Universo da obra
Universo da obra
Na Era Medieval de Domark, o mundo não foi reconstruído.
Ele continuou - por pouco.
A Tormenta de Darak não veio como chuva ou fogo, mas como um rasgo no céu.
As muralhas cederam, a magia falhou nas mãos dos que juravam dominá-la, e quando tudo terminou não houve hinos nem celebração.
Houve silêncio. E contagem - dos vivos, dos mutilados, dos que ainda ousavam olhar para o alto.
Os templos permaneceram erguidos, mas as preces mudaram.
Já não pediam bênçãos. Pediam para não serem vistas.
Porque naquele dia todos compreenderam que a luz não responde à vontade humana - responde apenas ao que considera necessário.
Darak ficou de pé enquanto cidades maiores viraram poeira.
Não por estratégia ou muralhas, mas porque, no centro da Tormenta,
Ardnas-Darak se recusou a aceitar o fim. Ela não buscou poder.
Não buscou milagre. Ela apenas gritou - e algo respondeu.
Não veio como calor ou consolo.
Veio como peso esmagando os ossos, como fogo atravessando carne, como se o próprio céu tivesse escolhido um corpo para rasgar.
Ardnas lembra da mão da filha presa à sua, do medo nos olhos dela, do clarão que consumiu o mundo por um instante - e depois do silêncio.
A cidade foi salva. O céu se fechou. A Tormenta recuou.
Mas a marca nos braços da filha nunca desapareceu: cicatrizes brancas, finas, como se a própria luz tivesse queimado o que tocou.
Desde então, ela não chama Ardnas de mãe - chama pelo nome.
O mundo a nomeou salvadora.
Dentro de casa, ela se tornou lembrança viva do dia em que o céu a atravessou.
O marido permaneceu por um tempo. Depois passou a dormir de costas. Depois em outro quarto. Até que partiu, sem guerra que pudesse detê-lo.
Agora não há tempestade no horizonte. Há apenas o silêncio de Darak e o olhar da filha - frio, contido, intacto.
A Tormenta terminou, mas a verdadeira guerra começou no instante em que a luz desceu.
Esta história não começa com heroísmo.
Começa com uma mulher que tentou impedir o fim do mundo
- e descobriu que sobreviver também pode destruir.
Na Era Medieval de Domark, a paz nunca dura. Ardnas-Darak, a lendária Bruxa da Luz, acreditou ter selado a Tormenta que dizimou sua linhagem. Mas vitória nenhuma apaga o passado. As cinzas ainda queimam - e o ódio corre no sangue da própria família. A verdadeira guerra não virá de monstros ou reinos inimigos. Virá de dentro do lar. Alianças antigas se rompem. Juramentos viram traição. A corrupção devora o legado da luz por dentro. Em Domark, toda vitória cobra luto. Toda escolha transforma parentes em inimigos. Quando a traição nasce no sangue... Em Darak, o sangue nunca perdoa. "E se a verdadeira guerra não fosse contra monstros... mas contra o próprio sangue?"
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