O Mar que Navega o Barco

Universo da obra

O Mar que Navega o Barco

Capítulo 1 · O Mar que Navega o Barco

I

I

1.

Eus

Alb,Alberto,Beto,​​​​​​​​​​​​​​​​

Albert.

Sou todos eles,

e outros tantos.

Queria ser mais múltiplo.

Queria ser ninguém.

Queria simplesmente "ser":

Anônima (boa) poesia

para mim

Já bastaria.

2.

Embarcação (I)

Fosse meu espírito

embarcação,

meu corpo seria

âncora ou mastro?

A mente,

iceberg ou lastro?

Fosse meu espírito

embarcação,

quem seria

meu coração?

Imprestavelmente

bêbado de amor,

poderia ainda sim

ser o capitão?

Minha nau faria marola?

Deixaria rastro?

Fosse meu espírito

embarcação,

teria eu rota certa

de diária obrigação?

Buscaria faróis 

ao navegar?

Usaria as estrelas

do céu vasto?

Ou será que bastaria

seguir minha intuição?

Fosse meu espírito

embarcação,

eu navegaria

feito cruzeiro imponente

ou afundaria carente

no meu mar de solidão?

3.

Embarcação (II)

Dúvidas? 

Tenho aos montes, 

e todas pesam

no meu timão.

Mas forjei meu leme

em têmpera perene

com aço, mente

e ferrenha convicção:

Sempre serei(a) encontrado

(a remos, velas ou nado)

zingrando um novo horizonte

para onde minha popa aponte

para qualquer futuro que eu monte

fosse meu espírito embarcação.

4.

Licença

Pedi licença ao seu peito.

Ele disse: "toda!"

Entrei,

tomei posse,

me esparramei

e fiquei.

Acredito

na literalidade do amor

até nas licenças

poéticas.

5.

Um Novo Mesmo

Amanhecer:

O mesmo sol, 

as mesmas colinas.

E ainda assim

tudo muda,

pois os ventos

da mudança

sopram incessantes

em meu céu interno.

O mesmo sol,

as mesmas colinas.

Um novo dia.

Um novo eu.

6.

Sinto

Tempos doídos

e sem muito sentido.

A todos

aqueles

que sentem

muito,

meus sentimentos.

7.

Vida

Minha vida é feita de sonhos.

Meu sonho

é feito de versos.

Meu verso

é feito de vida.

Nas entrelinhas,

porém, faço amor

em sonho,

vida

e verso.

8.

Vontade

Tem dia

que não quero escrever;

quero é renascer

poesia.

9.

Cascalhos

Os anos vão passando.

Eu, passageiro, fiquei observando.

Os cascalhos deram forma

aos tantos "eus"

que eu não queria ser.

Pois não os serei.

Decido conduzir-me:

descasca-lhos-ei.

10.

Quem

Quem

planta

poemas

sonha ser

(es)colhido.

O Mar que Navega o Barco

Sinopse

É livro, é mar, é barco. Âncora e vela ao mesmo tempo, convidando o leitor a se perder e se encontrar nos arquipélagos da própria alma. É para quem sente o vento no rosto e ainda segue. Para quem construiu o leme com aço e teimosia. Para quem encara o abismo e ousa dar o passo, mesmo sabendo que o chão é rumor. Para quem quer aprender a voar sem asas. Bússolas e Âncoras: seguir ou ficar? Farol ou Iceberg? Proa ou Praia? Acomode-se no barco de papel do poeta: deixe o mar te navegar. Seja embarcação e, ainda assim, permaneça imensidão. Abra. Afunde. Flutue. A travessia é sua.

O Mar que Navega o Barco

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