Parte IV
Do batuque infernal, que não finda,
Turbilhona o fatal rodopio;
Mais veloz, mais veloz, mais ainda
Ferve a dansa como um corrupio.
Mas eis que no mais quente da festa
Um rebenque estalando se ouvio
Galopando através da floresta
Magro espectro sinistro surgio.
Hediondo esqueleto aos arrancos
Chocalhava nas abas da sella;
Era a Morte, que vinha de tranco
Amontada n’uma egua amarella.
O terrivel rebenque zunindo
A nojenta canalha enxotava;
E á esquerda e á direita zurzindo
Com voz rouca d’esta arte bradava:
«Fóra, fóra! esqueletos poentos,
Lobishomes, e bruxas mirradas!
Para a cova esses ossos nojentos!
Para o inferno essas almas damnadas!»
Um estouro rebenta nas selvas,
Que recendem com cheiro de enchofre;
E na terra por baixo das relvas
Toda a sucia sumio-se de chofre.