Ballet do Primeiro Galo - Parte 4
Muitos instantes o galo passou rente à boca das onças pardas, em cima dos berros da bicharia. Tupã os protegia como autócrata do ballet, espantando os mosquitos, as piranhas, as lagartas de fogo, e os jacareunas dos igarapés. Afinal abicaram à boquinha da noite na casa de Macobêba, setecentas e cinqüenta léguas ao oeste da Serra do Bananal. Macobêba tinha vindo num pé só, de ali perto, da Guiana Francesa. Estava branco de fome, sendo logo de seu desejo ceiar o galo em forma de cabidela ou mesmo assado. O andarilho mundurucú (a ave já tinha passado de mão em mão por mais de quinhentas e oito tribus) passou o galo a seu vizinho tapanhuma que atravessou a Serra Tarumã pela estrada que da ponte do Sararé vai ao Quilombo do Piolho.
Aí, fora das garras de Macobêba, pararam num córrego sem água. Na zona dos cabixis, veio saudar o recente andarilho, o cacique Burití vestido de alferes. Num átimo desejou o galo. Seu portador adivinhando-lhe as intenções mais que depressa atravessou o rio Aripuanã, depois o Giparanã, foram dar ao Sul, no Guaporé. Daí subiram na sombra de um avião até a grande fronteira dos parintintins. Adeus rio Madeira, adeus Jamarí, adeus Guajará-mirim, vamos danados pra Colômbia, adeus Panamá, adeus Costa Rica, adeus Nicarágua, Honduras, S. Salvador Guatemala, Adeus México!
Toca pras Cordilheiras, que os caudilhos também querem comer o galo.