O remedio Poesias Infantis · Capítulo 19 de 37
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O remedio

A Amelinha está doente,

Chora, tem febre, delira;

Em casa, está toda gente

Aflita, e geme, e suspira.

Chega o médico e a examina.

Tocando a fronte abrasada,

E o pulso da pequenina,

Diz alegre: “Não é nada!

Vou lhe dar uma receita.

Amanhã, o mais tardar,

Já de saúde perfeita

Há de sorrir e brincar.”

Vem o remédio. Amelinha

Grita, faz manha, esperneia:

“Não quero!”

: O pai se avizinha,

Mostrando-lhe a colher cheia:

“Toma o remédio, querida!

Dar-te-hei como recompensa,

Uma boneca vestida

De seda e rendas, imensa...”

—“Não quero!”

: Chega a titia:

“Amélia é boa, não é?

Se fosse boa, teria

Toda uma arca de Noé...”

—“Não quero!”

: Prometem tudo:

Livros de figuras cheios,

Um vestido de veludo,

Brinquedos, jóias, passeios...

Teima Amelinha. faz manha.

E diz o pai, já com tédio:

—“ Menina! você apanha,

Se não toma este remédio!”

E nada! a menina grita,

Sem querer obedecer.

Mas nisto, a mamãe aflita,

Põe-se a gemer e a chorar.

Logo Amelinha, calada,

Mansa, a colher segurando,

Sem já se queixar de nada,

Vai o remédio tomando.

—“Então? mau gosto sentiste?”

Diz o pai... E ela, apressada:

— “Para não ver mamãe triste,

Não sinto mau gosto em nada!”

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