Beijos
Nesta Tebaida infinita Da vida, na sombra oculto, Eu gosto de olhar o vulto De uma criança bonita. Porque afinal as crianças, Como eu deslumbro-me ao vê-las, Cintilam como as estrelas, Florescem como esperanças. Dentro de mim se projeta A luz cambiante dos prismas E batem asas as cismas Qual passarada irrequieta. E batem asas e ruflam, Pelas artísticas plagas, As auras que as grandes vagas Dos fundos mares insuflam. E digo, ó mães, se uma aurora Fosse a minh'alma sincera, Os clarões todos eu dera A uma criança que chora. Porque se a luz fortalece Arbustos e as andorinhas, Também por certo às criancinhas Conforta, avigora, aquece. E eu que aplaudo e que rimo Tudo isso que à luz se regre, Na vibração mais alegre As criancinhas estimo. Portanto, assim, sem refolhos Beijando a Olga, beijando Meus sonhos vão, irradiando, Se derramar em seus olhos!