Canto V I-Juca-Pirama · Capítulo 5 de 10
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Canto V

Canto V

Soltai-o! -- diz o chefe. -- Pasma a turba;

Os guerreiros murmurão: mal ouvirão,

Nem poude nunca um chefe dar tal ordem!

Brada segunda vez com voz mais alta,

Afrouxão-se as prisões, a embira cede,

A custo, sim; mas cede: o estranho é salvo.

-- Tymbira, diz o indio enternecido,

Solto apenas dos nós que o seguravão:

És um guerreiro illustre, um grande chefe,

Tu que assim do meu mal te commoveste,

Nem soffres que, transposta a natureza,

Com olhos onde a luz já não scintilla,

Chore a morte do filho o pai cansado,

Que somente por seu na voz conhece.

-- És livre; parte.

-- E voltarei

-- Debalde.

-- Sim, voltarei, morto meu pai.

-- Não voltes!

É bem feliz, se existe, em que não veja,

Como seu filho chora: és livre; parte.

-- Acaso tu suppões que me acobardo,

Que receio morrer!

-- És livre; parte!

-- Ora não partirei; quero provar-te

Que um filho dos Tupis vive com honra,

E com honra maior, se acaso o vencem,

Da morte o passo glorioso affronta.

-- Mentiste, que um Tupi não chora nunca,

E tu choraste!.. parte; não queremos

Com carne vil enfraquecer os fortes.

Sobresteve o Tupi: -- arfando em ondas

O rebater do coração se ouvia

Precipite. -- Do rosto afogueado

Gelidas bagas de suor corrião:

Talvez que o assaltava um pensamento...

Já não... que na enlutada fantasia,

Um pesar, um martyrio ao mesmo tempo,

Do velho pai a moribunda imagem

Quasi bradar-lhe ouvia: -- Ingrato! ingrato!

Curvado o collo, taciturno e frio,

Espectro d’homem, penetrou no bosque!

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