A flor de embiroçu Americanas · Capítulo 10 de 14
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A flor de embiroçu

A FLOR DO EMBIROÇU

Noite, melhor que o dia, quem não te ama!

Fll. Elys.

Quando a nocturna sombra envolve a terra

E á paz convida o lavrador cançado,

Á fresca brisa o seio delicado

A branca flor do embiroçu descerra.

E das limpidas lagrymas que chora

A noite amiga, ella recolhe alguma;

A vida bebe na ligeira bruma,

Até que rompe no horisonte a aurora.

Então, á luz nascente, a flor modesta,

Qnando tudo o que vive alma recobra,

Languidamente as suas folhas dobra,

E busca o somno quando tudo é festa.

Suave imagem da alma que suspira

E odeia a turba vã! da alma que sente.

Agitar-se-lhe a aza impaciente

E a novos mundos transporlar-se aspira!

Tambem ella ama as horas silenciosas,

E quando a vida as lutas interrompe,

Ella da carne os duros elos rompe,

E entrega o seio ás illusões viçosas.

É tudo seu, — tempo, fortuna, espaço,

E o ceu azul e os seus milhões de estrêllas;

Abrazada de amor, palpita ao vel-as,

E a todas cinge no ideial abraço.

O rosto não encara indifferente,

Nem a traidora mão candida aperta;

Das mentiras da vida se liberta

E entra no mundo que jamais não mente.

Noite, melhor que o dia, quem não te ama?

Labor ingrato, agitação, fadiga,

Tudo faz esquecer tua aza amiga

Que a alma nos leva onde a ventura a chama.

Ama-te a flor que desabrocha á hora

Em que o último olhar o sol lhe estende,

Vive, embala-se, orvalha-se, recende,

E as folhas cerra quando rompe a aurora.

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