Leia agora
Rei Lear

Universo da obra

Rei Lear

Capítulo 16 · Rei Lear

ATO III — CENA VI. Um aposento numa granja contígua ao castelo

16 de 27 ≈ 7 min de leitura

ATO III — CENA VI. Um aposento numa granja contígua ao castelo

Entram Gloucester, Lear, Kent, o Bobo e Edgar.

GLOUCESTER.
Aqui é melhor que ao ar livre; recebei-o com gratidão. Acrescentarei ao conforto tudo quanto eu puder: não ficarei muito tempo longe de vós.

KENT.
Todo o poder de seus sentidos cedeu à sua impaciência. Que os deuses recompensem vossa bondade!

Sai Gloucester.

EDGAR.
Frateretto me chama; e me diz que Nero é pescador no lago das trevas. Reza, inocente, e guarda-te do demônio imundo.

BOBO.
Rogo-te, tiozinho, dize-me se um louco é cavalheiro ou lavrador.

LEAR.
Um rei, um rei!

BOBO.
Não; é um lavrador que tem por filho um cavalheiro; pois é louco o lavrador que vê seu filho cavalheiro antes dele.

LEAR.
Ter mil, com espetos rubros e ardentes,
Vindo contra elas a chiar.

EDGAR.
O demônio imundo me morde as costas.

BOBO.
É louco quem confia na mansidão de um lobo, na saúde de um cavalo, no amor de um rapaz ou no juramento de uma rameira.

LEAR.
Assim será feito; eu as indiciarieis já.
A Edgar. Vem, senta-te aqui, sapientíssimo juiz;
Ao Bobo. Tu, senhor sábio, senta-te aqui. Agora, raposas!

EDGAR.
Olha onde ele está e fulmina com os olhos! Queres olhos no julgamento, senhora?
Vem passar o limite, Bessy, até mim.

BOBO.
Seu barco tem um rombo,
E ela não deve dizer
Por que não ousa passar até ti.

EDGAR.
O demônio imundo assombra o pobre Tom com voz de rouxinol. Hoppedance grita na barriga de Tom por dois arenques brancos. Não grasnes, anjo negro; não tenho comida para ti.

KENT.
Como estais, senhor? Não fiqueis assim atônito;
Quereis deitar-vos e repousar sobre as almofadas?

LEAR.
Verei primeiro o julgamento delas. Trazei suas provas.
A Edgar. Tu, homem togado da justiça, toma teu lugar.
Ao Bobo. E tu, seu companheiro de jugo da equidade,
Senta-te ao seu lado no banco. A Kent. Vós sois da comissão;
Sentai-vos também.

EDGAR.
Tratemos com justiça.
Dormes ou velas, alegre pastor?
Tuas ovelhas estão no trigo;
E por um sopro de tua boquinha miúda
Tuas ovelhas não sofrerão dano.
Ronrom! A gata é cinzenta.

LEAR.
Indiciai-a primeiro; é Goneril. Eu aqui presto juramento diante desta honrada assembleia: ela chutou o pobre Rei, seu pai.

BOBO.
Vinde cá, senhora. Vosso nome é Goneril?

LEAR.
Ela não pode negá-lo.

BOBO.
Peço-vos perdão, tomei-vos por um banquinho articulado.

LEAR.
E eis outra, cujos olhares torcidos proclamam
De que reserva é feito seu coração. Detende-a ali!
Armas, armas! espada! fogo! Corrupção no tribunal!
Falso juiz, por que a deixaste escapar?

EDGAR.
Benditos sejam teus cinco sentidos!

KENT.
Oh, piedade! Senhor, onde está agora a paciência
Que tantas vezes vos gabastes de conservar?

EDGAR.
À parte. Minhas lágrimas começam a tomar tanto o partido dele
Que estragam meu fingimento.

LEAR.
Os cachorrinhos e todos,
Trey, Blanch e Sweetheart, vede, ladram contra mim.

EDGAR.
Tom lançará a cabeça contra eles. Fora, rafeiros!
Seja tua boca negra ou branca,
Dente que envenena se morde;
Mastim, galgo, mestiço feroz,
Cão de caça ou spaniel, cadela ou cão,
Ou vira-lata de rabo curto ou rabo enrolado,
Tom os fará chorar e gemer;
Pois, lançando assim minha cabeça,
Os cães saltam a cancela, e todos fogem.
Do, de, de, de. Sessa! Vamos, marchai para festas, feiras e vilas de mercado.
Pobre Tom, teu chifre está seco.

