O nababo Mundo da Lua · Capítulo 104 de 145
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O nababo

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COMMENTA-SE a morte de um homem soturno, que sempre viveu sem familia, arredado de amigos, tremendamente misanthropo e que aos setenta annos se finou na mais extrema miseria, tendo gasto tudo quanto tinha em bilhetes de loteria.

— Que desgraçado! dizem.

— Que homem feliz! penso commigo. Viveu de sonhos. Viveu nababescamente a sonhar maravilhas. Como os chins ingerem opio, elle ingeria bilhetes, notas promissorias de esperança — e sonhava.

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