Parte II
Peyton Farquhar era um fazendeiro abastado, de uma antiga e altamente respeitada família do Alabama. Sendo um proprietário de escravos e, como outros proprietários de escravos, um político, ele era naturalmente um secessionista original e ardentemente devotado à causa do Sul. Circunstâncias de natureza imperiosa, as quais é desnecessário relatar aqui, o haviam impedido de prestar serviço com aquele galante exército que havia lutado nas desastrosas campanhas que terminaram com a queda de Corinto, e ele se ressentia sob a contenção inglória, ansiando pela liberação de suas energias, pela vida mais ampla do soldado, pela oportunidade de distinção. Enquanto isso, ele fazia o que podia.
Em uma noite, ele estava sentado na varanda de sua casa, em companhia de sua esposa, e estava envolvido em uma discussão com um viajante que havia parado para pedir uma bebida. O homem era um batedor do Exército Federal, mas vestia o uniforme cinzento da Confederação, e estava condizente com o caráter de um civil que era, no fundo, um soldado, e que de boa fé e sem muitas ressalvas concordava com pelo menos uma parte do ditado francamente vilão de que vale tudo no amor e na guerra.
— Os Ianques estão consertando as ferrovias — disse o batedor — e em breve poderão enviar tropas através de Owl Creek. Eu vi, com meus próprios olhos, uma paliçada em construção em uma das pontas da ponte.
— A que distância fica a Ponte de Owl Creek? — indagou Peyton Farquhar.
— Cerca de trinta milhas.
— Existe alguma guarda lá?
— Apenas um posto de guarda.
— Suponha — continuou Peyton Farquhar, pensativamente, curvando-se para a frente e olhando para o chão —, suponha que alguém conseguisse chegar lá e incendiar a ponte; como os Ianques seriam impedidos de enviar reforços?
O soldado refletiu por um momento. — Eu estive lá há um mês — disse ele. — Eu estava lá um mês atrás, e vi que o madeiramento que sustenta a ponte é madeira seca.
A dama agora havia trazido a água, que o soldado bebeu. Ele pediu a ela o endereço do próximo fazendeiro. "Eu vou me aventurar um pouco mais adiante", disse ele, "para ver se consigo notícias do Exército Federal."