LEAR.
Então que anatomizem Regan; vede o que se cria em torno de seu coração. Há alguma causa na natureza que produza estes corações duros? A Edgar. Vós, senhor, eu vos contrato como um dos meus cem; apenas não me agrada a moda de vossas vestes. Direis que são persas; mas que sejam trocadas.

KENT.
Agora, bom meu senhor, deitai-vos aqui e repousai um pouco.

LEAR.
Não façais ruído, não façais ruído; fechai as cortinas.
Assim, assim. Iremos cear pela manhã.

BOBO.
E eu irei para a cama ao meio-dia.

Entra Gloucester.

GLOUCESTER.
Vem cá, amigo;
Onde está o Rei, meu senhor?

KENT.
Aqui, senhor; mas não o perturbeis, seus sentidos se foram.

GLOUCESTER.
Bom amigo, rogo-te, toma-o em teus braços;
Ouvi por acaso uma trama de morte contra ele;
Há uma liteira pronta; deitai-o nela
E conduzi-o para Dover, amigo, onde encontrareis
Tanto acolhida quanto proteção. Levantai vosso senhor;
Se tardardes meia hora, sua vida,
Com a tua e a de todos os que se oferecerem a defendê-lo,
Fica em perda certa. Levantai, levantai;
E segui-me, que vos darei rápido caminho
Até algum provimento.

KENT.
A natureza oprimida dorme.
Este repouso ainda poderia balsamizar teus nervos partidos,
Os quais, se a conveniência não permitir,
Ficam em dura cura. Vinde, ajudai a carregar vosso senhor.
Ao Bobo. Tu não deves ficar para trás.

GLOUCESTER.
Vinde, vinde, embora!

Saem Kent, Gloucester e o Bobo, carregando Lear.

EDGAR.
Quando vemos os melhores que nós suportarem nossas dores,
Mal pensamos que nossas misérias sejam nossas inimigas.
Quem sofre sozinho sofre mais na mente,
Deixando atrás de si coisas livres e aparências felizes;
Mas então a mente transpõe muito sofrimento
Quando a dor tem companheiros e sociedade em suportá-la.
Quão leve e portátil me parece agora minha dor,
Quando aquilo que me faz dobrar faz o Rei curvar-se;
Ele teve filhos como eu fui pai! Tom, embora!
Observa os altos ruídos; e revela-te,
Quando a falsa opinião, cujos pensamentos errados te maculam,
Em tua justa prova te revogar e reconciliar.
O que mais há de acontecer esta noite, escape o Rei a salvo!
Oculta-te, oculta-te.

Sai.

Rei Lear

Sinopse

Tradução Literunico em português brasileiro de King Lear, tragédia de William Shakespeare em domínio público. A edição preserva a estrutura teatral em atos e cenas, com linguagem clássica legível para leitura contemporânea.

Rei Lear

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Ir para o carrinho
Mercado de Rei Lear

Leve um fragmento deste universo

Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.

Nenhum livro físico está disponível neste universo.
Relíquias da Obra

Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!

Aguardando Aprovação do Autor
Aguardando grupo autoral Rei Lear Escolha uma Relíquia e envie uma proposta de aquisição, mesmo antes da ativação.
100Relíquias
0Titulares
0 Passagens
Central de RelíquiasDescubra coleções de outros universos e obras.
ver todas
Capítulo 16 carregado no app · 1 livro conectado 1/1
Abrir leitor completo

Capítulos disponíveis para continuar a leitura.

Capítulos de Rei Lear

Capa de Rei Lear
Continue a leitura ATO III — CENA VI. Um aposento numa granja contígua ao castelo Capítulo 16 · 16 de 27 · ≈ 7 min
Todos os capítulos 27 disponíveis

Donos de Relíquias

0 titulares

Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!

Conhecer as 100 Relíquias

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Entrar para resenhar

Posses do livro

0 Leitores com posse
0 Unidades registradas

Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.

Adicionais do Universo

Visual ClássicoAbra a leitura editorial, no estilo de uma página de livro
ler
Visual AuroraApresentação imersiva do universo da obra
abrir