Brasil, Poema de fraque e Solidão
Brasil, Poema de fraque e Solidão
Para Trolyr.
Brasil
O Zé Pereira chegou de caravela
E perguntou pro guarani da mata-virgem
“Sois cristão?”
“Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!”
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
“Sim pela graça de Deus
Ganhem Babá Ganhem Babá Gum Gum!”
E fizeram o Carnaval
A Ribeiro Couto.
Poema de fraque
No termômetro azul
Da cidade comovida
Faze as pazes
Com a vida
Saúda respeitosamente
As famílias
Das janelas
Um balão vivo
Se destaca
Das primeiras estrelas
Lamparina às avessas
Do santuário da terra
Faze as pazes
As crianças brincam
À memória de meu pai.
Solidão
Chove chuva choverando
Que a cidade de meu bem
Está-se toda se lavando
Senhor
Que eu não fique nunca
Como esse velho inglês
Aí do lado
Que dorme numa cadeira
À espera de visitas que não vêm
Chove chuva choverando
Que o jardim de meu bem
Está-se todo se enfeitando
A chuva cai
Cai de bruços
A magnólia abre o para-chuva
Parasol da cidade
De Mario de Andrade
A chuva cai
Escorre das goteiras do domingo
Chove chuva choverando
Que a casa de meu bem
Está-se toda se molhando
Anoitece sobre os jardins
Jardim da Luz
Jardim da Praça da República
Jardins das platibandas
Noite
Noite de hotel
Chove chuva choverando