CAP 05 | ÚLTIMA CHANCE Amor ao quadrado · Capítulo 7 de 7
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CAP 05 | ÚLTIMA CHANCE

No almoço de família, na casa de sua mãe, Bernardo chega acompanhado de Murilo, e ambos cumprimentam a família.

— Vem cá, quando é que vocês vão assumir que são um casal? — Duda, a irmã mais nova de Bernardo se aproxima abraçando o irmão, ela está apenas de biquini.

Murilo a avalia de cima a baixo e lambe um canto da boca de maneira disfarçada. A abraça quando ela o cumprimenta aproveitando para descer as mãos quase pegando na bunda.

— Larga o imbecil do seu namorado que eu provo o quanto sou gay — fala baixo no ouvido dela.

— Vou contar para o meu irmão que você quer traí-lo com o meu namorado — ri se soltando dele.

— Esse cara é um babaca, você tem que chutar a bunda dele.

— De homem você entende, certo? — Debocha.

— Maria Eduarda, — soa sério a olhando nos olhos — um dia você vai se arrepender de me pirraçar assim.

— Os deixarei a sós — Bernardo se afasta, sabe desde sempre que seu amigo é apaixonado em sua irmã, mas ela nunca dá moral para ele, e não entende por que Murilo ainda insiste nessa paixão platônica.

— Não se preocupe irmãozinho, não deixarei que meu cunhado te traia, estarei de olho nele — sai no encalço de Bernardo com Murilo logo atrás.

Sérgio, o pai, está na churrasqueira preparando a carne. Nayane, a mãe, se serve da garrafa de champanhe enquanto a empregada prepara o almoço.

Entre conversas sobre trabalho e futuro, pela cobrança de Sérgio sobre os dois estarem passando da hora de deixar de serem solteiros pelos trinta anos de idade, Murilo se cansa do assunto e se afasta, se senta na cadeira retrátil com uma long neck na mão, coloca o óculos de sol no rosto e observa Duda se bronzear.

— Já se passaram quinze anos, ou mais, e você ainda acha que esses óculos disfarçam a mira dos seus olhos — Nayane se senta na cadeira ao lado.

— É o mais próximo que posso ficar dela.

— Não acha que está na hora de seguir em frente?

— Acha que não tentei, doutora? — Soa irônico.

— Sabe o que é pior? É se por acaso, você algum dia conseguisse tê-la e todo esse encanto se provasse algo apenas imaginário, e a ilusão se quebrasse como em um passe de mágica, assim como os beijos nos contos de fadas.

— Uma psiquiatra me falando sobre feitiços e magia? — Sorri.

— Só estou dizendo que ela é sua obsessão, precisa quebrar esse paradigma. Você pode ter criado uma expectativa que nunca poderá realizar, e é isso que mantém a sua paixão de adolescência. Contudo, — faz suspense e o olha nos olhos — talvez, você devesse tirar isso a limpo.

— Por que está tocando nesse assunto comigo? — Indaga entre goles da bebida ainda gelada.

— Porque o noivo dela chegará agorinha para fazer uma surpresa a ela.

— Noivo? — Encara a senhora de cabelos tingidos.

— Ele a pedirá em casamento hoje. É sua última chance, ela tem te olhado diferente nos últimos dias, seria um bom momento para arriscar tudo, afinal, Júlio nunca irá te convidar para os almoços na casa dele se ela aceitar o pedido. Você não a verá mais com tanta frequência.

Murilo se levanta irritado, tenta não demonstrar, mas caminha para o rumo da casa terminando de esvaziar a garrafa, seus passos são duros, nem percebe que está usando apenas o apoio da frente dos pés. Bernardo percebe que o andar esquisito do amigo e entende que ele se estressou com algo de repente, mas não pode simplesmente cortar a conversa com o pai.

Duda se vira de bruços por sua mãe se aproximar.

— Deveria se vestir. Esse horário não é adequado para se bronzear.

— É, eu sei, mas hoje está um dia fresco.

— Não vamos arriscar um câncer de pele, certo? Vá se vestir — passa a mão no cabelo da filha.

