Parte IV A Orgia dos Duendes · Capítulo 4 de 5
Obra Menu

Parte IV

Do batuque infernal, que não finda,

Turbilhona o fatal rodopio;

Mais veloz, mais veloz, mais ainda

Ferve a dansa como um corrupio.

Mas eis que no mais quente da festa

Um rebenque estalando se ouvio

Galopando através da floresta

Magro espectro sinistro surgio.

Hediondo esqueleto aos arrancos

Chocalhava nas abas da sella;

Era a Morte, que vinha de tranco

Amontada n’uma egua amarella.

O terrivel rebenque zunindo

A nojenta canalha enxotava;

E á esquerda e á direita zurzindo

Com voz rouca d’esta arte bradava:

«Fóra, fóra! esqueletos poentos,

Lobishomes, e bruxas mirradas!

Para a cova esses ossos nojentos!

Para o inferno essas almas damnadas!»

Um estouro rebenta nas selvas,

Que recendem com cheiro de enchofre;

E na terra por baixo das relvas

Toda a sucia sumio-se de chofre.

1/1
Menu

Fazer anotação