Vênia A Descoberta da Índia · Capítulo 7 de 7
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Vênia

ENIA Escrevendo esta narrativa, em tempo sobremodo escasso, ative-me mais estreitamente ao Roteiro indo por elle posto que os olhos fossem na epopéa-um foi, a bem dizer, o caminho da minha aventura e foi o poeta a minha estrella polar . Em certos episodios, talvez , melhor andasse se quizesse seguir as indicações de Gaspar Corrêa , no geral eivadas de imaginação mas , subordinei-me ao ingenuo marujo que traçou , em singela linguagem, as peripecias da temeraria travessia . Em Melinde , no ponto relativo á tomada do piloto, parece-me violento o proceder do Gama visto como, havendo o régulo sempre demonstrado bons desejos, justo seria que o navegador com elle usasse de mais cordura ou , digamos : de mais

diplomacia, buscando razões mais brandas para haver o homem necessario ao seu discurso . Posto que todos affirmem que a travessia do mar Indico foi afortunada e com ventos felizes dei a tormenta (e ainda tenho por mim o poeta) para maior realce da bravura temeraria do Gama no momento em que, para conter a revolta, arroja resolutamente ao mar as cartas e os instrumentos . De resto parece-me que, se a navegação houvesse sempre sido bonançosa, não haveria tão impetuoso levante a bordo simplesmente por não ver a maruja as extremas de alguma terra em mares tão dilatados . Emfim , se ha fantasia, tenho a minha resalva demais, ella repousa sobre a absoluta verdade- a flor surgio da terra . proprio mar tem a sua Morgana .

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