Capítulo 4
A noite toda foi repleta de fondue, vinho, risadas e histórias já contadas diversas vezes, mas que não nos importávamos de contar e ouvir de novo e de novo.
Acordei sentindo meus pés tão gelados quanto um cubo de gelo, notando que eu estava quase caindo do sofá.
Me sentei, coçando os olhos e percebendo que o sol já estava bem aparente no céu, e que eu fui a única deixada para dormir na sala, enquanto Marina e Ana dormiam profundamente na cama de casal no pequeno andar de cima subindo alguns degraus.
Procurei minha mala e peguei as primeiras meias que encontrei, as vestindo e sentindo um alívio quase instantâneo.
Decidi fazer o café, já que meu estômago implorava por comida além de chocolate e salgadinhos fritos.
Além de passar o café e fazer o clássico pão com manteiga, também peguei algumas das frutas já cortadas que haviam sobrado da noite anterior.
Me sentei no sofá novamente, bebendo meu café e mordendo meu pão, ouvindo passos na pequena escada.
— Bom dia — digo com a boca cheia, vendo Marina, e seus cachos desarrumados porque mais uma vez a touca de cetim saiu enquanto ela dormia, só acenar e ir em direção ao banheiro.
Ana, como sempre, foi a última e mais difícil de acordar, mas que acabou cedendo, tomando café com Marina enquanto eu apenas jogava no celular.
— Sonhou com o seu príncipe, Pen? — tentei ignorar, fingindo estar concentrada no jogo — Você expressou tanto ontem como estava com vontade de cavalgar com ele. — arregalei os olhos, olhando para ela e Marina, tentando confirmar se eu realmente havia dito aquilo.
— ANA!!! — Senti minhas bochechas corarem fortemente.
— Que foi?? Ele é um príncipe, e todo príncipe tem seu cavalo, né? — ela diz com olhar ingênuo.
— Cavalgar uma ova, eu não fiquei bêbada o suficiente pra isso..
— Pra isso o que? Expressar o que você realmente tá com vontade de fazer? Até eu cavalgaria…
— EIII!!
—Com ele, não nele. Não se preocupe, ele é todo seu, pode ficar.
— O dia mal começou e vocês já vieram com isso de novo?
—Ué, só repetindo o que você falou.
— Esqueça tudo o que eu disse. Eu não me lembro e nem quero me lembrar.
— Mas você tá com a faca e o queijo na mão, pode só dar uns beijinhos nele e pronto, melhor do que passar vontade. — Marina se aproxima e passa os braços pelo meu pescoço, quase como se fossemos brincar de cavalinho.
Eu odeio essas garotas.
E também amo elas.
— E se a vontade não passar depois? Eu não quero ter que dizer adeus de novo. E eu não vou precisar por que não vai acontecer nada entre ele e eu.
— Tudo bem, chega desse assunto! Vamos limpar isso aqui e ir para o centro, quero comprar um par de meias mais grossas. — Marina sai e Ana a segue, a ajudando a limpar o que haviam sujado enquanto eu encarava a vista e pensava em como eu reagiria se encontrasse ele de novo.
Vou me certificar de não deixar isso acontecer.