Capítulo 7 Como eu (Re)encontrei você · Capítulo 7 de 11
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Capítulo 7

O susto que Benjamin tomou ao me ver chorar nem se compara ao susto que todos os outros tomaram ao perceber que nós dois estávamos sentados no chão, abraçados e com meus soluços preenchendo o silêncio que estava ali fora.

Mas com um pouco de água e cobertores quentes consegui me acalmar, não sabendo o que sentir primeiro: Vergonha por ter passado todos esses anos pensando que Benjamin não ligava para a nossa amizade e ligação quando, na verdade, a culpada havia sido meu eu confuso e triste de 16 anos, ou se era a vergonha de ter chorado sem parar na frente de todo mundo.

Marina preparou uma xícara de chá para mim, enquanto Will, Marcos e Ana ouviam Benjamin explicar tudo, o por que nos encontraram daquele jeito.

— Tá se sentindo melhor? — Marina sentou na cama de casal ao meu lado, me vendo observar todos lá embaixo.

— Sim, obrigada.

— Então realmente foi total erro de comunicação?

— Sim…— meu rosto corou.

— Caramba…mas não se preocupa, isso acontece até nos melhores relacionamentos.

— Marina…— a encarei de forma séria.

— Desculpa, cedo demais para piadinhas sobre um relacionamento inevitável — ela levantou as mão em rendição.

Tentei acertá-la com um travesseiro mas ela desviou e desceu a escada rapidamente.

Olhei para os outros mais uma vez, notando que o olhar de Benjamin passava por mim vez ou outra, me deixando ainda mais vermelha.

***

Marina e Ana decidiram sair para o centro na companhia dos meninos para comprar nossa janta, me jurando que não era uma armação para que eu e Benjamin ficássemos sozinhos por um momento.

Fingi que acreditei.

Decidimos que faríamos pizza artesanal, junto a mais um fondue doce, graças ao frio que estava fazendo já as 18:00.

Com as meninas e os meninos fora para comprarem as coisas, Benjamin e eu tinhamos algum tempo sozinhos.

Eu queria conversar, talvez colocar todos os pingos nos i's.

Desci para a sala onde ele estava mexendo no celular. Me aproximei devagar, ainda um pouco apreensiva.

— Posso sentar? — ele me olhou e sorriu.

— Sim, com certeza.

— Me desculpa, de novo…

— Pode parar, você não precisa mais se desculpar. Nós dois éramos adolescentes repletos de sentimentos à flor da pele. Aconteceu e não podemos mudar o passado.

— Verdade, tudo bem. — Encarei Minhas meias, pensando no que deveria dizer.

— Você..

— Você.. — dizemos ao mesmo tempo, o que nos fez rir.

— É, parece que algumas coisas não mudam. Lembro de sempre dizermos as mesmas coisas assim.

— Eu lembro! As pessoas ficavam impressionadas com a frequência que acontecia.

— Acho que é uma configuração de melhores amigos.

—É.. — senti meu coração acelerar após ele mencionar o “melhores amigos”

— Eu não quero parecer idiota mas também não quero mais nenhuma falta de comunicação entre nós dois, então.. — ele ri e balança a cabeça me dando espaço para continuar.

— Pode falar.

— Nós voltaremos a ser…sabe…melhores amigos? — não consegui olhá-lo diretamente, então encarei a estampa de caveira da sua camiseta preta.

— Bom, nós podemos sim, mas com uma condição

— Qual?

— Que você me avisesempreque qualquer coisa acontecer com você, não importa o que.

— T-tá, tudo bem. — meu coração errou uma batida mas me forcei a olhá-lo. — Eu prometo.

— Ok, eu prometo o mesmo.

— Ótimo.

— Ótimo. E nada de mentiras.

— Oi?

— Nada de mentiras, seremos verdadeiros um com o outro.

— Tá, tudo bem, isso é o básico mas tudo bem.

— Não, você não está cumprindo.

— O que? Como assim? — Olhei para ele, confusa.

— Está mentindo para mim nesse exato momento.

—E-eu não! Não estou mentindo, eu realmente quero voltar a ser sua melhor amiga!

— Não é sobre isso que eu to falando. — ele se aproximou perigosamente de mim me fazendo prender a respiração, mas como nada poderia ser fácil entre nós, de repente todas as luzes da cabana se apagaram de uma só vez.

— Ai MEU DEUS!!!! — pulei em cima dele, agarrando seu pescoço.

— Ai meu deus digo eu, Pen!! Tá quase me sufocando!!

— O que aconteceu??

— A energia acabou… e eu acho que sei o por que — me afasto dele e vejo para onde ele está apontando, nuvens muito escuras se aproximam, em nossa direção. — Uma tempestade.

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