A mulher se levanta e rouba o champanhe da mão da mãe antes de se afastar.

— Já chega por hoje, dona Nayane — deixa a taça na bancada quando passa na cozinha rumo ao seu quarto.

Ela entra e fecha a porta, mal dá alguns passos chegando ao meio do cômodo quando ouve a porta se fechar, por isso, olha para trás e admira em ver Murilo rodar o trinco.

— O que você acha que está fazendo? — Questiona com tranquilidade, sabe que ele nunca faria nada para a machucar.

— Você nunca, nenhuma vez, me viu como homem? De tudo o que faço por você em todos esses anos, eu nunca consegui te fazer pensar em mim como parceiro? — A olha nos olhos.

Duda sorri sem graça o encarando.

— Você sabe perfeitamente o que eu acho de você.

— Maria, — a chama com cuidado — eu gosto de você, me dá uma chance.

— De novo isso, — se vira de costas — não daria certo.

— Por que não? — Se aproxima rápido e a coloca contra a porta do guarda-roupa, de frente.

— Você é como um irmão para mim, — repousa a mão sobre o ombro dele — e você sabe que eu gos...

— Mas não somos, — a olha nos olhos e a segura pela cintura com uma mão a interrompendo enquanto ela ainda fala — me dá um beijo, só um, e eu juro que nunca mais peço, que vou te deixar em paz.

— Eu namoro o Júlio, você tem que entender isso — o empurra com delicadeza para o afastar, a proximidade obviamente a faz se sentir aquecida, afinal, Murilo é um homem bonito, é alto, atlético, e sempre a olha de um jeito que a deixa excitada, mas nunca o desejou, seu interesse nele é por outra razão.

Murilo dá um passo para trás, a olha entristecido, pensa em se afastar, mas vê a bunda redonda por ela se virar para ir ao banheiro e muda de ideia, retira a própria blusa e avança sobre a mulher a puxando pelo braço com certa intensidade, mas não brusco.

— Só um beijo e eu juro que te deixo em paz — a pressiona com o corpo contra a parede e aproxima a boca na dela.

Os olhos de Duda vacilam, olha para o tom castanho claro da íris com a pupila dilatada cheia de expectativa, e depois para a boca entreaberta com os fios castanhos da barba. Seu coração está acelerado, se sente ansiosa e extasiada, o cheiro dele é tão bom quanto o calor da pele do abdome levemente marcado contra sua barriga, está excitada e será uma ótima oportunidade para dar o troco.

Murilo sente as mãos dela em seu peito, os dedos roçam de maneira carinhosa e a boca rosada se abre sem sair som algum, as bochechas estão coradas; então a beija, saboreia os lábios macios que o correspondem inicialmente tímidos — inseguros —, sua língua dança com a dela e os braços finos da mulher envolvem seu pescoço, então a agarra pela cintura unindo mais seus corpos, desce a mão para a bunda e a aperta, ela não reclama, pelo contrário, se ergue nas pontas dos pés e intensifica o beijo deixando escapar um gemido.

A ergue no colo pelo quadril e gira o corpo, com dois passos alcança a cama e sobe deixando seus chinelos caírem de seus pés, a deita se pondo sobre ela e desce o beijo para o pescoço enquanto usa uma mão para apalpar um seio.

— Era só um beijo, Murilo — segura o rosto com as mãos o forçando a subir antes que a língua dele pegue seu bico eriçado preso entre os dedos que lhe apertam.

— Por favor, Maria, não me impeça, se há um mínimo de amor por mim, me deixe te ter ao menos uma vez.

— Murilo, eu... — olha para os lábios, passa os dedos na barba, mira o olhar cheio de desejo, o peso do corpo e a ereção a pressionando, ainda assim, parado, esperando sua resposta.

“Que se dane, é só fechar os olhos e imaginar.” O agarra pelo cabelo pouco cumprido e o empurra para baixo.

O homem sorri e toma os lábios com desejo evidente, as mãos passeiam em suas costas o arrepiando e aproveita para fazer o mesmo conhecendo de modo tátil as curvas que Duda possui.

