"Dom Paez"
"Dom Paez",
JURY, hontem. Accusei um pobre mulato victima de todas as más heranças do sangue, irresponsabilissimo. Accusei-o, defendendo-o e consegui que o absolvessem.
Emquanto se desenrolava a estafante leitura do processo, e o mais, puxei do bolso e li á socapa (se o soubessem!...) o "Dom Paez", de Musset. O tempo, assim alliviado, correu em deslise macio, e todo me lavei da sordida impregnação do ritual judiciario no banho rythmico daquelles deliciosos versos.
...la main caresse
les seins étincelants d'une folle maî-
tresse.
Só me despedi desse ambiente de belleza para tomar do libello e remoer as tolices da praxe em estylo opposto ao de Musset — unico adequado aos doze paxvobis que iam julgar.
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A' noite, linda festa para os sentidos, ao lado de Lucy, num camarote, assistindo aos Dois Brazões, de Blumenthal, engraçadissima comedia. Lucy, deslumbrante. Vestida de azul tocado á perola sem collete, graciosos folhos de gaze que afofavam o collo da blusa.
Nos cabellos, negros e ondados, repartidos ao meio, tres geranios côr de telha nova, postos de lado. Sobre a gaze do peito, outros geranios irmãos daquelles. Na mão, um leque, que se não abriu porque esfriára o tempo. E na bocca irrequieta o commentario justo, fino, brincalhão.
Na vida tudo se compensa. Jury, Musset, Lucy...