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A Morte de Smail-aga Čengić

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A Morte de Smail-aga Čengić

Capítulo 2 · A Morte de Smail-aga Čengić

I. O Mando do Agá

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I. O Mando do Agá

Chama os servos Smail-agá,

No meio das torres de Stolac,

Na terra da Herzegóvina:

“Vinde aqui, servos meus,

Trazei-me os montanheses,

Que eu cativei por escravos

Nas águas frias do Morača.

E também o velho Durak,

Que, traste vil, me aconselhava

A deixá-los voltar a suas casas,

Pois são, dizia, vlacos ferozes;

Eles hão de vingar em mim

Cabeças vlacas com minha cabeça:

Como se tremesse o lobo sombrio

Diante do faminto rato da serra.”

Os servos ligeiros obedeceram,

Trouxeram os prisioneiros.

Nos pés, pesadas grilhetas,

Nas mãos, algemas de ferro.

Quando os viu o poderoso agá,

Mandou jungir bois gordos

E algozes, linces cruéis,

E deu-lhes presentes turcos:

A cada moço entrega uma estaca aguda,

A este uma estaca, àquele uma corda,

A outro destina o sabre afiado.

“Ide, cristãos, repartir os dons

Que eu, turco, vos preparei,

A vós e a vossas montanhas de pedra;

Pois como for convosco, assim será com todas as Brdas.”

Disse o turco; mas morrer

Pela santa fé de Cristo

Não é penoso a quem por ela luta.

Gemeu a estaca algumas vezes,

Sibilou o sabre algumas vezes,

Tremeram aquelas forcas frágeis,

Mas não gemeu a jovem gente montenegrina,

Nem gemeu, nem rangeu os dentes.

Pelo campo correu o sangue escuro,

Nem gemeu, nem rangeu os dentes.

O campo se encheu de corpos,

Nem gemeu, nem rangeu os dentes.

Só houve quem invocasse o grande Deus,

Quem chamasse o belo nome de Jesus,

E assim facilmente se apartaram do sol

Os campeões acostumados a morrer.

Como rio, o sangue corre pelo campo;

A turcada fita, de braços cruzados.

Quem é mais moço olha com gosto

As dores na cruz de tília;

Mas quem é mais velho, essas mesmas dores,

Pela mão vlaca, sobre si próprio

Já de antemão sente de medo.

O agá irado olha sombrio

Para onde, poderoso, é forçado a admirar

O forte leão diante do rato da montanha.

Quem és tu, herói? Vingar-te não podes

De outro herói enquanto ele não se entrega.

O turco degolou tantos valentes,

Ceifou-os, mas não saciou o coração,

Pois sem temor todos diante dele caíram.

Teme aquele que se acostumou

A morrer sem grande aflição.

Vendo o agá tamanha fortaleza,

Gelou-lhe o fundo do peito,

Como se, com lâmina gelada,

Uma ponta de gelo lhe tocasse a alma.

Seria dor pelos heróis

Que, poderoso, em vão matara?

O turco não sente dor por cristãos.

Seria medo, por temer a própria cabeça?

O poderoso agá oculta isso de si mesmo.

Não vês como se esforça

O bravo herói para conter o frio

Que, daquele pequeno ponto,

Lhe rola pelo corpo ondas de gelo?

Olha a cabeça, para os céus,

Como orgulhosa e brava se ergue;

Olha a fronte clara e o olho,

Como sob ela límpido relampeja;

Olha o porte robusto, que, conhecendo

Sua própria força, se mantém ereto;

E então me dize: há ali

A menor sombra de medo?

E agora escuta como fala o herói,

E como asperamente censura os covardes:

“Ai, Durak, velho dos velhos,

Por onde irás agora, para onde irás?

Agora que degolei os ratos da serra?

Para a montanha? Lá estão os montanheses;

Para a planície? À planície eles descerão;

Ou viverás para perder a cabeça?

Melhor é fugir para debaixo das nuvens.

Os ratos mordem, mas rastejam pelo chão;

Só a águia cinzenta sobe sob o céu.

Erguei-o nas forcas frágeis,

Para que saiba de que lhe valeu o medo.

E o turco, se ainda houver

Em algum lugar alguém que tema o vlaco,

Eu o erguerei ao céu, sob as nuvens,

Ali fique a presa negra para os corvos.”

Calados calam-se os servos escravos,

Calados calam-se, agarram sua presa.

“Aman, aman!”, guincha o velho,

E Novica, seu filho, em vão,

“Aman, aman!”, soluçando grita.

Está de pé o agá, fera da montanha,

Pilar de ferro, pedra dura.

Mal respira, com a mão acena,

O velho Durak quase expira.

“Medet, medet!...” O algoz feroz

Já lhe aperta até a garganta.

Durak bramiu, tudo emudeceu.

A Morte de Smail-aga Čengić

Sinopse

Tradução literária em português-BR do poema épico croata de Ivan Mažuranić, marco do romantismo eslavo do sul, preparado para a Copa do Mundo Literunico.

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