Lua Nova Americanas · Capítulo 11 de 14
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Lua Nova

Mãe dos fructos, Jacy, no alto espaço

Eil-a assoma serena e indecisa:

Sopro é delia ésta languida brisa

Que sussurra na terra e no mar.

Não se mira nas aguas do rio,

Nem as hervas do campo branqueia;

Vaga e incerta ella vem, como a ideia

Que inda apenas começa a espontar,

E iam todos; guerreiros, donzellas,

Velhos, moços, as redes deixavam;

Rudes gritos na aldêa soavam,

Vivos olhos fugiam p′ra o ceu:

Iam ve-la, Jacy, mãe dos fructos,

Que, entre um grupo de brancas estrêllas,

Mal scintilla : nem póde vencel-as,

Que inda o rosto lhe cobre amplo veu.

E um guerreiro : «Jacy, doce amada,

Retempera-me as forçai ; não veja

Olho adverso, na dura peleja,

Este braço ja frouxo cahir.

Vibre a setta, que ao longe derruba

Tajassú, que roncando caminha;

Nem lhe escape serpente damnínha,

Nem lhe fuja pesado tapir.»

E uma virgem: «Jacy, doce amada,

Dobra os galhos, carrega esses ramos

Do arvoredo co′as fructos que damos

Aos valentes guerreiros, que eu vou

A buscal-os na matta sombria,

Por trazel-os ao moço prudente,

Que venceu tanta guerra valente,

E estes olhos consigo levou.»

E um ancião, que a saudara ja muitos,

Muitos dias: «Jacy, doce amada,

Dá que seja mais longa a jornada,

Dá que eu possa saudar-te o nascer,

Quando o filho do filho, que hei visto

Triumphar de inimigo execrando,

Possa as pontas de um arco dobrando

Contra os arcos contrarios vencer.»

E elles riam os fortes guerreiros,

E as donzellas e espôsas cantavam,

E eram risos que d′alma brotavam,

E eram cantos de paz e de amor.

Rude peito criado nas brenhas,

— Rude embora, — terreno é propicio

Que onde o germen lançou beneficio

Brota, enfolha, verdeja, abre em flor.

Veja nota G

«... E na verdade tem occasiões em que festejam muito a lua,

como quando apparece nova ; porque então sahem de suas

choupanas, dão saltos de prazer, saudam-n′a e dão-lhe as boas

vindas. (JoÃo Daniel Thes. descob. no Amaz., part. 2.a,

cap. X).

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