Em minutos, o biquini está no chão junto da bermuda, e o colchão se afunda com o movimento do quadril dele promovendo a união de seus corpos suados sobre os lençóis com gemidos abafados para não chamar atenção. Quando as unhas cravam em sua bunda e as pernas dela se enrolam nas suas pelo orgasmo, intensifica o vaivém para aproveitar o prazer juntamente com o clímax que ela exibe de maneira gostosa e excitante, o homem revira os olhos extasiado ao gozar dentro do canal apertado, quente e pulsante.

— Eu sabia que você era maravilhosa — beija o pescoço com cuidado aproveitando para sentir o cheiro da pele enquanto ainda estão unidos. — Eu te amo, Maria, desde adolescente eu só penso em você.

— Não diga isso. — Pede com medo e um certo nível de ansiedade por se dar conta de que está traindo o namorado, e aquela não era a voz que queria ouvir, mesmo ofegante pelo efeito do sexo satisfatório, o empurra para sair de cima. — Não fala isso, Murilo... — se mostra consternada e arrependida — o que foi que eu fiz?

— Gemeu gostoso no meu ouvido — sorri erguendo o tronco, sai de cima dela e se senta no colchão.

— Isso não aconteceu, — o olha nos olhos — prometa para mim que isso não aconteceu.

— Não. Eu queria isso há anos, eu te esperei, eu te pedi, eu implorei por você — ergue a mão para a tocar na bochecha, mas é impedido por uma tapa.

— Por favor, Murilo, ninguém pode saber disso — se levanta da cama e se dirige ao banheiro.

— Duda? — A voz de Nayane soa da porta acompanhando o mover da maçaneta e batidas na madeira. — Por que a porta está trancada?

O casal se encara de olhos arregalados. Duda se desespera e passa os dedos nos cabelos enquanto Murilo se veste na velocidade da luz, ele faz sinal com as mãos para ela enrolar e corre para o banheiro. Duda respira fundo se acalmando antes de abrir a porta.

— Você está bem? — Questiona por ver a filha pálida, apesar de várias marcas avermelhadas pelo corpo. — O que é isso?

— Coceira — responde rápido afastando a mão de sua mãe de seu pescoço.

— Se apresse e se vista, chegou visita para você — sorri animada.

— Quem?

— Só se vista, e coloque um vestido. Deixe-me te ajudar — se direciona ao guarda-roupa e abre a porta.

— Mãe, por favor, eu me viro, tá. Pode sair?

Nayane olha a filha, há algo estranho, observa o quarto e repara o lençol bagunçado, cruza os braços sobre o peito.

— O que você está aprontando?

— Nada, e não use esse tom comigo — sua voz evidencia a indignação por já ter vinte e cinco anos, é uma médica recém-formada, mas o nervosismo pelo quase flagrante a faz se sentir como uma adolescente encurralada.

— Maria Eduarda Esteves Bermudes, o Murilo está aqui?

— Como é? Por que ele estaria aqui? É o meu quarto!

— Me poupe, nos poupe, Maria Eduarda — a olha nos olhos dizendo com seriedade e autoridade — eu sou a sua mãe, entenda que eu te conheço melhor do que qualquer pessoa nesse mundo, e ninguém viu vocês dois na última meia hora. Seu corpo está com marcas de sexo e a sua cama está uma bagunça.

— Eu tenho um namorado. Me respeite! — Soa brava e mais alto.

— Onde está o Murilo? — Sabe a resposta, armou tudo e o viu entrar no quarto da filha.

— Não faço ideia. Eu vim para o meu quarto, me joguei na cama para tirar um cochilo e confesso que me masturbei, então agora vou tomar um banho rápido e me vestir.

— Você realmente não sabe onde ele está? — Põe as mãos no quadril.

— Por que eu deveria saber? — Põe as mãos na cintura.

— Porque você sabe que ele é apaixonado em você há anos e...

— Ele não está aqui! — Insiste falando rápido.

Nayane respira fundo, olha o quarto mais uma vez e percebe o objeto masculino no canto entre a cama e o roupeiro. A culpa é sua por não ter deixado o rapaz se confessar para a filha antes que ela fizesse dezoito, mas quando ele preparou tudo para surpreender a menina no aniversário, uns dias antes, Duda aparece apresentando Júlio, um colega de sala como namorado, sem nunca ter tocado no assunto, pegando todos de surpresa. Devia isso ao rapaz, e conhecia a filha, pois agora está em dúvida, não esperava que ela tivesse coragem de trair o namorado que tanto diz adorar a esse ponto. Ou Murilo foi muito convincente dessa vez, ou Duda está aprontando algo ardiloso.

— O que você acha do Murilo? Já o olhou como um homem alguma vez? Já sentiu algo por ele?

— Eu tenho namorado, não é adequado a senhora me fazer esses questionamentos.

— Por que razão você ainda está com o Júlio? Está havendo algo no relacionamento de vocês que eu não saiba? — A olha fundo nos olhos e como uma boa analista comportamental, repara a tensão crescente no rosto da filha.

— Não estou entendendo o ponto que a senhora quer chegar.

Nayane não possui tempo para fazer a filha confessar o motivo de ter se aproveitado de Murilo, mas precisa deixar claro que está ciente do cinismo sem que magoe o homem que pode ser muito esperto na vida, mas é um tapado quando se trata de Duda, então se aproxima e fala baixo:

— Não minta para sua mãe, você esqueceu de esconder o chinelo do seu amante — a toca no queixo e avisa um pouco mais alto: — saia pela janela, Murilo, e dê a volta na casa para não dar de cara com as visitas no corredor. — Então se afasta da filha e fecha a porta.

Maria Eduarda solta o ar preso do pulmão e vai ao banheiro.

— Olha o que você me fez passar, minha mãe sabe o que aconteceu aqui — fala com os olhos marejados, uma mão na cabeça e outra na cintura.

— Ela nos acobertou — sorri, está feliz demais para se abalar com isso. Puxa o rosto com carinho para a beijar nos lábios.

— Para. O que acha que está fazendo?

— Termina com ele e fica comigo, eu te amo — pede novamente, a segura pela cintura e usa um tom carinhoso.

— Saia, Murilo.

Ele baixa o olhar e se afasta claramente chateado. Vai para o quarto, calça o chinelo que está ao lado da cama, abre a janela e salta para fora. Dá a volta na casa com as mãos no bolsos da bermuda e se encontra com Bernardo saindo da casa com o celular em mão.

— Onde você estava? — Questiona assim que vê o amigo e por isso, interrompe a chamada que era para o celular dele.

— Fui dar uma volta.

— Por quê? Aliás, o Júlio chegou com a família dele.

— Sua mãe me alertou que ele viria.

Os dois entram na casa, Bernardo guarda o celular no bolso e vão para a cozinha, Murilo cumprimenta o homem que namora sua paixão, dessa vez, com um sorriso no rosto.

Júlio não é idiota, sabe bem que o amigo do cunhado é doido para pegar sua namorada, até um cego vê o modo como ele a olha, mas agora pode finalmente se livrar dele, afinal, quando se casar, não terá que ser obrigado a aguentar a presença do infeliz que não sai da casa dos Bermudes, parece até um sem-teto morando de favor.

— O que houve? — Bernardo cochicha estranhando a atitude de Murilo. — Por que foi tão amigável com ele?

— Nada, só estou tendo um ótimo dia.

— O que você fez?

— Por que eu teria feito algo? — O encara abrindo outra garrafa de cerveja e pega um pedaço de carne assada da bandeja com molho de limão e pimenta.

— Desembucha logo, você não engana ninguém, tá sorrindo feito um imbecil — Bernardo também come da carne que umedece no molho apimentado.

— É, pelo visto, não engano mesmo — não consegue conter o sorriso torto, sai da área da churrasqueira e vai para o canto mais afastado pela beira da piscina. Só então confessa: — eu consegui.

— O quê?

Bernardo se atenta ao rosto do amigo, a satisfação e alegria dele são bem evidentes.

— Sua irmã, eu consegui. Ela finalmente cedeu.

Com os olhos arregalados, encara Murilo e soa bravo em tom baixo, com as palavras saindo entre os dentes:

— Como assim ela cedeu? Você a beijou?

— Mais do que isso, eu não fui dar uma volta, na verdade eu estava no quarto dela e a gente trepou gostoso na cama dela — seu tom é baixo, não pode arriscar de alguém ouvir, mas o prazer em sua voz somado aos olhos brilhantes e o sorriso de satisfação assinam o laudo da verdade.

— Filho da puta, o que você fez? Essa sua porra nem funciona! — Agarra a gola da camisa do amigo, range os dentes, o rosto queima por ficar com raiva, não acredita que ele tenha forçado sua irmã, mas também não acredita que ela trairia o namorado, a situação o deixa irritado e confuso.

— Pra ela funciona — sorri por finalmente ter conseguido transar, está se sentindo nas nuvens —. Se aquieta aí, cunhado — soa debochado e aponta na direção do grupo reunido com a mão que segura a garrafa. — Olha lá, ela está ótima. Deu pra mim de boa vontade.

Maria Eduarda se mostra surpresa com a presença do namorado e da família, para ela, eles estavam em viagem e só chegariam na cidade no fim da tarde.

— Por que fez isso? — Bernardo o solta, porém, o tom continua firme e encabulado. — Você jurou que não iria cantar ela novamente, que respeitaria o namoro dela.

— Eu sei o que eu jurei. Mas as coisas mudaram e eu fiquei desesperado.

Os dois conversam em tom baixo, ainda assim, Murilo desvia o olhar rapidamente, percebe que a irmã de seu amigo está nervosa e vira o rosto fazendo seus olhares se encontrarem, se sente aflito por não saber se pode ir lá e simplesmente a beijar na frente de todo mundo, não, ela certamente bateria nele, até sente o ardor do tapa em seu rosto, então ingere mais um gole da cerveja.

— O que mudou? — Bernardo parece um pouco mais calmo, está contando a respiração para se controlar.

— O merda do Júlio a pedirá em casamento hoje. Então eu tinha que tentar mais uma vez. Eu não esperava que ela fosse ceder, ela nunca nem deu margem para eu me aproximar, você sabe bem que ela sempre me expulsa na primeira mínima demonstração — confessa encarando o amigo e as lágrimas vêm. — Mas hoje ela deixou.

— Não creio que esteja chorando — escarnece.

— Foi um sonho realizado, irmão — respira fundo controlando a emoção. — Ela é tão linda... e tão... — sorri com os olhos marejados. — Ah, cara, me desculpa falar isso para você, mas eu preciso.

— Bota para fora — bate a mão no ombro dele.

— A buceta dela é uma nuvem quente, macia e molhada e eu quero me enterrar nela para sempre — sua voz é emocionada e carregada de empolgação.

— Se enterrar, não é? — Comprimi os lábios balançando a cabeça em negativa pelo desaforo, o olha nos olhos e dá um murro no rosto o derrubando na piscina.

— Ah, qual é? Aguou a minha cerveja. — Soa bravo ao emergir.

Bernardo o ignora e caminha a passos lentos para se aproximar da família de seu ainda cunhado oficial, conhece sua irmã o suficiente para saber que ela está nervosa e xinga seu amigo mentalmente por saber o motivo verdadeiro. Contudo, disfarça, sorri e puxa assunto com as visitas.

Júlio se adianta quando a empregada avisa que o arroz já está pronto para ser servido, chama a atenção de todos e começa um discurso ao entregar um buquê de rosas vermelhas à Duda. Bernardo olha para fora da área e o amigo está sentado de costas em uma das cadeiras externas torcendo a camisa, claramente evitando a situação constrangedora.

— Maria Eduarda, você é a mulher mais incrível que já conheci, é a luz da minha vida, por isso eu peço que considere morar comigo — se ajoelha com uma perna e ergue a caixinha de veludo mostrando um par dourado de alianças. — Aceita se tornar a minha esposa?

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