Brasil, Poema de fraque e Solidão Primeiro caderno do alumno de poesia · Capítulo 3 de 4
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Brasil, Poema de fraque e Solidão

Brasil, Poema de fraque e Solidão

Para Trolyr.

Brasil

O Zé Pereira chegou de caravela

E perguntou pro guarani da mata-virgem

“Sois cristão?”

“Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte

Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!”

Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!

O negro zonzo saído da fornalha

Tomou a palavra e respondeu

“Sim pela graça de Deus

Ganhem Babá Ganhem Babá Gum Gum!”

E fizeram o Carnaval

A Ribeiro Couto.

Poema de fraque

No termômetro azul

Da cidade comovida

Faze as pazes

Com a vida

Saúda respeitosamente

As famílias

Das janelas

Um balão vivo

Se destaca

Das primeiras estrelas

Lamparina às avessas

Do santuário da terra

Faze as pazes

As crianças brincam

À memória de meu pai.

Solidão

Chove chuva choverando

Que a cidade de meu bem

Está-se toda se lavando

Senhor

Que eu não fique nunca

Como esse velho inglês

Aí do lado

Que dorme numa cadeira

À espera de visitas que não vêm

Chove chuva choverando

Que o jardim de meu bem

Está-se todo se enfeitando

A chuva cai

Cai de bruços

A magnólia abre o para-chuva

Parasol da cidade

De Mario de Andrade

A chuva cai

Escorre das goteiras do domingo

Chove chuva choverando

Que a casa de meu bem

Está-se toda se molhando

Anoitece sobre os jardins

Jardim da Luz

Jardim da Praça da República

Jardins das platibandas

Noite

Noite de hotel

Chove chuva choverando

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