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Primeiro caderno do alumno de poesia

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Primeiro caderno do alumno de poesia

Capítulo 1 · Primeiro caderno do alumno de poesia

Primeiros poemas

Primeiros poemas

A Mario Guastini.

Anacronismo O português ficou comovido de achar

Um mundo inesperado nas águas

E disse: Estados Unidos do Brasil

Para Noner.

Brinquedo Roda roda São Paulo

Mando tiro tiro lá

Da minha janela eu avistava

Uma cidade pequena

Pouca gente passava

Nas ruas. Era uma pena

Desceram das montanhas

Carochinhas e pastoras

Por dormir em meus olhos

Me levaram pra abrolhos

Os bondes da Light bateram

Telefones na ciranda

Os automóveis correram

Em redor da varanda

Roda roda São Paulo

Mando tiro tiro lá

Brinquedos de comadre

Começaram pela vida

Pela vida começaram

Comadres e mexericos

Roda roda São Paulo

Mando tiro tiro lá

Depois entrou no brinquedo

Um menino grandão

Foi o primeiro arranha-céu

Que rodou no meu céu

Do quintal eu avistei

Casas torres e pontes

Rodaram como gigantes

Até que enfim parei

Roda roda São Paulo

Mando tiro tiro lá

Hoje a roda cresceu

Até que bateu no céu

É gente grande que roda

Mando tiro tiro lá

As quatro gares A visita na casa que a gente sentava no sofá

Ao Alcantara.

Adolescência Aquele amor

Nem me fale

Ao Couto de Barros.

Meus sete anos Papai vinha de tarde

Da faina de labutar

Eu esperava na calçada

Papai era gerente

Do Banco Popular

Eu aprendia com ele

Os nomes dos negócios

Juros hipotecas

Prazo amortização

Papai era gerente

Do Banco Popular

Mas descontava cheques

No guichê do coração

Para Dolur.

Meus oito anos Oh que saudades que eu tenho

Da aurora de minha vida

Das horas

De minha infância

Que os anos não trazem mais

Naquele quintal de terra

Da Rua de Santo Antônio

Debaixo da bananeira

Sem nenhum laranjais

Eu tinha doces visões

Da cocaína da infância

Nos banhos de astro-rei

Do quintal de minha ânsia

A cidade progredia

Em roda de minha casa

Que os anos não trazem mais

Debaixo da bananeira

Sem nenhum laranjais

Ao Tácito.

Fazenda O mandacaru espiou a mijada da moça

A Baby e Guy.

Enjambement do cozinheiro preto Chama vassê José

José Prequeté

A sua habilidade consistia em matar de longe

Decepando com uma larga e certeira faca

Cabeças

De frangos, patos, marrecos, perus, enfim

Da galinhada solta no quintal

Do Grande Hotel Mello

Primeiro caderno do alumno de poesia

Sinopse

Texto de Primeiro caderno do alumno de poesia, de Oswald de Andrade, publicado a partir da edição de 1927 em domínio público no Brasil. Esta edição Literúnico preserva a autoria e a estrutura textual sem reproduzir as ilustrações do fac-símile.

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