Inverno, Epitalâmio e Refrão de Obús Há uma Gota de Sangue em Cada Poema · Capítulo 3 de 6
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Inverno, Epitalâmio e Refrão de Obús

Inuerno

O vento reza um cantochão... Meio-dia. Um crepúsculo indeciso gira, desde manhã, na paisagem funesta, De noite tempestuou chuva de neve e de granizo... Agora, calma e paz. Somente o vento continua com seu o o u ... rí;l

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Destacando-se na brancura, os últimos pinheiros da floresta, ao vendaval pesado e lasso, como que vão partir em debandada : parece cada qual, com a cabeça dobrada, uma interrogação arrojada no espaço.

O vento rosna um fabord ão...

Qual um mármore plano de moimento, silenciou o caminho. E’ a sepultura, profana, sem unção, onde, com a última violeta, jaz a franca alegria do v e r ã o ...

Ha ventania, mas ha solidão e paz. Niiiguem. Os derradeiros pios voaram de manhãzinha; mas em breve sepultararn-se sob a neve, mudos e frios. ÍLido a lv o ... apenas a tristeza preta, e 0 vento com seus ro n co s... Ninguém. — Alguém! Olha, junto dos troncos, um reflexo de b aio n eta!...

E ’ sempre assim. De maniiãzinha, braço dado, nos jardins claros do hospital, êle mancando, a ela apoiado, silenciosos, lado a lado, dão 0 passeio matinal. E, vagarosamente, se entranhando no perfume vermelho da manhã, ela vem triste, como que sonhando, — ela, que é sã — e êle, — 0 ferido — traz sorrisos francos, vem assobiando entre seus lábios brancos uma valsa a le m ã ...

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E no iundo do parque redoiente, onde tudo é periunie e soin, sentarn-se e dizem, já maquinalmente : “ Êtes vous la s?” — “Oh! non!”

Então êle, com sua voz quebrada, vendo o Sol que no longe aponta, entrando sorrateiro sob a touca, brincar entre os cabelos brunos dela, pêla décima vez conta e reconta como 0 prenderam e feriram pêla tardinha, ao proteger a retirada dos seus soldados.

Ela, dedos febris entrelaçados, bebe o reconto que lhe sai da boca.

E êle lembrando, sem vanglória, o heroismo que praticou, a vê ch o ra r... Então se arrasta para junto dela, pergunta-lhe a razão do seu mutismo, pede-lhe as mãos para b e ija r...

- “ Porquoi pleures tu?”— “Moi !” -

“Mais oui !...”

E 110 seu colo se debruça, cola-lhe a boca ás mãos -, e enquanto êle soluça, agora, ela sorri.

E ’ sempre a s s im ... íMas ao voltar, vem resplendendo nela o beijo nas mãos. nêle a esperança. Voltam pêlos meandros do jardim, e ela vem rubra, que êle vem dizendo quanto aclia lindas as manliàs de França.

Refrãü de Obús

Partir pêlo ar, atravessar girando 0 ambiente perfumado do verão Sentir o vento novo e brando; no ímpeto da carreira, perfumar-se e abrandar-se á viraçào!.

Partir, com o íntimo esforço, velozm ente: ver na campina a última leira, rasgada pêlo último arado, aberta a boca mansa, esperar a semente! . . .

Partir, ouvindo os passarinhos, que despertara a cotovia, musicar, lado a lado, 0 êxtase florescido dos cam inhos!..

O’ ! como é bom partir, su b in d o !... Sob a palpitação da madrugada fria, á ovação triunfal do dia infante e lindo ó ! como é bom partir subindo ! . . . Partir, alimentando um desejo de escol; partir, subindo pêlo espaço para o Sol!.

AAas na suprema glória de subir, sentir que as forças vão faltar : e retornar de novo para a Terra; e servir de instrumento numa guerra; e rebentar, c assassinar ! . . .

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