favor alguém me tira daqui…

— PEN!! — Glória a Deus.

Olhei em volta e vi Ana no fim do corredor junto com Marina, que rapidamente notou que havia algo estranho acontecendo.

— Tá tudo bem? — ela perguntou mais séria e autoritária do que o necessário.

— Sim, ta sim. Eu achei os fósforos — dei um sorriso meio torto para Ana.

— E esse aqui é..? — Marina apontou para ele arqueando uma das sobrancelhas.

— Ah, desculpa! A gente se conhece, quer dizer…se conhecia. — senti o suor já se fazer presente em minhas mãos. — É o Benjamin, eu já falei dele para vocês. A gente acabou se esbarrando aqui sem querer. — As duas arregalaram os olhos quase ao mesmo tempo, se virando rapidamente para ele.

— Olá, prazer meninas. — ele deu um sorriso simpático para elas, e nessa oportunidade finalmente me permito encará-lo por tempo o suficiente para perceber o quanto ele tinha mudado.

Ele estava, com certeza, bem mais alto desde a última vez que nos vimos. O cabelo, antes loiro e curto, agora era tingido de preto e longo o suficiente para quase bater no queixo, mas parecia precisar de um retoque já que as raízes loiras já eram visíveis. Ele usava roupas simples como se já estivesse acostumado com o frio, bermuda escura e camiseta clara. Tinha diversos piercings em suas orelhas e uma argola charmosa no lábio debaixo.

— Benjamin, tipo, aquele Benjamin?? — Saí da minha análise, percebendo que os três olhavam para mim. Senti meu rosto queimar de vergonha.

— Olha só! Já tá ficando tarde então é melhor a gente ir andando! — puxei as duas pelos pulsos, me afastando dele. — Foi ótimo te ver Benjamin, até qualquer hora! — empurrei elas para fora do corredor antes que meu rosto não aguentasse mais ficar vermelho.

Saí para a frente do mercado após elas pagarem tudo e as perguntas se iniciaram assim que entramos no carro.

— Era ele mesmo??

— Menina, você nunca disse que ele era tão gato!! — Ana me deu um tapinha leve no braço.

— Eu não via ele a anos, não tinha como saber…

— Então você concorda que ele tá um gato? — Marina me olhou com uma expressão maliciosa exagerada.

— O que?? Não! Claro que não! — senti minhas bochechas corarem de novo.

— Você pareceu um pouco constrangida, mas ele não. Ele parecia estar gostando de ver você toda com vergonha — Ana e Marina gargalharam e eu apenas me encolhi no banco de trás, desviando o olhar para a janela.

— Não quero falar sobre isso. — agradeci quando elas não insistiram no assunto, com Marina ligando o carro e finalmente nos guiando de volta até a cabana.

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