Parte II
Mil duendes dos antros sahírão
Batucando e batendo matracas,
E mil bruxas uivando surgirão,
Cavalgando em compridas estacas.
Tres diabos vestidos da rôxo
Se assentárão aos pés da rainha,
E um d’elles, que tinha o pé coxo,
Começou a tocar campainha.
Campainha, que toca, é caveira
Com badalo de casco de burro,
Que no meio da selva agoureira
Vai fazendo medonho susurro.
Capétinhas trepados nos galhos
Com o rabo enrolado no páo,
Uns agitão sonoros chocalhos,
Outros poem-se a tocar marimbáo.
Crocodilo roncava no papo
Com ruido de grande fragor;
E na inchada barriga de um sapo
Esqueleto tocava tambor.
Da carcassa de um secco defunto
E das tripas de um velho barão,
De uma bruxa engenhosa o bestunto
Armou logo feroz rabecão.
Assentado nos pés da rainha
Lobishome batia a batuta
Co’ a canella de um frade, que tinha
Inda um pouco de carne corrupta.
Já resôão timbales e rufos,
Ferve a dansa do cateretê;
Taturana, batendo os adufos,
Sapatêa cantando -- o le ré!
Getirana, bruxinha tarasca,
Arranhando fanhosa bandurra,
Com tremenda embigada descasca
A barriga do velho Caturra.
O Caturra era um sapo papudo
Com dous chifres vermelhos na testa,
E era elle, a despeito de tudo,
O rapaz mais patusco da festa.
Já no meio da roda zurrando
Apparece a mula-sem-cabeça,
Bate palmas a sucia berrando
-- Viva, viva a Sra. condessa!...
E dansando em redor da fogueira
Vão gyrando, gyrando sem fim;
Cada qual uma estrophe agoureira
Vão cantando alternados assim: