Prólogo - A Vila de Darak Crônicas de Darak · Capítulo 1 de 3
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Prólogo - A Vila de Darak

Na Era Medieval de Domark, o mundo não foi reconstruído.

Ele continuou - por pouco.

A Tormenta de Darak não veio como chuva ou fogo, mas como um rasgo no céu.

As muralhas cederam, a magia falhou nas mãos dos que juravam dominá-la, e quando tudo terminou não houve hinos nem celebração.

Houve silêncio. E contagem - dos vivos, dos mutilados, dos que ainda ousavam olhar para o alto.

Os templos permaneceram erguidos, mas as preces mudaram.

Já não pediam bênçãos. Pediam para não serem vistas.

Porque naquele dia todos compreenderam que a luz não responde à vontade humana - responde apenas ao que considera necessário.

Darak ficou de pé enquanto cidades maiores viraram poeira.

Não por estratégia ou muralhas, mas porque, no centro da Tormenta,

Ardnas-Darak se recusou a aceitar o fim. Ela não buscou poder.

Não buscou milagre. Ela apenas gritou - e algo respondeu.

Não veio como calor ou consolo.

Veio como peso esmagando os ossos, como fogo atravessando carne, como se o próprio céu tivesse escolhido um corpo para rasgar.

Ardnas lembra da mão da filha presa à sua, do medo nos olhos dela, do clarão que consumiu o mundo por um instante - e depois do silêncio.

A cidade foi salva. O céu se fechou. A Tormenta recuou.

Mas a marca nos braços da filha nunca desapareceu: cicatrizes brancas, finas, como se a própria luz tivesse queimado o que tocou.

Desde então, ela não chama Ardnas de mãe - chama pelo nome.

O mundo a nomeou salvadora.

Dentro de casa, ela se tornou lembrança viva do dia em que o céu a atravessou.

O marido permaneceu por um tempo. Depois passou a dormir de costas. Depois em outro quarto. Até que partiu, sem guerra que pudesse detê-lo.

Agora não há tempestade no horizonte. Há apenas o silêncio de Darak e o olhar da filha - frio, contido, intacto.

A Tormenta terminou, mas a verdadeira guerra começou no instante em que a luz desceu.

Esta história não começa com heroísmo.

Começa com uma mulher que tentou impedir o fim do mundo

- e descobriu que sobreviver também pode destruir.

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